Ouvi outro dia, a propósito da situação no BCP, dizer que este deveria informar o mercado não sei de quê. Claro que comecei logo a escrever Mercado com letra maiúscula. É um ser omnipotente, omnipresente mas não omnisciente, pois tem que ser informado.
Também ouvi, ontem, durante uma acesa discussão sobre o referendo ao Tratado de Lisboa, a necessidade e/ou a legitimidade da ratificação, o significado da não ratificação, a representatividade das estruturas cimeiras da União Europeia, que essas Instituições e a Europa têm vontade própria e capacidade de elaborar tratados e de incluir ou excluir da sua vida os povos, cujo entendimento não atinge estes intrincados assuntos.
Resta-me estender a estas misteriosas e autoritárias entidades os votos de Feliz Natal, se bem que não entendo como se casam o Mercado com as cidades de lona que vão crescendo no país mais rico do mundo, que não tem protecções sociais para os deserdados da Fortuna (mais uma entidade), onde o Mercado tem plenos e alargados poderes; ou como se ligam conceitos de Mercado, desemprego e inexistência de salário mínimo nacional, assunto muito discutido entre alguns bloguistas, que até conseguem defender que haveria sempre alguém disponível para trabalhar a troco de comida, ou de cama, mesa e roupa lavada, ou de qualquer outra protecção neofeudal.
Mas claro que isto sou eu a tresler.