26 setembro 2008

A gruta de Lascaux

A gruta de Lascaux (Lascaux II), ao pé de Montignac onde, aliás, se compram os bilhetes, é absolutamente extraordinária. E uma réplica da original, aberta ao público em 1983, 20 anos após o fecho da verdadeira gruta, pela degradação acelerada das pinturas rupestres, encontradas por 1 cão e 4 rapazes , à boa maneira de uma aventura de Enid Blyton.


 


Temos direito a guia, em Inglês ou Francês. Mas como as visitas fecham à hora de almoço (tal como a pequena loja-museu que fica junto à entrada), das 12 às 14 horas, podemos sempre escolher a língua que melhor nos conforta o estômago.


 


É impressionante perceber que há cerca de 17.000 anos tenha havido membros da espécie homo sapiens sapiens capazes de pintar na pedra com aquele detalhe, aquele sentido das proporções, aquele conhecimento de cores e técnicas de pintura, de fabricação de andaimes para chegar ao tecto e à parte superior da gruta, de iluminação para poderem espantar a escuridão.


 


Apenas animais e uma única tentativa de pintura humana.


 


Deslumbrante.


 



(Gruta de Lascaux - unicórnio)

25 setembro 2008

Périgueux

No restaurante Hercule Poireau, com uma entrada de oefs cocottes, que se transformou numa sopa de creme com ovo e presunto, acompanhada de um vinho tinto muito bom, depois de uma noite com ameaças de pedreiras renais a rolarem pelas encostas ureterais, foi uma entrada de estadão nas microférias, para curar de uma sobredosagem de novas classificações e descobertas electrizantes e estratosfércas no domínio dos linfomas, da citogenétca, dos doubles hits, do CISH, enfim, de gente iluminada que se farta de trabalhar para melhorar a saúde do comum dos mortais.


 


Périgueux é uma vila medieval lindíssima. Amanhã espera-nos mais canard, magret, foi gras, paté  e confit de canard, múltiplas variedades da charcuterie périgourdine, ou deveria mesmo dizer perigordina.


 


Sim porque ontem o jantar foi magret acompanhado de jazz, num restaurante que se chama... Canard-Jazz.


 



(pintura de Liza Hirst: Pérgueux)

20 setembro 2008

Nos próximos dias...


 


Estarei por aqui, sorvendo ciência, muita, muita ciência, mas atenderei a várias áreas, como esta


 



 


esta


 



 


e esta


 





 


entre outras.

O Estado como tal

Tal como hoje reconhecemos todos, alguns a contragosto, o fracasso do sistema comunista, deveremos reconhecer com a mesma honestidade o fracasso do capitalismo puro e duro, das leis de mercado sem controlo e da lei do lucro pelo lucro.


 


As sociedades precisam de um cimento para que sobrevivam como sociedades e esse cimento é o contributo que todos se obrigam a dar, num esforço comum para que haja coesão e solidariedade sociais.


 


A falência deste modelo está à vista com as intervenções que a administração americana estão a empreender, salvando da falência seguradoras privadas, cujos lucros fabulosos e distribuição de dividendos pelos profetas do mercado não evitaram o colapso e a ameaça de desemprego para milhões de pessoas.


 


O estado tem o dever de intervir para evitar uma enorme desgraça, assim como tem o direito de intervir para impedir as enormes assimetrias, a especulação e a mitologia do poder do dinheiro pelo dinheiro.

Flores novas

Trarei flores novas por entre os dentes, aos pés dos leitos por onde já passei. Lençóis de dor e fé, de início ou de fim, a mesma carne com ou sem estremecimentos.


 


Tantos olhos que por mim viajam, procurando respostas e esperança. A todos fujo, mesmo sorrindo e apertando mãos, mesmo que gele as certezas, que se me escapem as pedras inevitáveis.


 


Trarei flores tenras por entre os dedos, que enterrarei na terra que me não espera. Assim vou guardando o meu lugar, junto daqueles que já não estão.


 



(pintura de Jana Bouc: cemetery day)

Colheitas


[pintura de Janet Aly: Al Mumit (Bringer of Death)]


 


E nunca mais finda este Verão

de Outonos velhos

de invernosas colheitas de almas.


 


Atrás de mim caminham fantasmas

vão-se cortando as veias

da minha infância.

14 setembro 2008

Fado Português


 


canta: Amália Rodrigues


(música de Alain Oulman; letra de José Régio)


 


O Fado nasceu um dia,

quando o vento mal bulia

e o céu o mar prolongava,

na amurada dum veleiro,

no peito dum marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.


 


Ai, que lindeza tamanha,

meu chão, meu monte, meu vale,

de folhas, flores, frutas de oiro,

vê se vês terras de Espanha,

areias de Portugal,

olhar ceguinho de choro.


 


Na boca dum marinheiro

do frágil barco veleiro,

morrendo a canção magoada,

diz o pungir dos desejos

do lábio a queimar de beijos

que beija o ar, e mais nada,

que beija o ar, e mais nada.


 


Mãe, adeus. Adeus, Maria.

Guarda bem no teu sentido

que aqui te faço uma jura:

que ou te levo à sacristia,

ou foi Deus que foi servido

dar-me no mar sepultura.


 


Ora eis que embora outro dia,

quando o vento nem bulia

e o céu o mar prolongava,

à proa de outro veleiro

velava outro marinheiro

que, estando triste, cantava,

que, estando triste, cantava.


 


 



canta: Dulce Pontes


(música de Alain Oulman; letra de José Régio)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...