Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
07 setembro 2006
Vem mesmo a propósito
Incêndios

Sempre considerei Pacheco Pereira como um indivíduo que, embora pertencente a um partido político, tinha a capacidade de olhar para o cenário político de uma forma independente e intelectualmente honesta.
Tenho que rever em baixa essa minha assumpção. Então após a “Quadratura do Círculo” de ontem, é mesmo obrigatório e urgente que o faça.
De muito se pode acusar este governo, nomeadamente do controlo mediático, da propaganda e do discurso autoritário-e-positivista, possível pela inexistência de oposição credível.
A discussão sobre os incêndios, no dito programa, foi de uma inacreditável demagogia e falta de rigor, como Pacheco Pereira sempre reclama, o rigor.
Então vamos lá ao rigor:
- Segundo o relatório de 5 de Setembro, da Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF), entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto deste ano, houve 18770 ocorrências (2897 incêndios e 15873 fogachos) o que correspondeu a 57994 ha de área total ardida. Este número corresponde a 19,31% da área ardida em 2005, 29,79% da média da área ardida entre 2001 e 2006 e 91,35% da menor área ardida (2001 – 63483 ha).
- Ao olharmos para o gráfico do índice de severidade, percebemos que 2006 foi semelhante a 2003.
É claro que é horrível a quantidade de área ardida, é claro que o governo não pode ficar satisfeito e deve tomar medidas para que acabe este flagelo sazonal. Mas não podemos deixar de reconhecer que as medidas implementadas foram importantes e tiveram resultados muitíssimo melhores que os obtidos de há 5 anos para cá! Foi uma vitória de todos os que combatem os incêndios e uma vitória política de António Costa e do governo.
O que não correu nada bem foi a prevenção, a limpeza das matas, por exemplo e, se calhar, deve ser aí que se devem concentrar os esforços e alterar atitudes e comportamentos, do estado e dos privados.
Ao não reconhecerem estes factos, Pacheco Pereira e Lobo Xavier demonstraram quão desesperada está a oposição. E bem à maneira de político chocarreiro, quando percebeu que era melhor largar o assunto incêndios, Pacheco Pereira atacou falando no MIT (importante, sem dúvida) e do passaporte electrónico!
Foi de tal maneira que até consegui concordar com Jorge Coelho!!
Reconsiderar
Não deixo de me espantar com tão espantosa redução de tempo – de 2011 para 2007 são… 4 anos!!!
Como é que numa semana se reduz o tempo para a conclusão de obras, em segurança, de 4 para 1 anos? O que é que está mal calculado, o primeiro ou o segundo prazo? E porquê?
A alucinação divina
E se Deus fosse uma alucinação, como os amigos imaginários de algumas crianças, com quem os crentes falam, a quem pedem favores, que responsabilizam pelos duros factos da vida e pela inexplicabilidade do universo?E se as religiões fossem das maiores responsáveis pelos diverso bloqueios científicos, por atrasos nos desenvolvimentos civilizacionais, nos retrocessos comportamentais, na ausência de felicidade?
“The Root of All Evil?” – A Raíz de Todos os Males? – é um documentário televisivo passado no canal 4 da televisão inglesa, em Janeiro deste ano, da autoria de Richard Dawkins, basead no seu último livro (ainda por publicar) “The God delusion”.
Numa entrevista à revista Salon (a que tive acesso através do Diário Ateísta), explica como, na sua opinião, a inexistência das religiões monoteístas poderia levar à consciência do incrível privilégio que é ter tido a sorte de nascer e de viver, como George Bush e Bin Laden são semelhantes, como a necessidade de acreditar em algo sobrenatural pode ser comparado a uma infecção viral do nosso computador (cérebro).
Muito, muitíssimo interessante.
06 setembro 2006
Pecado original
Na busca incessantede compreender
o todo, o nada, o instante,
sem vontade e sem crer
que o infindo procurar
é a essência do ser,
nascemos da sede infinita
de alcançar e saber.
(para o Torquato da Luz)
(pintura indiana tribal: árvore da vida)
De menos
O que fica por dizer
é sempre mais do que se diz.
Ninguém há-de ser feliz
se não souber
que só disse metade
do que tinha na vontade.
O que fica por fazer
é sempre mais do que se faz.
Ninguém há-de ser capaz
de se entender
se pensa que tudo fez
de vez.
O que dizemos ou fazemos
é sempre de menos.
(Torquato da Luz)
Estes Loureiros

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