(pintura de Elizabeth Willmon: Reason Enough)
Sobre a terra
calcamos as mãos
raízes
sorvemos a força
ser assim
castanho verde
semente água
rebentamos de vida
por fim.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
(pintura de Elizabeth Willmon: Reason Enough)
Sobre a terra
calcamos as mãos
raízes
sorvemos a força
ser assim
castanho verde
semente água
rebentamos de vida
por fim.
E de repente começamos a ouvir falar do Bloco Central, do novo Bloco Central, da inevitabilidade do Bloco Central, do sebastiânico e do salvador Bloco Central.
Mas se estivermos com atenção percebemos que quem em lançado essa ideia, esse boato, essa inevitabilidade, são militantes ou simpatizantes do PSD, como o digníssimo Prof. Marcelo.
Ou seja, o PSD está tão sedento de poder e percebe de tal forma que não consegue ganhar as eleições, que está já a fazer uma campanha de usura, demonstrando que o PS não consegue maioria e que, portanto, deve votar-se no PSD para lhe dar força para uma salvadora e indispensável, para o PSD, coligação pós eleitoral.
É claro que à esquerda do PS o fantasma do Bloco Central também serve, pelas razões simétricas.
Estamos a mais de 1 ano das eleições legislativas. Convém que o PS perceba que só lhe interessa dividir claramente as águas com o Bloco de Esquerda, com o PCP e com o PSD, demonstrar a falência/ausência de ideias à direita e à esquerda, demarcar-se da política de direita em Portugal e na Europa, afirmar-se como um partido de um governo reformador e que quer manter o estado social, renovando-o e alterando-o.
Nada pode ficar parado e à espera dos amanhãs que nunca mais cantam. Há 30 anos o mundo era diferente. O PS deve demonstrar sem medo que quer a mudança que outros não foram capazes ou não a querem fazer fazer, mantendo as bandeiras da igualdade de oportunidades, de serviço público de qualidade em que se insere a segurança, a educação e a saúde, os valores da tolerância e da integração dos imigrantes, o respeito pelos outros.
É bom que o PS acorde. O país não aguenta outra vez a hipótese de voltar para trás.
Não alinho com as vozes do costume que acham que este Ministério da Educação, mais precisamente esta Ministra, trabalha para as estatísticas e para a redução do insucesso escolar de forma desonesta, alterando todos os anos as premissas do que é o mínimo e o razoável da aprendizagem.,
Mas é muito difícil ignorar as opiniões de quem não tem quaisquer interesses políticos em desacreditar as provas nacionais que se vão fazendo.
E isto não me parece nada sério. É mesmo a pior maneira de melhorar as estatísticas, porque assenta no pressuposto de que os cidadãos são indigentes mentais.
(pintura de Rachel Baum: Scarlet Moon 2)
Entre a lua que descansa e assombra
o sol que abrasa e cega
não há médias luzes
nem banhos de espuma
que nos afrontem.
Esperamos a paz impossível
de batalhas inconsequentes
da penitência que une armas
e almas
tão desiguais.
O resultado do referendo ao Tratado de Lisboa tem sido muito comentado por várias pessoas, entre as quais Luís Naves, do Corta-fitas, que sempre se debruçou seriamente sobre a construção da nova Europa.
Do seu último post sobre o assunto, tenho a comentar que:
O argumento do número de habitantes em vez do número de países, para se avaliar da democraticidade e dos equilíbrios de poder, esquece que a União Europeia não é um país nem um Estado soberano. Ou seja, são os Estados independentes que devem ser colocados em pé de igualdade e não a soma dos habitantes de cada país.
Mais uma vez o critério da maioria populacional. Por outro lado as decisões por maioria qualificada de número de Estados, com tão grande número de Estados, pode ser facilitdora.
A desconfiança existe e tem razão de ser. Em primeiro lugar é tão democrática a ratificação no Parlamento como em referendo. O que já não é democrático é a não realização de referendo pelo receio da rejeição, já não falando na quebra de promessas eleitorais. Não houve qualquer cuidado em tentar fazer campanha a favor da bondade deste tratado, mas houve todas as cautelas para evitar os referendos. Isso é que me parece pouco democraático.
E será que os cidadãos europeus querem ou sentem necessidade de ter uma Europa diferente? Já alguém se deu ao trabalho de os convencer que o aprofundamento político é melhor que a manutenção de uma gigantesca zona de comércio?
(...) Na minha opinião, esta é a discussão que interessa ter. Que Europa queremos. (...)
Concordo totalmente. Mas essa é a discussão que nenhum patido político quer ter. E é isso que faz com que as opiniões públicas desconfiem destes tratados.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...