28 dezembro 2008

Gripe

A afluência às urgências nesta altura do ano, por causa da gripe e de resfriados, causa o colapso da resposta hospitalar qualquer que seja o número de urgências e a quantidade de profissionais que as servem.


 


É uma questão de cidadania usar os serviços públicos com sensatez e sentido de oportunidade. Estas situações devem ser diagnosticadas e tratadas nos Centros de Saúde e em casa, deixando as urgências hospitalares desimpedidas para os casos de facto graves, como as complicações da gripe, traumatismos, enfartes, etc.


 


Vale a pena seguir as informações e orientações da Cristina, cujo blogue está a ser um verdadeiro serviço público.


 



 


 


 

27 dezembro 2008

Luz vaga

Não sei exactamente porquê, mas gosto imenso desta música.


 



 


Luz vaga, luz vesga, a tua cruz

Já não sai da cama, a minha luz

Da sala, do quarto


 


Pilha a palavra

Troca a quantidade, do assunto modal

A tensão está normal

O lábio fora da boca,

A boca fora do mal


 


Os teus olhos não são de gente

O teu ar foge para cima

Tens a perna no cimento,

Tens a mão no pensamento


 


Ciclope, cicloturismo

Na parte de fora, na nesga do abismo

Imaginário que remete, para onde ainda não fui


 


Convite ao Universo

Com a tua própria câmara

Fecho a luz num olho

Prego a tábua à sensação


 


Som da casa, quando não estás...


 


Dancei para te ver aqui,

eu sei que nada mais pode me ajudar

É do nono andar? Sim

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta

Sei lá! Parei de olhar,

tenho uma corda acesa, prestes a queimar

Não és capaz de me levar a sério.

Vou saltar em teu lugar.


 


Sei que nada mais pode me ajudar


 


Atrasa o passo

Leva o lenço à boca

Fica na mira do choque frontal

Não é doença, é um animal

Um ruído feito no acto de fingir

seres mau, mesmo a dormir


 


(Mesa - Rui Reininho)

Anos


 


Aos quarenta já soma sete. Quarenta e sete.




E que fez durante os dezassete mil cento e cinquenta e cinco dias da sua vida? Será que os aproveitou um a um? Ou que desperdiçou tempo e desejo, nervos e esperança?


 


Quarenta e sete. Nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias estará atenta a que passem por si, cheios e satisfeitos, os trinta e um milhões, quinhentos e trinta e seis mil segundos a que tem direito.


 

26 dezembro 2008

Falta muito

Dei-me a mim própria um intervalo de cidadania para egoistamente me entregar aos rituais da época. Li apenas os títulos dos jornais online e os posts dos blogues habituais. Não me apetecia saber o que se passou no mundo e no país, porque o intervalo foi para mim, não para a vida de todos os dias.


 


Ainda bem que o fiz pois os atentados bombistas não respeitaram tréguas natalícias, a crise financeira global esqueceu-se do Menino Jesus e os nossos governantes, nomeadamente o Primeiro-Ministro, foi bem o exemplo do novo-riquismo consumista e exibicionista das nossas sociedades actuais.


 


Na sua mensagem de Natal congratulou-se com o que ele fez, com o que ele conseguiu, com o que ele projectou. Não houve palavras inspiradoras nem mobilizadoras, não houve reconhecimento de dificuldades, erros ou desvios. Apenas um discurso ritmado e publicitário, pré-eleitoral, sem a grandeza dos líderes que injectam esperança mesmo quando apenas se vêm muros, escolhos e armadilhas.


 


É em tempos difíceis que se deve olhar e ver acima das lutas partidárias, para além do deve e haver das partilhas dos lugares de deputados, das percentagens eleitorais, das maiorias com ou sem poder.


 


O poder serve para servir. Precisamos de governantes que nos inspirem confiança, que nos mostrem que somos capazes do melhor, mesmo nas piores circunstâncias, não de governantes que apenas se vejam a espelhos adulatórios.

Sem Palavras (5)

 


Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro


 


 



 

25 dezembro 2008

Have yourself a merry little Christmas

  



 


Have yourself a merry little Christmas,

let your heart be light.

From now on,

our troubles will be out of sight.


 


Have yourself a merry little Christmas,

make the Yule-tide gay.

From now on,

our troubles will be miles away.


 


Here we are as in olden days,

happy golden days of yore.

Faithful friends who are dear to us

gather near to us once more.


 


Through the years

we all will be together

if the Fates allow.

Hang a shining star upon the highest bough

And have yourself a merry little Christmas now.


 


(canta Katie Melua)

25 de Dezembro

Hoje deveria ser o dia das mães.


 


Das mães que acabaram de parir pela primeira ou pela décima vez, com todo o espanto, dor e carinho de sentir que uma pequena parte de si se enrosca, dorme e chora.


 


Das mães que acordam e ficam na cama apenas mais um momento antes de arrumarem os despojos da véspera.


 


Das mães que acordam os seus filhos pequenos ou já adultos, de uma noite em que os sonhos foram mais doces que o habitual.


 


Das mães que lavam, limpam, arrumam, cozinham, vigiam as conversas, os olhares, os que endoidecem e os que cambaleiam.


 


Das mães que não querem saber de Natais nem de Páscoas, das mães que amam, das mães demoníacas ou santificadas, das mães novas e velhas, das mães que nunca foram mães, das mães viúvas e das mães desesperadas, das mães dos filhos perdidos e mortos, das mães que esperam e que se cansam, das mães que temos ou já tivemos.


 


Hoje deveria ser dia de ser mãe.


 



(pintura de Salvador Dali: Quadros Bíblicos)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...