Domingo é um dia retardado.
Prefiro a segunda,
mesmo sendo o primeiro.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
19 março 2006
A velocidade da luz
Acabei de ler “A velocidade da luz” de Javier Cercas. Gostei muito, tanto como de “Soldados de Salamina”.
Embora sejam livros completamente diferentes, a estrutura narrativa e o modo como se desenrola a acção são semelhantes.
Em ambos se parte de um acontecimento obscuro que se tenta conhecer e interpretar, essencial para a coerência de uma história que, de algum modo, se mistura e confunde com a vida do narrador/escritor, e que evolui em círculos, estando no fim a chave decisória da existência do livro.
Em ambos a narrativa é feita em tom de confidência, como quem tenta decifrar a sua própria alma, com fluidez e sofreguidão, em que os diálogos são escassos e simples, mas importantes na compreensão das personagens.
Neste último livro o tempo de leitura varia, primeiro vagaroso, como que aquecendo motores, e depois adquirindo uma velocidade vertiginosa, superior à da luz. Gostei muito.
(Só não gostei da capa do livro.)
Embora sejam livros completamente diferentes, a estrutura narrativa e o modo como se desenrola a acção são semelhantes.
Em ambos se parte de um acontecimento obscuro que se tenta conhecer e interpretar, essencial para a coerência de uma história que, de algum modo, se mistura e confunde com a vida do narrador/escritor, e que evolui em círculos, estando no fim a chave decisória da existência do livro.
Em ambos a narrativa é feita em tom de confidência, como quem tenta decifrar a sua própria alma, com fluidez e sofreguidão, em que os diálogos são escassos e simples, mas importantes na compreensão das personagens.
Neste último livro o tempo de leitura varia, primeiro vagaroso, como que aquecendo motores, e depois adquirindo uma velocidade vertiginosa, superior à da luz. Gostei muito.
(Só não gostei da capa do livro.)
18 março 2006
Sueño con serpientes
Não sei porquê, mas ultimamente, ao ver imagens de tantos bocados desse mundo, vem-me à lembrança a voz de Mercedes Sosa, no disco Sentinela, com Milton Nascimento – “Sueño con serpientes”:
“Hay hombres que luchan un día
y son buenos,
hay otros que luchan un año
y son mejores,
hay quienes luchan muchos años
y son muy buenos,
pero hay los que luchan toda la vida,
esos son los imprescindibles”
(Bertolt Brecht)
“Hay hombres que luchan un día
y son buenos,
hay otros que luchan un año
y son mejores,
hay quienes luchan muchos años
y son muy buenos,
pero hay los que luchan toda la vida,
esos son los imprescindibles”
(Bertolt Brecht)
(pintura de B.F. Postel: snake)
Fragmentos de Liberdade
17 março 2006
Presidente executivo
Não sei se vai haver ou não cooperação estratégica, estabilidade dinâmica ou lealdade institucional entre o Presidente e o Primeiro-Ministro.
A verdade é que as agendas do executivo e da presidência são muito semelhantes (o que faz pensar que não há diferenças nas funções e nos poderes atribuídos a ambas), que os assessores do presidente pertencem a uma área política mais conservadora que o próprio presidente, e que os conselheiros de estado reduzem (como já li algures na blogosfera e nos jornais) em vez de dilatarem a base eleitoral de Cavaco Silva.
Significativo é todos os analistas e comentadores serem unânimes em considerar que vai haver uma fiscalização apertada da acção governativa. Dá a sensação que o governo está obrigado a cumprir a agenda do Presidente, o que parece indicar a existência de dois governos com duas maiorias políticas de sinal contrário.
Ou seja, a colisão de vontades será inevitável e acabará com a estabilidade política que Cavaco Silva jura querer manter!
A verdade é que as agendas do executivo e da presidência são muito semelhantes (o que faz pensar que não há diferenças nas funções e nos poderes atribuídos a ambas), que os assessores do presidente pertencem a uma área política mais conservadora que o próprio presidente, e que os conselheiros de estado reduzem (como já li algures na blogosfera e nos jornais) em vez de dilatarem a base eleitoral de Cavaco Silva.
Significativo é todos os analistas e comentadores serem unânimes em considerar que vai haver uma fiscalização apertada da acção governativa. Dá a sensação que o governo está obrigado a cumprir a agenda do Presidente, o que parece indicar a existência de dois governos com duas maiorias políticas de sinal contrário.
Ou seja, a colisão de vontades será inevitável e acabará com a estabilidade política que Cavaco Silva jura querer manter!
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