28 janeiro 2007

Auschwitz, há 62 anos (2)

Tive pela primeira vez a uma noção do que poderia ter sido o Holocausto quando vi uma excelente série documental na televisão: O Mundo em Guerra (The World at War, da Thames Television, 1973). Tudo, desde a apresentação, à música de abertura, à voz de Laurence Olivier, era absolutamente arrepiante, pregando-me à cadeira, hipnotizada. Os episódios que narravam a deportação e o extermínio dos judeus, os campos de concentração e a sua libertação, eram aterradores.

A banalidade do mal, a máquina administrativa e bem oleada do Estado Alemão, o esforço daquele país na guerra, a alienação do povo, a luta pela sobrevivência, o despojamento de tudo o que significa ser humano, da dignidade, da identidade, tudo me horroriza. Do que podemos ser capazes!

Depois disso já li muita coisa sobre o Holocausto. A Escolha de Sofia, de William Styron, foi o primeiro, Sem Destino, de Imre Kertész, o último, e o que mais me impressionou. Com este livro nos apercebemos de como nos podemos adaptar ao mal absoluto e absurdo, fazendo do inenarrável o quotidiano, no sofrimento, no adormecimento das funções cerebrais superiores, como nos adaptamos a sobreviver encurralados, como a simples ideia de comer pode ocupar a totalidade da existência.

Assusta-me que a memória colectiva se vá esvaindo, permitindo haver quem ponha em causa a existência do Holocausto. É o primeiro passo para a repetição do horror. Não percebo porque não são obrigatoriamente mostrados filmes e documentários nas escolas, porque não se mostra aos nossos filhos o que a banalização do mal pode fazer.

Fui dar a estes 2 sites: Fórum de comemoração do 60º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau; museu de Aushwitz-Birkenau.

Para que ninguém esqueça, para que nunca se repita.

27 janeiro 2007

Auschwitz, há 62 anos

First they came for the Jews
and I did not speak out
because I was not a Jew.

Then they came for the Communists
and I did not speak out
because I was not a Communist.

Then they came for the trade unionists
and I did not speak out
because I was not a trade unionist.

Then they came for me
and there was no one left
to speak out for me.

(poema de Martin Niemöller)

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Alcance

Pelo que fizemos
dos dias
sem montes
sem ventos
sem qualquer átomo
de incerteza,
pelo que absorvemos
distraidamente
sem saborear
sem experimentar,
pelo que queremos
e não perdoamos,
a vida nos alcance.


(pintura de Conchita Carambano: contemplation)

26 janeiro 2007

Estrela

Legenda
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar
é entristecer
sem corrompermos
nada.

(poema de Carlos de Oliveira; pintura de Naofumi Maruyama: aurora)

Sempre diferentes, sempre iguais

Afinal o Homem já era um predador muito perigoso na idade do gelo! Segundo um artigo do National Geographics News, foram encontrados fósseis de cerca de 70 espécies diferentes de animais de grande porte, em grutas com 3 a 4 milhões de anos (descobertas em 2002), localizadas em Nullarbor Plain, Austrália.

Os cientistas chegaram à conclusão, pela análise dos ossos e dos dentes dos animais, que estes estavam muito bem adaptados ao clima e que não deveriam ter sido as alterações climáticas, como até agora se pensava, que tinham levado à extinção de muitas espécies, como o Thylacoleo (leão-marsupial), da família dos mamíferos marsupiais que habitaram a Austrália no Neogénico (de há 23 milhões a 30 mil anos), mas sim a acção do predador mais perigoso e insaciável – o Homem. Terão sido as caças desenfreadas e os incêndios provocados pelos humanos os causadores da extinção das espécies.

Podemos dizer que não evoluímos nada desde então!

(imagem de Thylacoleo e dos fósseis referidos)

25 janeiro 2007

Curtas, curtíssimas

No caso dos voos da CIA não sei muito bem que investigação é que o governo vai terminar, se nunca a começou. Agora que o PGR resolveu enviar para o DCIAP documentos que lhe foram entregues pelo jornalista Rui Costa Pinto a propósito de uma reportagem sobre esse assunto, e que o relatório da comissão do parlamento europeu sugeriu que se investigassem indícios de voos ilegais, o Ministro Luís Amado dá por terminado o incidente, fruto apenas da má vontade e sede de protagonismo de Ana Gomes! Parece-me um “timing” infeliz, para não dizer mais. Aliás tudo na reacção do governo a este assunto foi muito infeliz, para não dizer desastroso e suspeito.

O folhetim embusteiro da co-incineração soma segue e continua. Após a divulgação dos resultados dos testes de co-incineração realizados na SECIL do Outão terem demonstrado, mais uma vez, que não havia perigo para a saúde pública com a queima de resíduos perigosos, o tribunal vem parar outra vez o processo para pedir mais um estudo de impacto ambiental? O que é que se modificou no ambiente desde o outro estudo? NADA DE NADA. Como é possível continuarmos nesta demagogia que atrasa a implementação de medidas importantes para a melhoria ambiental, com argumentos totalmente falaciosos?

José Sá Fernandes deve estar bem satisfeito com a confusão instalada na Câmara de Lisboa. Em primeiro lugar porque conseguiu que se investigassem negócios muito pouco claros (que já devem existir há décadas), honra lhe seja feita. Em segundo lugar porque o BE deve ser a única formação política, talvez em conjunto com o PCP, que ficará satisfeita com novas eleições. O PS, o PSD e o CDS só têm a perder com eleições agora e devem estar a pensar numa coligação silenciosa de interesses para manter esta maioria até às próximas eleições.

24 janeiro 2007

Sim, despenalizemos

Se Matilde Sousa Franco e Maria do Rosário Carneiro estivessem verdadeiramente de acordo com a despenalização do aborto, votariam "sim" no referendo de 11 de Fevereiro, porque é precisamente essa a pergunta que é colocada: Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

Os defensores do "não", ou seja, os defensores da manutenção da lei tal como está (porque mudá-la é responder "sim") deveriam assumir sem reservas que consideram que a punição está correcta, em vez de afirmarem que é preciso distinguir o erro da pessoa que o pratica.

Mas como isso é pouco aceitável, soa mal aos ouvidos, escudam-se nesta mascarada de boas intenções, tolerância e compreensão pela mulher que erra.

Quem está verdadeiramente de acordo com a despenalização do aborto, ao contrário de Matilde Sousa Franco e Maria do Rosário Carneiro, votará "sim” no próximo referendo.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...