09 agosto 2008

Guerra

E enquanto nos distraímos com os jogos olímpicos, na Geórgia e na Ossétia do Sul há guerra. Mortos, feridos, refugiados, escombros, tudo a que infelizmente nos vamos habituando.


 


O Presidente Bush fala do cimo do seu descrédito e da sua incapacidade para influenciar ou moderar seja o que for. Putin passeia-se e manda.


 


Beijing 2008

Talvez estes jogos sirvam a abertura da China aos valores da defesa dos direitos humanos, à democracia, para a abolição da pena de morte, da tortura, do desprezo pela vida, tal como os entendemos na nossa sociedade.


 


 


Talvez estes jogos sirvam para que a sociedade ocidental perceba que a China é muitíssimo mais que isso.


 


Segurança

A morte entra-nos pelos olhos. Poderiam ser os nossos irmãos, as nossas mães, os nossos filhos. A ameaçar e a ser ameaçados, carrascos ou vítimas.


 


Como lidar com a vida o drama que se desenvolve em tempo real, como ajuizar dos sentimentos de quem é próximo, já que nos sentimos todos próximos?


 


Escolher entre os assaltantes e os reféns. Não deveria ser preciso escolher, pedir, exigir que tenha que se escolher.


 


Mas é para isso que há polícia de segurança pública, para que a segurança seja assegurada. De ladrões também, mas já que teve que se escolher, ainda bem que, pelo menos foi possível salvar as vítimas.


 


E por isso se morre

 


(Pintura de Kazuya Akimoto: dying blue)


 


E por isso se morre

esquecendo uma porta

que se entreabre

desviando um olhar

que se procura

lambendo uma gota

que se oferece

mesmo quando sobram

mundos isolados de corais

mesmo quando sobram

gestos desajustados imortais.

06 agosto 2008

Desequilíbrio

A ventoinha e o computador, antagonizados e ligados, um venta e esfria os braços, outro pesa e aquece as pernas. Equilíbrio instável entre o passado e a modernidade, a era mecânica e a era digital.


 


A televisão fala à minha frente e ouvem-se abafadamente uns ruídos agressivos que se escapam pelas frestas da porta do quarto do filho.


 


Mas que mundo esquizofrénico e barulhento em que nos habituamos a viver. E todos nós, naturalmente, com os sentidos continuamente estimulados por esta cacofonia de sons e imagens, totalmente alheados e entregues ao nosso corpo, olhos no visor e dedos no teclado, queimamos células e horas.

03 agosto 2008

A única solução

Não deveremos nunca resignar-nos à única solução, por poucas que vislumbremos em alternativa. A única solução transforma-se rapidamente em solução única. É o caminho inevitável para o adormecimento da mente, a repressão da criatividade, o absoluto, o autoritarismo.


 


É muito mais fácil deixarmos que aqueles que têm uma solução a transformem na salvação suprema, é muito mais fácil acolhermos os seus gestos sábios, as suas vozes certas e seguras, o mal disfarçado desdém pela opinião.


 


Todos os dias enfrentamos a realidade da escolha, da decisão, do caos que tentamos organizar dentro de nós e das nossas vidas. Todos os dias se enfrentam aprendizes de magos na venda de milagres.


 


Não deveremos nunca abdicar dos nossos sentimentos, dos nossos raciocínios, das nossas críticas, da nossa liberdade.

Impalpável


(pintura de Kelley MacDonald: Pirate's Cove Plain Air)


 


E se as palavras me faltarem

presas nos bicos das gaivotas

nas asas da penumbra

no enleio das madrugadas


 


olha os caminhos sulcados da pele

o manso respirar dos dedos

as formas que se dobram no côncavo

do impalpável silêncio.

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...