14 junho 2006

Dia de prisão


Hoje está um dia de prisão, em que as nuvens são como portas trancadas, as árvores gritam e gemem, os relâmpagos escrevem temor.

Hoje está um dia que não nasceu.

(pintura de Vorontzov)

12 junho 2006

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
como se tivessem boca,
palavras de amor, de esperança,
de imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto,
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas, inesperadas
como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído,

no papel abandonado).
Palavras que nos transportam
aonde a noite é mais forte,
ao silêncio dos amantes.


(poema de Alexandre O’Neill)
(pintura de Paulina Parra: And the words got in the way II)

Mais uma fábrica a fechar


Só os nossos governantes estão optimistas em relação ao crescimento económico. O resto do pessoal, que não sabe nada de finanças nem consta que tenha bibliotecas, vai vendo a vida a andar para trás, com o desemprego a bater à porta de mais 1500 trabalhadores.

Eles até podem ter batido recordes de produtividade, até podem propor redução de custos, sabe Deus às custas de quem, mas há países em que o inaceitável para uma parte da Europa é muito acima do imaginável para outra parte.

Será que o governo vai mesmo pedir o dinheiro de volta? Espero que sim, mas é fraco consolo para quem perde o seu sustento.

11 junho 2006

Interesses


Ainda não percebi muito bem que interesses portugueses estão a ser acautelados com a ida da GNR para Timor.

Temos um complexo de culpa de ex-colonialistas e uma atitude de colonialistas na forma como olhamos e referimos a existência daquele país.

Afinal parece que a ida da GNR não era assim tão necessária, visto que os australianos até já têm um plano para reorganizar aquele jovem e imberbe país, com o beneplácito de Ramos Horta e do Presidente Xanana Gusmão.

De tão rápido a responder, Portugal vai pagar caro o seu sentimentalismo. O único interesse que agora tem a defender é minimizar o papel secundário que já lhe foi atribuído, pelos mesmos que apelaram à sua imprescindível ajuda.

Enquanto se joga à bola...


Foram encontrados prisioneiros mortos em Guantánamo. Os polícias do mundo estraçalham assim os ideais democráticos, impondo aos alegados terroristas a lei da força numa terra de ninguém onde os direitos humanos não existem.

Desde 2001 foram formalmente acusados 10 indivíduos. Os outros estão presos e, como são agentes do mal, não há perdão para tamanhos pecados na terra da liberdade.

Nem nas outras. Hipocritamente nomeiam-se comissões de inquérito relativamente às viagens com presos de um para outro lado na nossa Europa civilizada, que não vê, não ouve e, sobretudo, não fala.

É esta a democracia que os fiéis querem exportar para os países dos infiéis. Então não vêm como ela brilha?

... nunca mais acaba!

Depois de um golo aos 4 minutos de jogo, a selecção desperdiçou os restantes 86! Sofrimento até ao fim, rezando para que Angola não empatasse. Que péssima exibição! Assim são poucas as hipóteses de passar esta fase.

Portugal ganhou a partida, mas quem merece parabéns é Angola!

Portugal vs Angola




Embora ache inaceitável que ontem, dia de Portugal, o telejornal da RTP 1, às 20:00, tenho aberto com as notícias do mundial de futebol, tendo gasto 8 minutos com essas tão edificantes e imprescindíveis informações, e só depois disso se dignou falar das cerimónias presididas pelo Presidente da República, hoje estarei em frente à televisão, a torcer pela nossa selecção.

E que ganhe o melhor (Portugal, pois então!).

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...