10 dezembro 2007

Equidade na saúde

Num país em que se fazem grandes encontros e cimeiras vão-se esquecendo os problemas internos, ou faz-se o possível para não falar deles.

A discussão que se não faz sobre o papel do estado, sobre a escolha daquilo que o estado português deve ou não deve assegurar aos seus cidadãos, essa decisão que ninguém quer claramente assumir, esse é verdadeiramente um assunto de divisão ideológica que este governo deveria esclarecer.

Enquanto se assiste à amálgama em que se transformam os serviços públicos, cada vez mais turva e mais mole, haver hospitais que proíbem consultas a quem não pagou as taxas moderadoras, ou que apaguem ficheiros a quem tem dívidas de taxas moderadoras, é vergonhoso e merece que nos revoltemos.

Está definitivamente demonstrado que quem não tiver dinheiro para pagar as taxas moderadoras não tem direito às consultas no serviço nacional de saúde. E isso é intolerável porque divide os cidadãos em estratos dependentes do poder económico.

E não vale a pena sermos ingénuos e falsamente moralistas invocando o estatuto de caloteiros. Quem necessitar de pagar taxas moderadoras para as análises de rotina, marcadores tumorais, ECG, TAC, e consultas de especialidade, para além dos medicamentos e dos transportes até aos hospitais ou centros de saúde, principalmente se viver com baixos ordenados, fica mesmo a dever as taxas moderadoras.

Espero que o Sr. Ministro da Saúde seja veemente na condenação a esta vergonhosa visão da prestação de serviços públicos, já que célere foi pouco.

08 dezembro 2007

Se

Apesar do meu cepticismo e da ridícula pompa e circunstância da cimeira EU-África, espero que resulte alguma coisa de positivo.

É claro que os objectivos são económicos e que a Europa precisa de se expandir para África, até porque pode estar a perder a corrida com a China, como se comentava ontem no Expresso da Meia-Noite.

Mas se a reboque dos interesses económicos aumentar a visibilidade dos atropelos aos Direitos Humanos, da violência, da obscenidade da riqueza dos ditadores à custa da miséria dos cidadãos (décadas após os colonialismos e os racismos europeus), se por arrastamento a opinião pública se revoltar, se a abertura das sociedades civis à informação e a influência das democracias europeias melhorar as condições de vida dos povos, aumentando a exigência perante os seus torcionários, esta cimeira já terá valido a pena.

Contos sem história

Estamos tão preocupados e em fazer e ficar na História, como se alguém soubesse de antemão os factos que a marcam e mudam, que participamos nesta história em que há maus muito maus que vêm passear o seu mal, sem pedir desculpa, e há bons pouco bons que pedem desculpa por parecerem bons, e esticam os bons sentimentos de forma a conterem os imensos barris de maus sentimentos.

E que interessa isso para a História?

07 dezembro 2007

Boas práticas

Que o estado se preocupe em sensibilizar as famílias para uma alimentação saudável, para os perigos de uma vida sedentária, não faz mais que a sua obrigação.

Mas querer um código de boas práticas para as empresas que organizam festas infantis, para evitar e prevenir a obesidade infantil é assustador.

A febre da vida saudável, do homem novo, belo, limpo e esbelto continua, em rumo a uma sociedade que tudo regula, tudo impede, tudo estipula. Não tarda muito os doentes que fumam não serão tratados de cancro do pulmão, ou pagarão taxas e multas moralizadoras, os obesos não serão tratados da diabetes, as cáries dentárias serão consideradas consequência de má higiene dentária e, portanto, passível de aparecerem por responsabilidade própria, não devendo o seu tratamento ser comparticipado.

Aonde nos levará este totalitarismo dos vigilantes da moral e dos bons costumes do século XXI?

05 dezembro 2007

Marca genética

Na Quadratura do Círculo discute-se a remodelação governamental.

Parece-me que Pacheco Pereira e Lobo Xavier remodelavam o governo inteiro.

Jorge Coelho não tem opinião sobre remodelações porque o chefe (Sócrates) é que manda e decide. E decide sempre bem, claro, nem seria e esperar outra coisa (de Jorge Coelho e de Sócrates).

Pacheco Pereira anda há meses a dizer que todas as estatísticas são más para o governo, anda há meses, se não há anos, a falar da insegurança social e da catástrofe prestes a acontecer ao país.

Ele ainda não percebeu que o país sempre viveu assim. É a sua marca genética. Por isso é que tem sobrevivido aos governantes que por cá têm passado.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...