01 maio 2008

Feriado

Hoje, 1º de Maio, dia do trabalhador, quase todas as lojas estavam abertas no meu bairro. Supermercados e cafés albergavam alguns trabalhadores que, como eu, comemoravam o seu descanso.


 



(1º de Maio de 1974)

Cheque dentista

(...) Grávidas e idosos pobres recebem até 120 euros:
Durante este ano, serão apenas as cerca de 65 mil mulheres grávidas seguidas nos centros de saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário (mais de 90 mil) a ter direito a cheques-dentistas. As grávidas receberão três cheques no valor de 40 euros cada e podem concluir os tratamentos até 60 dias após o parto. Já os idosos, que terão de pedir ao Instituto de Segurança Social um comprovativo da situação de beneficiário do complemento solidário, podem ter dois cheques por ano, num total de 80 euros. Os montantes dão apenas para procedimentos básicos, como tratamentos de cáries e de gengivites e extracções simples. (...)
- Público, 01/05/2008, pág. 10



 


Vou a um consultório de dentista no meu bairro. Por cada consulta pago entre 60 a 70 euros. Como as grávidas têm direito a um máximo de 3 cheques de 40 euros, podem tratar, na melhor das hipóteses, 2 dentes. Se tiverem mais do que 2 para tratar, enquanto estão grávidas porque depois deixam de ter cheques em qualquer quantidade, como fazem? Escolhem quais os dentes que querem tratar? Tratam um bocadinho de cada um? Há dentistas para grávidas pobres e dentistas para grávidas ricas?

30 abril 2008

Sobressalto contínuo

Não percebo muito bem se há algum objectivo maquiavélico escondido que faça com que as notícias sejam dadas da forma mais alarmista possível, que seja sempre o pior cenário a considerar, transformando-se rapidamente de previsível a certo.


 


Da insegurança com o carjacking , o assalto às lojas, o crime organizado e, ultimamente, o assalto às esquadras, do aumento contínuo do preço do petróleo, do preço dos cereais, dos alimentos e da fome que há-de vir, da crise mundial, do biocombustível e do aquecimento global, somos metralhados constantemente por frases feitas que nos levam a viver em permanente sobressalto.


 


Até o Presidente da República, ao escolher o tema da ignorância da juventude, embora não tenha mentido por acção mentiu por omissão, dando a entender um valor relativo do que foi estudado quando apenas falou do valor absoluto.


 


O problema é que acabamos por não dar atenção nem valor a nada, mesmo ao que, verdadeiramente, é importante e avassalador.

Cinema

De cada vez que vou ao cinema espanto-me por o fazer tão poucas vezes. Adoro ir ao cinema.


 



 


Caramel (Sukkar banat - 2007), de Nadine Labaki, é um excelente filme, que nos enche de ternura. Uma história de todos os dias, de mulheres, do amor, da solidão, do carinho, da irmandade e companheirismo, da difícil mudança de mentalidades, do que se altera e do que permanece.


 


O Amor e a vida real (Dan in Real Life - 2007), de Peter Hedges, é um filme leve e bem disposto, realista e sonhador, com rugas de envelhecimento e má educação adolescente quanto baste.


 



 


De cada vez que vou ao cinema prometo a mim mesma passar a fazê-lo todas as semanas.

27 abril 2008

Imagens de marca (2)

Por falar em estados de humor, caras e papéis dramáticos ou cómicos, aqui está um senhor cheio de vontade de ser Primeiro-Ministro do Continente (e da Madeira e dos Açores, presumo).


 


Imagens de marca (1)


 


É difícil confiar em alguém que tão artificialmente tenha tão extremados estados de humor.

26 abril 2008

O estado a que isto chegou


 


Gosto muito do Zeca Afonso, do José Mário Branco, do Sérgio Godinho. Gosto de Ary dos Santos, de Manuel Alegre, de Sophia de Mello Breyner . Está-nos no sangue e na alma sentirmos emoção e alegria ao evocarmos o 25 de Abril, ao relembrarmos as canções, as manifestações, os quadros de Vieira da Silva – a poesia está na rua – as palavras de ordem, a certeza da realização do impossível. Vivemos a solidariedade, o companheirismo, o “nosso”, o “nunca mais”, a “liberdade”, o “venceremos”, o “juntos”. Vivemos Vasco Gonçalves e Melo Antunes, Álvaro Cunhal e Mário Soares, os Capitães de Abril e Spínola, o PREC , Pinheiro de Azevedo, Ramalho Eanes, o 25 de Novembro, tudo, intensamente.

Passaram 34 anos. Estou 34 anos mais gorda, tenho mais 34 anos de cabelos brancos, ouvi mais 34 anos de canções excelentes, li mais 34 anos de poemas que me formam, vivi mais 34 anos de sonhos, de paixões, de desilusões, de filhos, de vidas, de mortes, de amigos, de traições, de eleições, de manifestações, de computadores, de notícias, de tudo.

Hoje, 34 anos depois do dia 25 de Abril de 1974, embora seja nossa obrigação mostrarmos e ensinarmos às gerações que já nasceram durante este 34 anos o que foi, o que era, o que passou a ser, tal como é nossa obrigação mantermos a ligação com os nossos pais, avós, histórias, passado, daquele que nos orgulhamos e daquele de que nos envergonhamos, não podemos pedir-lhes que sintam o mesmo que nós. Não podemos pedir-lhes que ouçam religiosamente as canções de Abril, que se foram transformando em rituais, ou assistir entusiasmados ao filme Capitães de Abril, que é mau, que não é credível, que não tem ritmo, que mostra criadas e soldados intelectuais de esquerda, ou que assistam aos discursos na Assembleia da República, mais velhos e ultrapassados que os que se ouvem a 5 de Outubro.

A juventude é ignorante em história, em política, em Matemática, em Português, mas sabe muito mais que nós algum dia saberemos de coisas que nem imaginamos que existem. A actuação política dos nossos representantes políticos, as suas mentiras, o seu alheamento da realidade, a nossa falta de interesse na leitura, na conversa, no pensar por nós próprios, no esforço de participar são algumas das explicações para o desinteresse dos nossos filhos pela causa pública.

Não é num dia por ano que lhes vamos ensinar o que não vivemos todos os dias. Não é um Presidente da República que hipoteca a dignidade do seu cargo numa visita protocolar à Madeira, não é um Primeiro-Ministro que não cumpre os compromissos eleitorais, nomeadamente no que diz respeito ao Tratado de Lisboa, não é uma oposição de direita que se digladia e se faz representar por personagens como Alberto João Jardim, Santana Lopes, Luís Filipe Menezes ou Paulo Portas, ou uma oposição de esquerda arcaica, demagógica e anacrónica cujos porta-vozes são Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, não são sindicalistas militantes desde há 34 anos que defendem o mesmo que defendiam em 1975 que lhes dão exemplos de participação cívica.

A cidadania constrói-se todos os dias e dentro das nossas casas, para fazer parte da nossa vida, não em liturgias e avaliações cíclicas e anuais do estado a que isto chegou.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...