14 janeiro 2008

Mapa


1.
Branca pedra
verde rumo
sulco vivo
onda leve.

2.
Abre sumo
peito nu
colhe mapa
bebe luz.

3.
Abre boca
lambe sal
cruza dedo
soma pele.


(pintura de Serena Bocchino: when the water rises)

13 janeiro 2008

Petições - referendar o Tratado de Lisboa

Só mais uma coisa: se o Bloco de Esquerda vai apresentar uma moção de censura ao governo pelo facto de Sócrates não promover um referendo para a ratificação do Tratado de Lisboa, que tal promoverem uma petição com recolha de assinaturas para apresentar à Assembleia da República, a favor da realização do referendo? Eu assino.

Petições - a defesa do SNS

Através do MIC tomei conhecimento de uma petição que recolhe assinaturas, em defesa do SNS. Essa petição já terá recolhido as assinaturas de António Arnault, que classifica a política de Correia de Campos de ultraliberal, de Pedro Nunes, o auto suspenso Bastonário da Ordem dos Médicos, e de Manuel Alegre, que já apelidou de grave erro político a reforma das urgências.

Embora tenha pesquisado na Internet, não tive ainda acesso ao documento, o que muito estranho, pelos vistos uma iniciativa do Bloco de Esquerda. Não percebo porque é que primeiro se avança com nomes emblemáticos e depois com o conteúdo do texto. Ou seja, até percebo, mas não gosto.

Lamento que António Arnault e Manuel Alegre dêem suporte político a esta campanha de desinformação que, isso sim, está a delapidar a confiança que os cidadãos têm no SNS.

Quais as medidas ultraliberais a que se referem?
  • À reorganização dos SU que pretende reduzir a procura desnecessária a um serviço qualificado e que pretende possibilitar o acesso a esse serviço qualificado a quem só tem acesso a serviços desadequados a situações de urgência?
  • À reorganização dos cuidados primários de saúde, de modo a assegurar que todos os cidadãos possam ser observados e consultados em tempo útil em consulta externa, preferencialmente com o seu médico de família, em vez de engrossarem as urgências hospitalares?
  • A uma reorganização dos blocos de parto que garanta a todas as mulheres e nascituros serem atendidas em espaços condignos e por profissionais com competência e experiência que lhes garantam qualidade no parto?
  • À tentativa de controlo de assiduidade e de pontualidade dos profissionais que trabalham no SNS?
  • À tentativa de reduzir os conflitos de interesse entre quem trabalha no sector público e privado?
  • Ao aumento das vagas nos cursos de Medicina?
  • Ao aumento das vagas na especialidade de Medicina Familiar?
  • À tentativa de contenção de gastos em medicamentos?
  • Ao incentivo da prescrição de genéricos?

Estou com muita curiosidade em conhecer o texto da petição. Mas as frases que vão caindo só servem para aumentar a minha reserva.

GPS

Sou uma nova mulher, aventureira e destemida. Tenho um TomTom, pequeno, fiel, discreto, o meu anjo da guarda nas estradas, que me indica o caminho e me corrige mesmo quando lhe obedeço.

Há uma nova vida que me espera, novos e arrebatados mistérios na condução.

A tentação de Santo Antão

Por mais que tente escapar-me
com meneios de felino,
de nada vale esse charme:
não tarda e quino.

A pouco e pouco conheço
o tilintar do meu sino
e o pus do abcesso:
não tarda e quino.

Abro os olhos devagar
e a mim mesmo previno
preparado para os fechar:
não tarda e quino.

Estas visões que abomino,
tudo o que acordo e alucino
dos sonos maus de menino,
tudo o que mal descortino
se torna luz e ensino
num destino contínuo:
não tarda e quino.

(poema de Pedro Tamen; pintura de Hieronymus Bosch: as tentações de Santo Antão)

Instantes

Guardo as mãos
em momentos vazios
que preenchem mundos.

Fazem falta para voar
para amassar a terra em que pousam
os instantes de luz.

(pintura de Linda Frances: Ancient and Modern Earth Cycles)

Chuva miudinha

De vez em quando, mesmo em dias tão húmidos e cinzentos que chegamos a duvidar da prodigalidade da natureza, também há notícias que nos animam.

O livro de Pedro Tamen, Analogia e Dedos, é muitíssimo bom e foi justamente distinguido com um prémio.

Na crónica de Nuno Brederode dos Santos dizem-se coisas lúcidas e justas. A entrevista que dois dos responsáveis do CTPRU (António Marques - H. Santo António; José Manuel Almeida - CHC) deram ao Público aponta exactamente os problemas e as necessidades da reforma das urgências, as posições políticas que faltam para continuar. Infelizmente não é isso que faz manchetes nem que se discute nos grandes formatos televisivos. E mais uma coisa: não conheço todos os médicos que fazem parte do CTPRU mas os que conheço não são burocratas de escritórios ou secretarias, são pessoas que trabalham e são responsáveis por serviços de urgência, que conhecem por dentro as insuficiências e distorções existentes.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...