09 fevereiro 2008

Dos Socialistas

  • socialismo - de social - doutrina de organização económica e social que considera que o interesse e o bem da comunidade se devem sobrepor ao interesse particular (Priberam informática)


A escolha do candidato presidencial Mário Soares, a escolha do candidato à Câmara de Lisboa António Costa, a decisão de ratificar o Tratado de Lisboa no Parlamento, esquecendo uma promessa eleitoral, são sinais de que este fragmento da Declaração de Princípios do Partido Socialista (PS) não está a ser posto em prática pela actual direcção política do PS.

Gostaria que Manuel Alegre usasse o seu capital de convicções, princípios e simpatia, para além do tão famoso milhão de votos, do qual também fiz parte, para promover uma discussão ideológica entre os seus apoiantes. Definisse o que é a atitude gestionária e quais as alternativas propostas a essa atitude. Que explicasse em que medida o socialismo democrático e que respeita os direitos do Homem, o mérito, que pugna pela justa distribuição da riqueza, que promova a verdadeira igualdade de oportunidades e o acesso à felicidade, tem lugar na nossa sociedade e no PS.

Não basta afirmamo-nos de esquerda e a favor das políticas sociais. É preciso dizer como as vamos por em prática, como as vamos sustentar, como vamos distribuir a riqueza, como vamos integrar os imigrantes de uma forma que lhes permita agir na sociedade com os mesmos direitos e deveres dos restantes cidadãos, como vamos promover o mérito e ter uma atitude contrária à gestionária.

Essa renovação de ideias, essa abertura de janelas para receber a grande ventania será muito importante se percebermos que a verdadeira oposição é o medo da mudança, a resistência a perceber que o mundo não volta para trás, é aprender com as diferenças.

Estudocracia

Por mim faziam-se estudos técnicos para decidir quais os técnicos que tecnicamente estariam em melhores condições técnicas para governar.

Relativamente aos votantes, que elegessem os técnicos responsáveis pelas nossas vidas e pela vida do nosso e estreito conhecido universo, teriam que ser escolhidos através de estudos científicos que demonstrassem quão irrazoáveis são as escolhas efectuadas.

Resolver-se-ia tecnicamente que não estão reunidas condições técnicas para a democracia.

Descanso

Depois da alma exposta
retalhada por minhas mãos
e olhares públicos
faço dela mesa manta espelho.

Depois dos milhares de passos
em direcções oblíquas
por agudas pedras marcados
faço deles espaço areia sementes.

(escultura de Reg Butler: Woman Resting)

Repito

Uso métodos
arrumados credíveis
débitos
uso moedas
perecíveis
uso gestos
comestíveis
digeríveis.

Repito.

(pintura de Oliver Whelan: Gesture Book Etching)

Renascer

Os caminhos estão rodeados de flores amarelas e rochas, o ar é quente e bravio, o sol estimula a retina e renova o espírito.

Que dia lindo, de uma Primavera precoce e tentadora.

Hoje só apetece passear vagarosamente de mãos dadas, saboreando estes pequenos intervalos de irrealidade.

04 fevereiro 2008

Prémio

O blogue Câmara Corporativa resolveu distinguir este blogue como um Blog de Elite.

Não sei se mereço tamanha honra, que desde já agradeço. Mas os blogues que a seguir nomeio merecem-na sem qualquer dúvida. São eles:

Aspirina B
Herdeiro de Aécio
hoje há conquilhas, amanhã não sabemos
Kontratempos
Ladrões de Bicicletas

03 fevereiro 2008

Re(vi)ver o passado

A TSF passa reportagens muito interessantes ao Domingo. Hoje foi sobre o regicídio: Crónica de um Regicídio Anunciado.

Tenho andado muito absorvida pela vida profissional, pelo que não tenho podido estar atenta ao que se passa. Mas não deixou de me escapar o aproveitamento político das comemorações do centenário do assassinato de D. Carlos e do Príncipe herdeiro.

Claro que foi um assassinato. Claro que o assassínio é sempre condenável. Mas não deve ser visto desenquadrado da perspectiva histórica, do contexto da época, nomeadamente do resto da Europa.

O assassinato do rei foi o início do fim da monarquia. Nem D. Carlos era tão mau como toda a propaganda anti-monárquica e republicana sempre fez crer, nem tão extraordinário com agora outro tipo de propaganda transmite. Tal como os seus assassinos, que deram a vida por uma causa, nem foram os heróis que alguns mitificaram, nem os algozes que os revivalistas nos insinuam.

A monarquia caiu, foi decapitada, para usar um termo que ouvi na reportagem. Era o entendimento de alguns, na época, a necessidade e inevitabilidade de matar “as cabeças” da monarquia e da ditadura, de forma a libertar o povo e a instaurar outro regime. Provavelmente a República também seria inevitável, mesmo não havendo extremistas que executassem a solução mais radical. Não sabemos, tudo o que dissermos é especulativo.

Mas a reabilitação do rei D. Carlos como de (...) um português que sempre procurou servir a pátria (...) não deve evitar a reflexão e reabilitação de todos os que lutaram e morreram pelos ideais e pela causa republicana, embora traídos até pela prática política, no decurso da I República.

Veremos se as comemorações do centenário da Implantação da República terão a relevância política, o protagonismo de historiadores, Assembleia da República e outras figuras institucionais, assim como o protagonismo do Chefe de Estado, pelo respeito que a história do país e que os ideais republicanos nos merecem.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...