11 junho 2006

Enquanto se joga à bola...


Foram encontrados prisioneiros mortos em Guantánamo. Os polícias do mundo estraçalham assim os ideais democráticos, impondo aos alegados terroristas a lei da força numa terra de ninguém onde os direitos humanos não existem.

Desde 2001 foram formalmente acusados 10 indivíduos. Os outros estão presos e, como são agentes do mal, não há perdão para tamanhos pecados na terra da liberdade.

Nem nas outras. Hipocritamente nomeiam-se comissões de inquérito relativamente às viagens com presos de um para outro lado na nossa Europa civilizada, que não vê, não ouve e, sobretudo, não fala.

É esta a democracia que os fiéis querem exportar para os países dos infiéis. Então não vêm como ela brilha?

... nunca mais acaba!

Depois de um golo aos 4 minutos de jogo, a selecção desperdiçou os restantes 86! Sofrimento até ao fim, rezando para que Angola não empatasse. Que péssima exibição! Assim são poucas as hipóteses de passar esta fase.

Portugal ganhou a partida, mas quem merece parabéns é Angola!

Portugal vs Angola




Embora ache inaceitável que ontem, dia de Portugal, o telejornal da RTP 1, às 20:00, tenho aberto com as notícias do mundial de futebol, tendo gasto 8 minutos com essas tão edificantes e imprescindíveis informações, e só depois disso se dignou falar das cerimónias presididas pelo Presidente da República, hoje estarei em frente à televisão, a torcer pela nossa selecção.

E que ganhe o melhor (Portugal, pois então!).

10 junho 2006

Os novos portugueses


Apesar de não ter votado em Cavaco Silva, de ele me enervar com o seu porte rígido e computorizado e a sua voz de risco de giz em ardósia, tenho que reconhecer que gostei de duas coisas neste 10 de Junho, primeiro em que ele é Presidente.

Gostei que ele responsabilizasse todos os portugueses pelo bom ou mau país que temos, que ele tenha dissertado sobre as almas pouco caridosas que tanto se queixam da desigualdade, exclusão social e miséria, mas que trabalham sobretudo em esquemas para não cumprirem as suas obrigações fiscais, que culpam de tudo o estado e que tudo exigem do estado.

Gostei que ele homenageasse as Forças Armadas, que lhes restituísse o prestígio e a honra de desfilarem no dia de Portugal. A elas devemos o 25 de Abril, a elas devemos o 25 de Novembro, a elas devemos alguma da boa imagem de Portugal no mundo, com elas contamos sempre, inclusivamente para melhorar essa imagem, por exemplo em acções de paz.

Não gostei que faltasse a homenagem a todos quantos fazem Portugal, nomeadamente e cada vez mais, aos imigrantes, que nos ajudam a renovar o país, que trabalham quantas vezes em condições precárias de indignidade e desumanidade. Faltou a homenagem a essa massa anónima que limpa as nossas casas, que lava os nossos carros, que trata dos nossos pais e filhos, que constrói as nossas casas, que paga as nossas reformas, que tem filhos que serão os próximos filhos da nação.

Era talvez mais importante que muitos roteiros para a inclusão, incluí-los onde eles já pertencem por direito – no país, facultando-lhes uma educação exigente e sem paternalismos bacocos, uma nacionalidade de que eles e os seus descendentes se possam orgulhar.

Escolheram-nos, servem-nos – porque não chamar-lhes portugueses?

10 de Junho


Este dia é quadrado, redondo,
sem forma,
porque a forma da nossa alma
é de mil gestos e cores,
porque o grito
da nossa força
é de mil mares e sabores.

Este dia é feito
na geometria do abraço,
é o nosso
quadrado imperfeito.

09 junho 2006

Untitled



Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.
Faltei a todos, com uma deliberação de desleixo,
fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
deliberadamente à mesma hora…
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte… Se é um gesto,
fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Luiza Caetano: Fernando Pessoa)

Tempo de folga

Uuufff! O sr. primeiro-ministro deve ter suspirado de alívio. Todo o governo! Finalmente começou o mundial de futebol! E que eles se portem bem e vão, pelo menos, até aos 4ºs de final. É mais um tempinho de folga, dá para fazer mais algumas leis, regulamentar outras, despedir rápida e eficazmente alguns, deixar de lado indicadores menos optimistas.

Até os incêndios serão menos quentes e menos devastadores.

Uuuufff! Balão de oxigénio para 2 a 3 semanas!

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...