02 março 2008

Lar, doce lar (1)

Para variar, hoje vou dar uma de dona de casa, esposa e mãe, preparando carinhosamente o jantar.

Já experimentei a receita, generosamente partilhada por uma colega muitíssimo mais prendada do que eu, de que gostei muito. Para dizer com franqueza, não percebi se os ruídos de aprovação dos comensais foram sinceros, ou se pretendiam ser apenas encorajadores, com um ar de this is a nightmare!

Bom, vou arriscar-me outra vez, para tirar a prova dos nove. É daquelas receitas muitíssimo fáceis de fazer, porque por muito que esteja virada para a profissão doméstica, isto é sol de pouca dura.

Então: vai-se ao talho e pede-se entrecosto, um bom bocado porque tem muito osso, cortado grosseiramente em pedaços jeitosos. Depois colocam-se num tabuleiro de ir ao forno, temperam-se generosamente com sal e regam-se com uma mistura de uma boa quantidade de sumo de laranja com mel (cada laranja grande tem direito a uma colher de sobremesa bem fornecida de mel). Para 1500 g de carne, sumo de 3 laranjas grandes e 3 colheres de mel. Hoje vou experimentar polvilhar de salsa fresca, para ver o que dá. Depois põe-se a assar no forno, em forno médio e vai-se espreitando para ver se está pronto.

Pode acompanhar-se com tudo: arroz, batata cozida, batata frita, puré de batata, de castanha, de maçã, pão e saladas à discrição.

Eu gostei muito. Experimentem. Vamos ver a cara do pessoal cá de casa, hoje.

01 março 2008

Bloggerdeldia

Agradeço ao JRD a referência a este blogue, que retribuo.

Seguindo a ideia, aqui vão apenas 5 dos muitos blogues que visito diariamente, que são mesmo muitos, mas só posso “nomear” 5:

Da Desonra

Ana Benavente ataca a Ministra da Educação apelando à sua demissão, pois pensa que Maria de Lurdes Rodrigues não honra o PS.

Os resultados do sistema e da política educativa das últimas décadas, entre as quais se conta Ana Benavente entre as responsáveis, estão à vista de todos e aparecem nos relatórios internacionais como se pode ver aqui.

Isso é que não honra o país. Nem os invertebrados que estão à frente de algumas escolas e que usam instrumentos de avaliação para fazerem censura política.

A Escola pública precisa de professores competentes que saibam avaliar e que sejam avaliados pelos resultados do seu trabalho. A Escola pública não pode ter alunos desocupados durante os tempos lectivos devido às faltas dos professores. A Escola pública permite reduzir a desigualdade entre os cidadãos se e só se for uma escola de excelência.

O desempenho dos professores, assim como dos médicos, advogados, gestores, administradores, governantes, de quaisquer trabalhadores, é a única forma de fazer a apologia do mérito. Todas as avaliações têm insuficiências. Mas mais insuficiente é não haver qualquer avaliação.

José Sócrates cedeu com o Ministro Correia de Campos. Convinha a quem tanto clamou contra o fecho e a reorganização do fecho das urgências, que comparasse o mapa de serviços de urgência anterior com o recente, já publicado.

É claro que já se pede a demissão da Ministra da Educação. Se a Ministra também for remodelada, acaba-se de todo a réstia de esperança que animou os mais ingénuos, como eu: que, com este governo, era possível fazer a diferença.

28 fevereiro 2008

Memória

Lento segredo
que me sopra o vento
enquanto passeio pela casa
e visito a memória
das asas que guardei.

(fotografia de Susanna Frohman: wings)

Do circo

As piruetas que algumas pessoas são capazes de dar deveria catapultá-las para o circo.

E, convenhamos, Luís Filipe Menezes tem sido dos melhores artistas. Ontem estava ao lado do representante da FENPROF, na justa luta dos trabalhadores da educação, hoje alinha pela exclusividade de funções dos médicos.

Eu sempre defendi isso, exclusividade para quem trabalha no sector público e exclusividade para quem trabalha no sector privado. E já fui acusada de perigosa comunista por esse mesmo motivo. Mas da boca de Luís Filipe Menezes nunca tal tinha ouvido.

Espantados devem estar Correia de Campos e Pedro Nunes.

Palavras para quê?

27 fevereiro 2008

Suspeições

Fui acompanhando a suspeita levantada por FAL, do Corta-Fitas, e alimentada por outros, de que o blogue Câmara Corporativa seria de um grupo de pessoas que se nomeavam Miguel Abrantes, que esse grupo seria pago pelos nossos impostos com o objectivo de defender o governo.

Em primeiro lugar, os assessores do governo têm tanto direito a ter blogues, individuais ou colectivos, com pseudónimos ou não, como FAL, eu, ou o grupo do Corta-Fitas. Em segundo lugar, parece que, afinal, até há pessoas que conhecem Miguel Abrantes e que afiançam que ele não é assessor do governo.

E, no entanto, assunto tão quente, polémico e ensurdecedor, emudeceu repentinamente. Será que o FAL e o CAA já se esclareceram? E não quererão, tão publicamente com acusaram, pedir desculpa?

Ou será que não se pode concordar com o governo?

Variedades

Tenho andado um pouco afastada das lides bloguísticas, televisivas, debatentes, todas as lides que não sejam trabalhar.

Mesmo assim, como acordo com a TSF a berrar o furo jornalístico do dia, vou percebendo que a vida continua e o mundo gira, para lá das paredes que me rodeiam.

Assim, independentemente da jurisprudência, gostava de perceber a lógica de fazer pagar como horas extraordinárias as aulas de substituição, ou seja, ocupação das crianças e jovens adolescentes na escola, dentro da sala de aulas, com actividades lectivas, quando um professor falta, o que devia ser, mas todos sabemos que não é, uma excepção, por professores dentro do seu horário de trabalho. Escapa-me.

E mais gostaria de saber o que os professores, aqueles que são bons professores, que se esforçam por ensinar em turmas que não têm alunos escolhidos, aqueles que não são os mais velhos e portanto que ficam com os horários piores, com os alunos repetentíssimos, aqueles professores que são exigentes, que se esfolam por ensinar, o que é que estes professores sentem quando alguns dos representantes sindicais rebentam de satisfação por haver uma suspensão judicial do processo de avaliação do desempenho.

Porque as reformas são indispensáveis, mas não são estas, são outras, as avaliações são muito importantes, mas não estas, outras seguramente muito melhores, o estatuto da carreira docente, sim senhor, mas este não serve, outro é que devia ser.

Também me passou de raspão aquele que a TSF considerou ser um dia histórico: o dia da substituição de Fidel Castro, oh grande surpresa, pelo seu irmão Raul Castro, há 40 anos ministro da defesa de Cuba. Mais uma vez, fez-se história da banalidade informativa.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...