23 março 2008

Juntos


 


Iremos descalços pelo rio
pisando devagar as pedras lisas
com passos que ecoam pelo mapa
dos sinais que queremos alcançar.

Iremos sem barcos navegar
pelo sumo pelo gosto pela mão
e juntos meu amor descobriremos
o muito que nos falta procurar.


 


(pintura de Otto Dix: lovers on a grave)

Passagens


 


Mesmo para quem não é crente há algo de misteriosamente belo nesta época. Para todos uma libertação qualquer.


 


Celebramos o recomeço, tudo ressuscita, principalmente se deixarmos que nos invada a esperança.


 


(pintura de  Jim Leach : early spring )

22 março 2008

That ole devil called love


 


Its that ole devil called love game
Gets behind me and keeps giving me that shock again
Put a ring in my eyes
Tears in my dreams
And rocks in my heart

Its that sly ole-sun-of-a-gun again
He keeps telling me that Im the lucky one again
But I still have that ring
Still have those tears
And those rocks in my heart

Suppose I didnt stay and ran away
Wouldnt play
That devil-what a potion he would brew
Hed follow me around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do

Might as well give up the fight again
I know darn well hell convince me
That hes right again
When he sings that siren song
I just gotta tag along
With that ole devil called love

Hed follow around
Build me up, tear me down
Till Id be so bewildered
I wouldnt know what to do


(autores: Allan Roberts  e Doris Fisher; canta  Billie Holiday)

21 março 2008

O poema


 


O poema vai e vem. E se demora


não quer dizer que seja demorado


mas que tem como tudo a sua hora


e como tudo é sempre inesperado.


 


Por muito que se espere não se espera.


Por mais que se construa é acaso e sorte.


Às vezes quando vem já foi ou era.


Porque assim é a vida. E assim a morte.


 


Por isso mesmo quando distraído


ninguém como o poeta é tão atento.


Ele sabe que de súbito há um sentido.


Vem como o vento. E passa como o vento.


 


(poema de Manuel Alegre - Doze Naus)

20 março 2008

Obtusidades

Ao contrário do que Pacheco Pereira afirmou na Quadratura do Círculo, houve manipulação da informação no prelúdio da invasão do Iraque. Scott Ritter e Hans Blix - ambos chefes dos inspectores nomeados pela ONU para a pesquisa de armas de destruição maciça no Iraque, não estavam certos da sua existência.


 


Em Portugal poucos foram os que, na altura, se ergueram contra a guerra. Mário Soares e Freitas do Amaral foram dos únicos que sempre a condenaram.


 


Mas depois de 5 anos continuar a dizer -se que havia razões para a invasão e que não havia provas objectivas da existência de mentiras da parte da administração Bush, parece-me obtusidade a mais.


 


Adenda: Hans Blix neste artigo diz tudo infinitamente melhor do que eu (tirado daqui).

Escolas

O vídeo que tem passado no YouTube e que já foi retirado, mostra uma situação absolutamente inqualificável. Desde a agressão da aluna à professora, à assistência alarve do resto dos colegas, aos risos, à filmagem da cena, tudo é deprimente e chocante.

Mas mais extraordinário é que ainda há pessoas que conseguem ver neste vídeo (...) uma aluna mal educada. Uma adolescente incrivelmente insolente (...) a professora (...) sem preparação para cumprir as suas funções. (...) É por não estar à altura das suas funções (...) O que temos aqui é um caso exemplar de falta de vocação. (...).

E consegue, a propósito do vídeo, dizer ainda esta frase lapidar: A falta de respeito pelos professores começa nos pais e acaba na ministra.

Ou seja, para Daniel de Oliveira o comportamento destes adolescentes insolentes, que estão a testar a autoridade, é perfeitamente compreensível, pois estão frente a uma professora que não serve.

Pois eu acho que tipo de desculpabilização do que não é desculpável é um dos grandes responsáveis do incrível egocentrismo, crueldade e desumanidade de muitas das nossas crianças e adolescentes.

Virar à esquerda (2)

Declaração de interesses: trabalho no Hospital Fernando Fonseca desde Julho de 2007.


 


Fui, desde o início, bastante céptica, para não dizer totalmente céptica, quanto a este tipo de parcerias entre público e privado. Não me parece que a gestão pública esteja condenada a ser má nem que a gestão privada esteja condenada a ser boa. No entanto sempre fui defensora de um SNS público, universal e gratuito, vendo com desagrado a mistura entre estes dois mundos  que, na minha óptica, devem ser complementares e concorrenciais, cada um na sua esfera.


 


No entanto a experiência recente ensinou-me que a realidade ultrapassa, de facto, a ficção. A relação entre os órgãos de gestão do Hospital Fernando Fonseca e os seus profissionais é de respeito mútuo, entre pessoas que se responsabilizam e que se empenham no seu trabalho. Há projectos que se discutem e aprovam e que são para cumprir, assumem-se as pesadas tarefas assistenciais com sentido de verdadeiro serviço público e avaliam-se os resultados e os desempenhos de todos.


 


Não há motivo para que a gestão pública seja diferente. Mas na minha reduzida possibilidade de comparação é diferente, e não para melhor.


 


Por isso, volto à questão do meu post anterior: quais as razões que levaram Sócrates a mudar radicalmente de política de saúde, neste particular aspecto? Como estão os indicadores de produção, de desempenho, de qualidade de atendimento do Hospital Fernando Fonseca? Como estão as contas do Hospital Fernando Fonseca? Porquê só ao fim de 3 anos de governo esta conclusão?


 


Infelizmente, esta viragem afigura-se mais como uma tentativa atabalhoada de responder à contestação da ala esquerda do PS e ao BE, do que uma escolha política e ideológica ditada pelo acautelar dos bens públicos e pelo bem-estar dos cidadãos.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...