- Parece que houve grande bernarda em Lisboa…
- O quê? Outra vez os militares?
- Sim, mas parece que a coisa está feia…
- Para que lado?
- Não sei.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
24 abril 2006
Diálogo (1)
Desde Abril
Revolução
Amanhã vou comemorar revolucionariamente a forma como alguns já não precisam de comemorar a revolução. A liberdade permite a pessoas como Alberto João Jardim ter a ousadia e o mau gosto de declarar que não precisa de comemorar o 25 de Abril na Assembleia Regional.
Pois é: só por ter havido uma revolução existe governo regional da Madeira, e Assembleia e também falta de vergonha na cara.
Mas a liberdade é também a liberdade de ser estúpido e dizer estupidezes.
A minha liberdade é saborear estes anos todos de transformação e mudança em que, para o melhor e para o pior, estamos lutando, todos os dias, por aquilo que queremos.
Falta muito, para muitos, mas o caminho faz-se caminhando.
Pois é: só por ter havido uma revolução existe governo regional da Madeira, e Assembleia e também falta de vergonha na cara.
Mas a liberdade é também a liberdade de ser estúpido e dizer estupidezes.
A minha liberdade é saborear estes anos todos de transformação e mudança em que, para o melhor e para o pior, estamos lutando, todos os dias, por aquilo que queremos.
Falta muito, para muitos, mas o caminho faz-se caminhando.
22 abril 2006
Parto

Tudo começa com um grito.
Depois vem o sol e depois as chuvas
e depois um pântano,
onde o amor se afunda.
O tempo passa, o pólen seca, os cabelos
são brancos;
já nada floresce como outrora, clamorosamente,
nos pátios de uma ilha,
nas cidades do mar.
Tudo acaba com um grito
entre murmúrios e cânticos de maternal
solidão –
dar à luz é dar à morte.
(poema de José Agostinho Baptista; pintura de Mamta: root)
Abril como se exige
18 abril 2006
Trabalhar
Braços, terra, papel, violinos,
prolongamentos do corpo,
como dedos, sons ou raízes,
entrelaçadas de nós.
Muito se tem falado sobre o abstencionismo dos deputados da Assembleia da República.
Penso que o problema é mais generalizado, vasto e profundo.
Hoje em dia o trabalho raramente é visto como um dever, como uma contribuição individual para o bem colectivo.
Deixou de ser compensatório, em termos sociais, ser um trabalhador competente, merecedor de confiança. Dá-se importância à remuneração em si, não se dá importância ao facto de ela ser resultado de um qualquer serviço do cidadão. Quase chegamos a pensar que temos o direito de receber um salário independentemente do trabalho que desenvolvemos.
Não se premeia o empenho, o saber, a assiduidade, a partilha de experiências. O trabalho existe no intervalo de todos os outros afazeres.
Penso que a noção de solidariedade ficou restrita à segurança social, às contribuições para as várias associações de apoio a diversos grupos de cidadãos, às pensões de subsistência, aos rendimentos mínimos e às esmolas.
Solidariedade rima com sociedade. Trabalhar é um acto de solidariedade com que, todos os dias, sustentamos a sociedade.
(pintura de Kristina Branch: Men at Work)
prolongamentos do corpo,
como dedos, sons ou raízes,
entrelaçadas de nós.
Muito se tem falado sobre o abstencionismo dos deputados da Assembleia da República.
Penso que o problema é mais generalizado, vasto e profundo.
Hoje em dia o trabalho raramente é visto como um dever, como uma contribuição individual para o bem colectivo.
Deixou de ser compensatório, em termos sociais, ser um trabalhador competente, merecedor de confiança. Dá-se importância à remuneração em si, não se dá importância ao facto de ela ser resultado de um qualquer serviço do cidadão. Quase chegamos a pensar que temos o direito de receber um salário independentemente do trabalho que desenvolvemos.
Não se premeia o empenho, o saber, a assiduidade, a partilha de experiências. O trabalho existe no intervalo de todos os outros afazeres.
Penso que a noção de solidariedade ficou restrita à segurança social, às contribuições para as várias associações de apoio a diversos grupos de cidadãos, às pensões de subsistência, aos rendimentos mínimos e às esmolas.
Solidariedade rima com sociedade. Trabalhar é um acto de solidariedade com que, todos os dias, sustentamos a sociedade.
(pintura de Kristina Branch: Men at Work)
Medo
O mundo está perigoso ou, pelo menos assustador.
Será que o Irão vai ser o próximo Iraque? Será que o petróleo vai continuar a aumentar?
Será que o défice em Portugal está a aumentar?
Cada vez mais teremos que olhar para cima e para a frente, encolher os receios, enfrentar o desânimo, as más notícias, recusar o fado.
Todos nós somos responsáveis. Todos temos que nos mobilizar, sem esperar que alguém nos motive.
Todos temos que trabalhar mais, muito mais e melhor.
Será que o Irão vai ser o próximo Iraque? Será que o petróleo vai continuar a aumentar?
Será que o défice em Portugal está a aumentar?
Cada vez mais teremos que olhar para cima e para a frente, encolher os receios, enfrentar o desânimo, as más notícias, recusar o fado.
Todos nós somos responsáveis. Todos temos que nos mobilizar, sem esperar que alguém nos motive.
Todos temos que trabalhar mais, muito mais e melhor.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...
-
... da obrigatoriedade do uso da aplicação StayAway COVID, da obrigatoriedade do uso de máscaras na via pública , e da hipótese de um novo c...
-
Um dos grandes motivos de burnout dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a luta diária com os sistemas informáticos, plata...
-
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...