12 abril 2008

Registos (1)


 


Ouve-se e lê-se por todo o lado que a Ministra da Educação recuou até ao Inferno e que Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical, subiu aos céus.

Pelos vistos interessa acentuar as cedências totais do governo, sejam ou não reais. Como não conheço o acordo só posso raciocinar com o que vou registando.

E o que registo é que, ao contrário do que os Sindicatos exigiam, chegando mesmo a fazer ultimatos, a avaliação do desempenho dos professores tornou-se numa realidade; que, ao contrário do que os Sindicatos proclamaram, a avaliação não foi suspensa e continua a ser implementada até ao fim de 2009, para todos os professores; que, ao contrário do que os Sindicatos esperavam, não há inconstitucionalidade nas quotas do estatuto da carreira docente.

Também registo que, ao contrário do que a Ministra planeou, há inconstitucionalidade no concurso para Professor Titular; que, ao contrário do que a Ministra resistiu, a avaliação do desempenho é uniformizada este ano, num padrão mínimo; que, ao contrário do que a Ministra se empenhou, as avaliações de insuficiente e regular podem ser repetidas, e não têm as consequências que estavam previstas, nomeadamente a não renovação dos contratos aos contratados.

O que considero mais grave no recuo da Ministra, caso seja exactamente como está noticiado, é a repetição das avaliações para quem não se saiu bem. É injusto e contraproducente. Para isso não vale a pena haver avaliações porque se transformam num mero pró-forma. De resto, ainda bem que há Tribunal Constitucional, para repor a legalidade onde ela foi atropelada.

Quanto ao Sindicato, não sei porque está tão contente. Na linha da defesa dos direitos das classes trabalhadoras e das conquistas inalienáveis do operariado, recuando de trincheira em trincheira, vão-se somando retumbantes vitórias até à derrota final.


 


Embalo

Acordei hoje com a impressão de que era semana e não fim de. Para saborear melhor o engano liguei o rádio na TSF do costume.


 


Hoje as notícias são só para embalar.

09 abril 2008

Aplicação


 


(pintura de Joel Robert Harris : I am )


 


Já repeti tantas vezes as palavras
que se gastaram as letras.

Só restam os sons
as cores breves dos sentidos
na aplicação de te inventar.

Sociedade civil


 


Fica-lhe mesmo muito bem.


 


Trabalho ou política

A demagogia relativamente ao novo emprego de Jorge Coelho é impressionante. Jorge Coelho foi ministro há 7 anos. Vale a pena ler estes dois posts de Tiago Barbosa Ribeiro, do Kontratempos.

Previsões

Em relação às previsões pessimistas do FMI para o crescimento económico em Portugal, este ano, talvez nos devêssemos recordar do pessimismo das previsões para os 2 anos anteriores. Embora não saiba de cor os números, penso que estavam erradas.

06 abril 2008

Molde


(escultura de Phillip Hay: Garden Wren)


 


Seremos os dias que quisermos
os passos a brisa a chama
seremos o molde que fizermos
flores pássaros ou lama.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...