01 agosto 2006

31 julho 2006

Hackers

Não sei o que se passa com o meu blogue. Estou fora e, quando "postei" o último post, deparei com um blogue totalmente diferente do meu. Modificou-se o template. Será que me está a acontecer o mesmo que ao Abrupto????

Investigarei, logo a partir de amanhã!

Este não é o meu template!

Sinto-me muito irritada!

29 julho 2006

Gaivotas



Gritos urgentes das gaivotas,
nas madrugadas
de sono e calor.


Vozes vorazes e abruptas
decapitam o silêncio.


(fotografia de Noah Grey: seagulls)

21 julho 2006

Antecipação


Fecho a porta
às persianas descidas,
ao pó que se acumula,
à caneta destapada,
à cama por fazer,
ao gelo que se derrete.

Ligo o meu motor,
foco os olhos na paisagem,
permito-me antecipar
o mar.

Risível

Depois de reler alguns dos meus posts e vários outros posts que se escrevem por aí, vem-me um cansaço enorme perante a nossa puerilidade.

Será que a figura que fazemos, brandindo argumentos, puxando razões, esgrimindo princípios, tão certeiros e comprometidos como missionários da fé, não é a figura das crianças que se tomam a sério no meio de velhos cínicos que se riem?

E tem tudo isto algum sentido, ou apenas um encolher de ombros na desesperança?

Viagem



O frio especial das manhãs de viagem,
a angústia da partida, carnal no arrepanhar
que vai do coração à pele,
que chora virtualmente embora alegre.

(poema de Álvaro de Campos; fotografia de Amy Kumler: early morning)

Jornalismo


Quem tenha visto ontem, na RTP1, a peça sobre o debate parlamentar com a Ministra da Educação teria ficado exactamente na mesma no que diz respeito às razões pelas quais tinha decidido repetir duas provas. Teria visto que a justificação seria a existência de péssimos resultados e teria ouvido excertos das intervenções dos deputados da oposição que lhe chamaram incompetente e arrogante.

Não tive oportunidade de ver as reportagens dos outros canais generalistas, mas deduzo que devem ter sido semelhantes, pois na maioria dos casos assim é. Há uma espécie de cartelização dos telejornais.

Quem, como eu, viu as duas coisas, não pode deixar de ficar perplexa e muito preocupada com a forma como a informação é manipulada.

A omissão de informação é tanto ou mais grave que a sua deturpação pura e simples. Os jornalistas têm a função de servir informação para que quem a lê possa cruzar dados e pensar com e sobre eles. O poder dos media é enorme e exige uma enorme responsabilidade assim como um enorme profissionalismo.

Neste momento o que interessa ao jornalismo televisivo é o aproveitamento de alguns momentos histriónicos, cómicos ou trágicos que prendam a atenção dos espectadores, sem qualquer preocupação de rigor, explicação ou esclarecimento. O tempo disponível para debitar frases ou imagens é curto, e de uma notícia salta-se para outra, mais espectacular que a primeira.

O que mais me impressiona é que esta manipulação de informação não é ditada por qualquer ideologia. É apenas ditada pelo imediatismo, pelo controlo de audiências e pela tentativa de cativar novos espectadores.

Os partidos políticos e os governantes já se habituaram a esta ditadura comunicacional e tendem a governar, não com programas e objectivos, mas com aquilo que fica bem no telejornal das 20:00, para quem os julga de imediato, ou seja, os vários jornalistas / comentadores que se passeiam de um para outro canal, explicando a quem ouve o que deve pensar.

Isto é menos verdade no jornalismo escrito, em que a escolha é maior. No entanto, conforme alerta Fernanda Câncio no seu
artigo de hoje, a imprensa escrita está a cair no mesmo erro, reduzindo as notícias a alguns títulos, servindo-as sem peles nem caroço para melhor serem deglutidas.

A informação livre é um dos pilares da democracia. Que liberdade de informação é esta se temos um filtro ditado pelas leis das audiências e do espectáculo? Como se pode assegurar que o que vemos e ouvimos corresponde, de facto, ao que se passa? Quais são os deveres profissionais e éticos dos jornalistas, quem os regula e controla?

Como em todas as profissões há bons e maus profissionais. Como todas as corporações, esta assume a defesa de atitudes e situações indefensáveis, considerando-se acima de qualquer crítica. Como noutras profissões, a auto regulação não funciona, sindicatos, ordens e outros organismos perpetuam e amplificam o autismo corporativo.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...