11 novembro 2007

Apatia e desinteresse

A discussão do orçamento do estado para 2008 não aconteceu. Penso que a única pessoa que acreditou que se iria discutir alguma coisa foi mesmo Santana Lopes.

Foi triste, pobre e folclórico, com as frases mais bombásticas a serem repetidas até ao infinito pelas televisões, mas nem chegaram a desencadear qualquer reacção.

Apaticamente tudo foi recebido com o desinteresse do costume, até as maravilhosas novidades sobre o cheque dentista, a inclusão da vacina do colo do útero no PNV e o apoio à PMA.

Tudo cheira a pouco sério. Medidas para calarem as vozes da oposição, sem vontade, sem convicção, sem brilho.

Onde está a ideologia? É verdade que o governo lá vai apresentando resultados, mas a motivação e a esperança das pessoas não existe.

E não é Sócrates com a sua voz de comando, nem Manuel Alegre com a sua permanente crítica, às vezes balofa, nem Santana Lopes, o exemplo da vacuidade, nem ninguém.

Falta alegria à nossa vida política.

10 novembro 2007

Decalque

Na paz que nos falta
brilham mãos de lua.

Socalcos de rios sobreviventes
banham armas decalcadas
de corpos e flores.

(escultura de Paul T. Granlund: Constellation Earth)

08 novembro 2007

Cabo-Verde - Contos em viagem


Estreou hoje. Está só até 15 de Dezembro. Como todos os trabalhos do Teatro Meridional, não se deve perder.

Cadeias

  1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
  2. Abra o livro na página 161;
  3. Na referida página procurar a 5.ª frase completa;
  4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
  5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha.

E assim fui apanhada em mais uma corrente. Sem mais delongas (é uma palavra estupenda), estiquei o braço esquerdo e retirei o livro mais ao alcance; procurei a página 161 e contei concentradamente 4 parágrafos. Eis o quinto:

  • Estas cadernetas de poupanças preocupavam-me igualmente, mas por outras razões.

É extraordinária a estranha poética e o inescrutável (excelente palavra, também) mistério do universo. Esta é uma frase que deve estar arredada das possibilidades de muita gente, mesmo que seja uma preocupação constante.

O livro é de Magda Szabó e chama-se A Porta. Vale a pena ler.

E passo a corrente a mais 5 bloggers. São eles:

Boa sorte.

Adenda: agora reparei que já outra pessoa me tinha acorrentado. O meu obrigada pelos elos tecidos.

07 novembro 2007

OE 2008

Estou convencida que vamos ouvir, pelas bocas dos mesmos que criticavam o governo pelo eleitoralismo que se notava, quando sugeria que, dentro de pouco tempo, poderia reduzir os impostos, que o governo está a asfixiar a economia porque só vai baixar os impostos em 2010.

Não tenho ouvido os debates no parlamento e, ao contrário de Cavaco Silva, os resumos feitos pelas televisões e pelos media não chegam para me esclarecer, mas sendo a oposição chefiada por Santana Lopes e Paulo Portas, subscrevo quase na totalidade a frase de Rui Tavares (acho que não podem escapar de todo):
  • Santana e Portas, em separado, ainda poderiam escapar. Em bancadas contíguas no Parlamento, eles são o rosto do Governo mais inesquecivelmente delirante que este país teve desde Afonso VI.

Adenda: afinal Teixeira dos Santos não disse que só baixava os impostos em 2010, nem disse se os baixava antes. O que ele disse é que a prioridade é baixar o défice e que nada fará que faça perigar esse objectivo. Eu ouvi. De facto os resumos feitos pelos media são um pouco falaciosos.

Despertador

Ouvi estremunhadamente, logo de manhã, na TSF, que o nosso Presidente terá comentado que não gostava de ouvir o debate do orçamento em directo, que preferia os resumos feitos pelos senhores jornalistas.

Acordei de imediato, tal não foi o estremecimento.

05 novembro 2007

O caminho

Há dois anos encontrei este caminho. E vou caminhando.

Tantas coisas se passaram. Comigo e com o país, como se o país fizesse parte de mim tanto como eu dele.

Vou continuar a caminhada, com todos os que me acompanham, de perto ou de longe, com passada larga ou titubeante, silenciosos ou faladores.

- O melhor é ir em frente, pensei. Ainda que ninguém possa dizer ao certo o que é a frente e o detrás. Mas talvez a frente fosse por ali. -

Ou por aqui.



(Excertos de O Caminho, de O Quadrado {e outros contos}Manuel Alegre; pintura de Adele Eagleson: Chosen Pathway)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...