06 abril 2006

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Segredo

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
tem lá dentro um passarinho
novo.

Mas escusam de me atentar:
nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
e guardar
este segredo comigo.
E depois ter um amigo
que faça o pino
a voar…

(poema de Miguel Torga; pintura de Hachivi Edgar)

Credibilidade

A credibilidade de um governo joga-se, por vezes, em pequenos apontamentos tristes e delirantes.

1. A redução da taxa de alcoolemia é um deles.

Das duas uma: ou beber álcool, independentemente da quantidade ou da qualidade, altera as capacidades de concentração e de resposta ao estímulo, e deve ser proibida a ingestão a quem conduz, ou há um valor acima do qual isso acontece, e deve ser esse o valor fixado como máximo. Em qualquer das situações, se não houver fiscalização e punição a quem não cumpre, podem aprovar-se as leis mais maravilhosas que não têm efeito.

Então para quê esta polémica iniciada pelo Sr. Secretário de Estado Ascenso Simões, inclusivamente ameaçando as associações de produtores de vinho? E os condutores, não devem ser responsabilizados? E pelos vistos até parece que em 2003 e 2004, o número de condutores aos quais foram feitos testes de alcoolemia foi de 57102 e 53822, respectivamente. Destes 95,44% e 95,91% (respectivamente) tinham taxas inferiores ou iguais a 0,5g/l.

Tanta demagogia e tanta tontice!

2. As férias judiciais são outro.

O Sr. Ministro Alberto Costa ventilou aos quatro ventos que a redução das férias judiciais para um mês, aumentaria a produtividade dos tribunais em cerca de 10%. Também afirmou que se baseava num estudo já efectuado antes da posse deste governo.

Parece que o juiz Paulo Jorge Ramos de Faria decidiu queixar-se pelo facto desse estudo nunca ter sido mostrado. A Comissão de Acesso Aos Documentos Administrativos decidiu que esse documento deve ser divulgado e estar acessível a quem o quiser consultar.

Aguardemos que a determinação seja cumprida. Ou será que era tudo uma inverdade?

05 abril 2006

Foi ele!!


Foi ele o culpado.

Do défice, do atraso, da seca, da chuva, da falta dos subsídios, da negatividade a matemática, de Espanha, da alcoolemia, de sermos tristes e deprimidos, da preguiça, do desemprego, da vitória do Cavaco!

Foi ele!!!

Futebol

TSF, oito e cinquenta e oito, sete e cinquenta e oito nos Açores: notícias importantíssimas e de gravidade nacional – o jogo de futebol entre o Benfica e o Barcelona. Durante 10 minutos trocam-se informações, fazem-se debates, esmiúçam-se previsões. O intelectual de serviço, António Lobo Antunes, intelectualiza.

SIC notícias, vinte e três e dez, há mesa redonda em vez de quadrada, discute-se o rectângulo, em vez da quadratura, em círculo os especialistas da bola, em substituição de Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Jorge Coelho.

Mas que bola de país!

04 abril 2006

A trapalhada

Que grande trapalhada, aquilo da Polícia Judiciária! É claro que o director nacional Santos Cabral, depois de ter dito que ou fazem ou saio… saiu! Mas era preciso demorar tanto tempo a sair? Ou a ser demitido?

Mas afinal foi ele que se demitiu ou foi o ministro que o demitiu? Quem falou primeiro? Será que falaram em coro? Ou tiraram à sorte, para ver quem falava primeiro? Cara ou coroa ou par ou ímpar?

Mas que brincadeira de mau gosto!

E onde fica a sensação de segurança? Querem esvaziar a PJ de funções, de poderes, ou o quê?

Que grande trapalhada, Sr. Ministro Alberto Costa!!

Sem memória


Seres humanos iguais na dor, na memória, na indizível crueldade, no assombro do horror.

Impossível perceber a fria capacidade de trucidar.

Impossível aceitar o demónio que se esconde em cada um de nós, nas esquinas dos sorriso mornos e dos feitos heróicos.

Impossível olhar para as consequências dos nossos actos, afundados no escuro da alma dos povos.

Sem vergonha.

02 abril 2006

Páscoa


A passagem, a libertação.

Para os hebreus, Deus protegeu-os das pragas que enviou aos egípcios, sendo a última a morte dos primogénitos. O povo de Deus, escravo, através de um sinal na porta feito com sangue do cordeiro sacrificial, foi poupado pelo anjo exterminador. A seguir foi libertado e rumou à Terra Prometida.

Para os cristãos, Jesus simboliza o cordeiro oferecido em sacrifício, que liberta o Homem dos seus pecados e que se liberta da morte, ressuscitando.

Para todos nós, religiosos ou não, que sempre necessitamos de nos libertar de tudo o que nos escraviza, emocional e fisicamente, celebremos as páscoas da nossa vida, como seres individuais, como povo e como comunidade de povos.

Páscoa
– passagem, do Lat. Pascha, do Gr. Páscha, do Hebr. pesakh
(Alexander Vaisman: pesakh)

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...