16 setembro 2007

Rentrée

Estamos na rentrée. Para quase todas as actividades Setembro é um recomeço.

O PS e Sócrates estão no governo há 2 anos e meio. Falta meia legislatura.

Gostaria de ouvir o primeiro-ministro a fazer o balanço destes primeiros anos, comparando o que foi prometendo com o que foi cumprindo, área por área, atitude por atitude, ministério por ministério, com datas, números, percentagens e tudo.

Gostaria depois de ouvir a avaliação do trabalho feito, a análise do que correu bem, do que correu mal, porquê e como se vai corrigir, o que falta atingir e as estratégias para o conseguir.

Em todas as actividades há planos de actividades e relatórios de actividades.

No meio de todo o ruído de fundo, de toda a retórica partidária, gostava de ouvir o PS a debater as grandes questões nacionais, a exigir do governo que apoia, a exigir de si próprio compromisso e seriedade.

Já estamos a meio de Setembro.

Lamentos Presidenciais

O Presidente Cavaco Silva, que tanto gosta de gerir silêncios e tabus, resolve comunicar a sua opinião em ocasiões e sobre aspectos para mim totalmente incompreensíveis.

Com tanto assunto sério para debater, Cavaco Silva expressa o seu lamento pelo soco, ou tentativa de soco, que Scolari dá a um jogador sérvio.

Mas melhor melhor, foi a recomendação aos empresários de não empregarem os jovens cedo de mais… Como se não houvesse desemprego jovem que chegue.

Lamentável, de facto.

Vibrantes desafinações

Como de costume, toda a gente fala agora do rugby, mesmo que tenha sido um desporto completamente marginal e esquecido, como é o atletismo e o baskteball, com excepção das vezes em que há portugueses a ganhar, sendo promovidos a heróis nacionais, para depois caírem, novamente, num ingrato esquecimento.

Ontem, por acaso, assisti a uma reportagem sobre o jogo entre Portugal e Nova Zelândia, podendo comprovar o brilhante, emotivo, vibrante e absurdamente desafinado assassinato do hino nacional, perpetrado pelos nossos recentes heróis, e tão do agrado de bloguistas e jornalistas, que têm elevado à mais alta potência um desporto que, quanto a mim, é um ritual bárbaro reminiscente da rusticidade e bravura humanas (género masculino, do tempo em que os animais falavam).

12 setembro 2007

Inaceitável

Absolutamente inqualificável a total promiscuidade entre o estado e seus representantes e a Igreja Católica.

Era bom que o Primeiro-Ministro, em vez de se benzer numa cerimónia oficial, de abertura do ano lectivo, usasse a sua diligência para fazer cumprir as leis do país.






(fotografia da primeira página do Público)

Autonomia política

É claro que Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, prémio Nobel da paz em 1989, não é apenas um simples monge budista. É um líder político e religioso, que luta pela libertação política do Tibete.

Como prémio Nobel da paz e como um lutador e incansável defensor dos direitos humanos, merecia ser oficialmente recebido pelo Presidente da República. Também Ramos Horta fazia périplos políticos, para colher apoios para a causa da independência de Timor.

11 setembro 2007

Esperemos

Hay otros días que no han llegado aún,
que están haciéndose
como el pan o las sillas o el producto
de las farmacias o de los talleres:
hay fábricas de días que vendrán:
existen artesanos del alma
que levantan y pesan y preparan
ciertos días amargos o preciosos
que de repente llegan a la puerta
para premiarnos con una naranja
o para asesinarnos de inmediato.

(poema de Pablo Neruda; fotografia do golpe militar, Santiago do Chile - Setembro, 11, 1973)

Setembro, 11, 2001

Há algumas datas incontornáveis.

O dia 11 de Setembro de 2001 ficou gravado na memória da nossa próspera e democrática civilização como o dia em que o medo entrou no nosso quotidiano.

Desde essas fantásticas e irreais imagens de aviões a entrarem pelas torres gémeas, de uma cidade imperial de um país inexpugnável, numa orgia de destruição, que há um esforço concentrado para nos demonstrar que tudo, ou quase tudo é permitido em defesa da nossa insegurança.

Passados 6 anos de reinado deste medo, gerido e manipulado por alguns poderes, estamos mais sós e mais isolados, tremendo quando se brandem as ameaças da fé.

Mas o medo gera mais medo e terror. Se não formos firmes na defesa das nossas fragilidades perderemos até as razões que nos impelem à justa indignação e horror.


(pintura de Helga Krakolinig: nine-eleven-4)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...