Ontem, por acaso, assisti a uma reportagem sobre o jogo entre Portugal e Nova Zelândia, podendo comprovar o brilhante, emotivo, vibrante e absurdamente desafinado assassinato do hino nacional, perpetrado pelos nossos recentes heróis, e tão do agrado de bloguistas e jornalistas, que têm elevado à mais alta potência um desporto que, quanto a mim, é um ritual bárbaro reminiscente da rusticidade e bravura humanas (género masculino, do tempo em que os animais falavam).
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
16 setembro 2007
Vibrantes desafinações
Ontem, por acaso, assisti a uma reportagem sobre o jogo entre Portugal e Nova Zelândia, podendo comprovar o brilhante, emotivo, vibrante e absurdamente desafinado assassinato do hino nacional, perpetrado pelos nossos recentes heróis, e tão do agrado de bloguistas e jornalistas, que têm elevado à mais alta potência um desporto que, quanto a mim, é um ritual bárbaro reminiscente da rusticidade e bravura humanas (género masculino, do tempo em que os animais falavam).
12 setembro 2007
Inaceitável
Absolutamente inqualificável a total promiscuidade entre o estado e seus representantes e a Igreja Católica.Era bom que o Primeiro-Ministro, em vez de se benzer numa cerimónia oficial, de abertura do ano lectivo, usasse a sua diligência para fazer cumprir as leis do país.
(fotografia da primeira página do Público)
Autonomia política
É claro que Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, prémio Nobel da paz em 1989, não é apenas um simples monge budista. É um líder político e religioso, que luta pela libertação política do Tibete.Como prémio Nobel da paz e como um lutador e incansável defensor dos direitos humanos, merecia ser oficialmente recebido pelo Presidente da República. Também Ramos Horta fazia périplos políticos, para colher apoios para a causa da independência de Timor.
11 setembro 2007
Esperemos
Hay otros días que no han llegado aún,que están haciéndose
como el pan o las sillas o el producto
de las farmacias o de los talleres:
hay fábricas de días que vendrán:
existen artesanos del alma
que levantan y pesan y preparan
ciertos días amargos o preciosos
que de repente llegan a la puerta
para premiarnos con una naranja
o para asesinarnos de inmediato.
(poema de Pablo Neruda; fotografia do golpe militar, Santiago do Chile - Setembro, 11, 1973)
Setembro, 11, 2001
Há algumas datas incontornáveis.O dia 11 de Setembro de 2001 ficou gravado na memória da nossa próspera e democrática civilização como o dia em que o medo entrou no nosso quotidiano.
Desde essas fantásticas e irreais imagens de aviões a entrarem pelas torres gémeas, de uma cidade imperial de um país inexpugnável, numa orgia de destruição, que há um esforço concentrado para nos demonstrar que tudo, ou quase tudo é permitido em defesa da nossa insegurança.
Passados 6 anos de reinado deste medo, gerido e manipulado por alguns poderes, estamos mais sós e mais isolados, tremendo quando se brandem as ameaças da fé.
Mas o medo gera mais medo e terror. Se não formos firmes na defesa das nossas fragilidades perderemos até as razões que nos impelem à justa indignação e horror.
(pintura de Helga Krakolinig: nine-eleven-4)
10 setembro 2007
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(poema de António Gedeão – 10 de Setembro de 1959)
08 setembro 2007
Oposição (2)
Alerta de Marques Mendes, candidato à liderança do PSD (em 2007):
- Sem credibilidade, ninguém ganha uma eleição. E para ganhar é essencial ganhar o respeito dos portugueses e a sua confiança nas urnas. Um líder do PSD e candidato a primeiro-ministro tem de ser um exemplo de credibilidade, tem de ser coerente, corajoso, firme. Não pode mudar de opinião como quem muda de camisa, nem ter hoje uma opinião e amanhã outra. Tem de ser um exemplo de consistência, coerência, estabilidade e credibilidade política
- Há ano e meio, nas primeiras directas, não tive qualquer adversário. Agora temos novas directas e, felizmente, já tenho um concorrente nesta disputa. A razão é esta: há um ano e meio era muito difícil, ninguém queria este lugar. Todos achavam que o engenheiro Sócrates era invencível, que o PS estava para durar longos anos no Governo. Agora, passou de invencível a derrotável
- Há milhares de portugueses que acham que o primeiro-ministro pode ser derrotado e deve ser derrotado. Por isso tenho um adversário nestas eleições. Ainda bem. Isto prova que estamos no bom caminho e que fizemos uma grande oposição
- a caminhada em direcção ao governo do país
- Portugal merece melhor
- (PSD) pode ganhar as eleições em 2009
- Prometo baixar gradualmente os impostos, começando pelo IVA, IRC e depois outros impostos
- (Sócrates) o campeão da arrogância e do aumento de impostos em Portugal
- Queremos ganhar em 2009, vamos ganhar em 2009. Portugal é uma sociedade bloqueada: o desemprego cresce, a saúde está mais cara, a educação não melhora, o poder de compra e as pensões diminuem. Isto não pode continuar. Mas não é uma fatalidade. O problema não são os portugueses. Hoje Portugal é um caso de insucesso na Europa. Se houver credibilidade, coragem, espírito reformista e políticas acertadas, Portugal pode voltar a crescer
E assim vai a nossa oposição de direita.
Adenda: Eurosondagem para a Renascença/SIC/Expresso (07/09/2007):
- PS - 45,2% (anteriormente 43,3%)
- PSD - 30,3% (anteriormente 33%)
- PCP - 9,2% (anteriormente 7,7%)
- BE - 5,5% (anteriormente 6,9%)
- CDS/PP - 5,0% (anteriormente 4,8%)
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