07 setembro 2007

Nessun Dorma

Nessun dorma! Nessun dorma!
Tu pure, o, Principessa,
nella tua fredda stanza,
guardi le stelle
che fremono d'amore
e di speranza.

Ma il mio mistero e chiuso in me,
il nome mio nessun sapra!
No, no, sulla tua bocca lo diro
quando la luce splendera!

Ed il mio bacio sciogliera il silenzio
che ti fa mia!

(Il nome suo nessun sapra!...
e noi dovrem, ahime, morir!)

Dilegua, o notte!
Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle!
All'alba vincero!
vincero, vincero!


(Puccini; Ian Pollock: Pavarotti)

06 setembro 2007

Sal

De lado como as aves
oblíquo desejo nocturno
descanso os olhos.

Sabes-me a sal.


(pintura de Nick Ashby: Night Birds)

Cadeia

Desenhamos as mãos na mesa
numa cadeia incandescente
dedos madeira
olhos
cansados da distância
do azul que somos por fora
sempre fora
desta cadeia evanescente.

(mobiliário desenhado por Kendall LeCompte: Patio Table and Chairs)

04 setembro 2007

Choque informático


Parece que a política de investimento na tecnologia, na informática, em simplexs e outras siglas semelhantes está a dar frutos.

Há coisas extraordinárias, não há?

A defesa do "Modelo Social Europeu"

(...) Ao princípio da solidariedade acresce uma concepção ética e moral do progresso sem a qual os valores fundadores da ideia europeia definham: a incessante busca da paz, a afirmação da liberdade e dos direitos humanos, o espírito de comunidade, o imperativo de equidade e de justiça social, a dignificação do trabalho e a procura de uma responsabilidade cívica mais alargada e mais libertadora. (...)

(...) Com o sucesso das políticas eminentemente redistributivas do rendimento, inspiradas na ideia do Welfare State, a Europa construiu um elevado padrão de protecção social que, apesar das muitas diferenças entre Estados, se designa geralmente por “modelo social europeu”. Mesmo com as limitações e os defeitos que lhe possam ser inerentes, a verdade é que esse modelo social integra hoje a própria identidade europeia. (...)

(...) Facilitar a participação no mercado de trabalho, responsabilizar e dignificar o contributo de cada um na produção da riqueza e do bem-estar, num processo que já se designa de inclusão activa, é a melhor protecção que pode ser dada a um cidadão contra a pobreza e a exclusão social. (...)

(...) O combate à pobreza e à exclusão é um desígnio que não se confina às fronteiras geográficas da União Europeia. A dimensão externa do princípio da solidariedade é, em primeiro lugar, reflexo dos valores humanitários que inspiram o projecto europeu. Se aos tradicionais bloqueios ao desenvolvimento dos países pobres se juntam agora os problemas decorrentes da globalização, então o combate à pobreza e ao subdesenvolvimento terá de ganhar uma expressão global. Só assim poderá ter sucesso. (...)

Excertos do discurso do Presidente Cavaco Silva no Parlamento Europeu.
(via Causa Nossa)

Há coisas extraordinárias, não há?

Cadeias bloguísticas

Respondendo ao desafio do Pedro Correia de indicar 10 livros que não mudaram a minha vida, empoleirei-me no banco e retirei 10 livros das prateleiras.

É de realçar que há livros que considerei muito bons quando os li pela primeira vez, transformando-se em intragáveis após alguns anos. O contrário também se passa, e já descobri algumas preciosidades quando venço o preconceito de não ter gostado à primeira.

Quando não gosto de um livro tenho tendência a abandoná-lo, mesmo depois de algumas semanas em pousio na mesa-de-cabeceira. E cada vez me acontece mais. Estou menos paciente e mais exigente, talvez.

E são eles:
  1. A voz melodiosa – Monserrat Roig
  2. O fio do horizonte – Antonio Tabucchi
  3. Exortação aos crocodilos – António Lobo Antunes
  4. A Rainha do sul – Arturo Pérez-Reverte
  5. Correcções – Jonathan Franzen
  6. O confessor – Daniel Silva
  7. Psicopata Americano – Bret Easton Ellis
  8. O alquimista – Paulo Coelho
  9. Dança de família – David Leavitt
  10. O pêndulo de Foucault – Umberto Eco

E para não quebrar a cadeia, vou desafiar 5 blogueiros para o mesmo:

Isto é divertido!

(pintura de Robert Gaudreau: books)

02 setembro 2007

Não posso adiar o amor para outro século

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepita e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


(poema de António Ramos Rosa; pintura de
Vincent Romaniello: gray gird)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...