Quando se tem ideias sobre como fazer as coisas, qual o caminho a seguir, sobre algumas regras básicas e inquebráveis, independentemente das turbulências que possam acontecer, fica-se sempre espantado com as pedras que se levantam e que rolam pelas encostas dos acontecimentos, esmagando folhas, arrastando detritos e levantando poeira.
Será que os caminhos ficam mais visíveis e desimpedidos? O que nos leva a continua e obsessivamente tentar alinhar o desalinhado, tentar viver coerentemente e fazer o que sempre se pensou como certo, na altura em que se tem oportunidade para tal?
No entanto as dúvidas sobram e quase esmagam as certezas. Não há segurança que resista às dificuldades e depois perguntamo-nos – será que as razões não são essas, as premissas estão erradas, a visão se distorceu?
Como vislumbrar a claridade no meio translúcido e nas cortinas que se vão interpondo entre a ideia e a realidade? Será melhor manter a estrutura com receio que o movimento a altere, a perigue, ou mesmo a destrua?
Ou será que a estrutura não tem condições para se aguentar e que desabará, a qualquer instante, sobre as cabeças de quem se abriga dentro dela?
(pintura de Robert Goodman: tornado)