08 março 2008

Beco sem saída

Não há dúvidas sobre a dimensão da marcha da indignação.

Foi verdadeiramente uma manifestação da classe média contra o governo, o desemprego, a redução do poder de compra e a crise que nunca mais acaba, a reboque do protesto de uma corporação que não quer mudar o que é obrigatório que mude.

Quando o governo tomou posse todos avisaram que viriam aí inúmeros e enormes sacrifícios para os portugueses, que estes anos teriam que ser os anos das verdadeiras reformas, doesse a quem doesse, pois o país estava adiado há muitos anos.

Depois foi-se desagregando a oposição política, à esquerda e à direita, pela ausência de alternativas credíveis às odiadas e duras políticas governamentais. Cresceram os protestos dos vários grupos profissionais, principalmente daqueles que se mantém inamovíveis há mais tempo.

A ausência de alternativa político-partidária fez agruparem-se interesses de vários tipos, nomeadamente económicos, protagonizados e ampliados por alguns órgãos de informação, como o Público. Sócrates e o seu estilo secam o debate dentro do PS e o mal-estar instala-se, aproximando-se as eleições e começando a grassar o medo, dentro do aparelho, de uma derrota nas urnas.

Sócrates colocou-se num beco sem saída ao demitir Correia de Campos. Repentinamente, aquele que se autoproclamava o reformador, contra os interesses que identificou no seu discurso de posse, caiu pela base. A política de saúde antes existia agora está em ponto morto.

Se Sócrates demitir a Ministra o governo acabou como tal, pois frustra-se e desautoriza-se a si próprio. Para além disso, daqui para a frente não haverá ninguém com alguma vontade política para actuar que aeite assumir pastas como esta.

Se Sócrates não demite a Ministra, vai ter que aguentar a multiplicação e a ampliação dos descontentamentos vários, com as várias caixas de ressonância de todos os partidos políticos, que aproveitam estas ondas pois eles próprios não têm qualquer capacidade para gerar alternativas, por um longo período já em fase de campanha.

Este governo foi eleito por uma maioria absoluta, para cumprir um programa de 4 anos, para mudar, reformar, inverter o sentimento de inevitabilidade da mediocridade. Espero que cumpra esse mandato.

Transferências (2)

Rebate falso.

A coisa é demasiado complicada. É melhor ficar onde estou.

Não são permitidos gozos, pelo menos públicos! As mihas tentativas blogosféricas de domínios e transferências de plataformas são a prova de que não se deve fazer o que não se sabe.

Transferências (1)

Ainda não sei bem o que vou fazer, mas estou a tranferir-me para

http://defenderoquadrado.blogs.sapo.pt/

Espero que tudo corra bem!

Fala comigo

Posso ler nos teus olhos
o desejo o abandono, posso
até reconhecer as mãos que me cercam
acariciam, agridem, essas mãos de mar.

Fala comigo, meu amor,
diz-me das luas e dos medos
do sentido das bocas unidas
das horas de pele
do que sou por te querer.



(Hable con Ella, Pedro Almodover)

Direito à indignação

O direito à indignação é um direito individual e colectivo, consagrado nas sociedades democráticas, que celebra a liberdade de expressão de pensamento.

Nesse sentido reconheço o direito à indignação de todas as pessoas que discordem deste governo, ou doutros, de se manifestarem, gritarem palavras de ordem, pedirem demissões e mudanças de políticas, ameaçarem com novas formas de luta, etc.

Todos os responsáveis políticos sabem que devem enfrentar com verdadeiro espírito democrático todos estes confrontos, pois o controlo da acção governativa, efectuado pelo Presidente, pelo Parlamento, pelos jornais, pelas televisões, pelas rádios, pelos Sindicatos e pelas associações de cidadãos, ou por cidadãos individuais é essencial à sobrevivência da democracia.

Mas o direito à indignação não acaba quando se é detentor de um qualquer cargo de responsabilidade no governo. E o facto de quem é ministro, ou de quem se manifesta e defende as políticas de um governo democraticamente eleito, ter que ouvir com sorrisos rasgados insultos, assobios, vaias e gritos de vai-te embora, de cada vez que assoma à rua, não me parece que seja um exercício de democracia, mas sim um exercício de má educação e falta de civismo, manobras de arruaceiros e de agitadores profissionais.

Foi descabido o puxar dos galões de combatente pela liberdade feito por Augusto Santos Silva, pois a liberdade constrói-se todos os dias. Mas se a um qualquer desses manifestantes lhe fizessem o mesmo, ou lhe chamassem grande puta, como alguns se gabam de já o ter feito à ministra da educação, não teriam o direito de se sentir indignados? Ou será que vem com o cargo - perder o direito a indignar-se?

Dias mundiais

Sou pela igualdade respeitando as diferenças entre géneros, raças, gerações, culturas, religiões.

Para isso é necessário que as tarefas sejam distribuídas de forma igual e proporcional, as responsabilidades partilhadas, os direitos e os deveres assumidos da mesma forma, quer pensemos em filhos, profissão, manutenção doméstica, apoio aos mais velhos, atenção e respeito.

Os dias nacionais mundiais ou intergalácticos pouco acrescentam. Eu quero ser tratada com a dignidade que se deve a qualquer pessoa, homem ou mulher, branco, negro, amarelo ou azul às riscas, genial ou mediano, saudável ou doente, cristão, budista, muçulmano, ateu ou agnóstico, rico ou pobre.

Quero ter acesso aos mesmos cuidados de saúde, às mesmas oportunidades de aprendizagem e formação, às mesmas oportunidades de emprego e salariais, às mesmas reuniões de amigos ou profissionais, às mesmas noites a cuidar dos filhos, aos mesmos almoços familiares, às mesmas visitas a lares, a tudo, da mesma forma e com as devidas adaptações a cada um pela sua identidade única e inigualável.

(pintura de Pierre Merckl: situation sketche 6)

Terrorismo mata

O terrorismo tem tempos diferentes, mas resultados comuns: mata. Umas vezes depressa, outras devagar.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...