Convinha substituir o encenador, já que os actores têm contrato para uma longa temporada…
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
22 dezembro 2006
Parlamento
Convinha substituir o encenador, já que os actores têm contrato para uma longa temporada…
Em Cascais
Isto não são horas, mas depois do café bebido às 11 da noite, para afastar os vapores do álcool das nossas mentes, em festividades pouco consentâneas com o recolhimento desta época natalícia, vai custar a adormecer.Pois a Enoteca de Cascais é mais teca que eno. Fica perto da baía, da lindíssima baía de Cascais nesta noite límpida e gelada, como das noites quentes e vagarosas. Sobem-se umas escadas íngremes (há elevador, provavelmente mais adequado à descida…) e entra-se numa sala bastante acolhedora, com poucas mesas e uma estante cheia de garrafas de vinho. O atendimento é muito simpático.
O problema é quando se pretende escolher vinhos. Os que têm cruzinhas (muito mais de metade da lista) não há. Ou seja, o cliente escolhe um vinho, mesmo que não tenha cruzinha, e o solícito e conhecedor empregado sugere outro, pois aquele não há, devido à falta de pontualidade dos fornecedores de Dezembro. A sério, foi isso que disseram.
Provámos (comemos!) menus de degustação (não há restaurante onde agora não haja menus de degustação) o que significa que comemos muito e bem, bebemos bastante e melhor, e pagámos horrores!
Gostei... mas continuo fiel ao Chafariz do vinho, na Rua da Mãe d’Água.
19 dezembro 2006
Jornada
Ao ouvir o cd de Fernando Lopes Graça, no meu escritório de paredes brancas, sinto-me numa catedral, com o mesmo fervor que sentem os verdadeiros crentes. Há uma religiosidade, um ascetismo, uma simplicidade, um rigor monástico, uma pureza de visionários, um sentido missionário naqueles versos, naquele piano incisivo, naquelas vozes heróicas, que me faz estremecer, socialista, republicana, anti clerical que sou.A liturgia da solidariedade, do hino à esperança, da apologia a uma sociedade de homens novos, mais livres, mais fraternos, mais justos, a certeza da verdade, da vitória no combate, os versículos que comandam, os coros que seguem com entusiasmo crescente, um autêntico ritual de fé, absolutamente arrebatador e comovedor.
JORNADA
Solo
Não fiques para trás, ó companheiro,
é de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
segues os nossos corações na treva.
Coro
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.
Solo
Aqueles que se percam no caminho,
que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão a nosso lado.
Coro
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.
(poema de José Gomes Ferreira; música de Fernando Lopes Graça - Canções Heróicas, Canções Regionais Portuguesas - Coro da Acadmia de Música Fernando Gomes e Olga Prats - EMI-Valentim de Carvalho, Música, Lda, 1995)
17 dezembro 2006
Acordai
Acordai
Acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz
Acordai
Acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
Acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Poema de José Gomes Ferreira
Música de Fernando Lopes Graça
Fernando Lopes Graça nasceu a 17 de Dezembro de 1906. As suas canções heróicas ainda hoje me deixam toda arrepiada.
Passamos pelas coisas sem as ver
Boicote

Entre estas, e segundo o Público de hoje, os conselhos de administração de algumas unidades de saúde privadas (Hospitais da Cuf, Clínica de Santo António, Clínica de Todos-os-Santos, em Lisboa, Casa de Saúde da Boavista, no Porto, Clínica de São Lázaro, em Braga), têm a audácia de proclamar que não executarão IVG, mesmo que o “sim” ganhe no referendo, por questões de ordem ética e deontológica, ou seja, não cumprirão a lei.
O facto de serem unidades privadas não as coloca acima da lei. O facto de permitirem aos seus profissionais recusarem-se a executar esse tipo de procedimento, por terem objecção de consciência, é totalmente diferente de a instituição, ela própria, ser objectora de consciência.
Não há dúvida que o boicote está na ordem do dia. É pena é ser exercido por quem tem responsabilidades acrescidas, pelos médicos e pelas instituições de saúde, as primeiras que deveriam pugnar pelo cumprimento da lei. Isso sim, seria ético.
A mudez perante o indizível
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...

