15 março 2006

Untitled


Em dias
de mãos
frias,
de gotas
gordas,
intrusas,
ternuras
de dedos
e beijos,
tremuras
de secretos
desejos.

(pintura de Elena: rain)

Breves notícias (brevíssimas)


No dia 18 de Março (sábado próximo), no Forum Romeu Correia (Almada), às 21:00, inaugura-se a exposição "Fragmentos de Liberdade" - Projecto Quarto Espaço. Parece-me interessante.

Outro assunto - não posso deixar de sugerir que leiam
este post!

LABOREM EXERCENS

Segundo o jornal “Público” de hoje, a fusão das duas instituições bancárias, BCP e BPI, levaria à extinção de cerca de 2500 postos de trabalho, pela necessidade de reduzir “redundâncias”.
Já ontem confessei a minha total ausência de compreensão destas matérias. Nunca percebi o funcionamento da bolsa, porque é que sobem e descem determinadas acções, o que é o índice NASDAQ, e outros índices, o que são OPAS hostis ou amigáveis, o funcionamento do omnisciente e omnipresente mercado, etc.
Mas hoje confesso a minha total perplexidade perante o objectivo de determinados negócios. Qual a necessidade de fundir estes dois bancos? Parece que tanto um como outro estão bem geridos, têm imensos lucros e a clientela satisfeita, não se percebendo, no horizonte, sinais de alteração destes pressupostos (tudo o que digo retirei da leitura de jornais e da net).
Então porquê? É para terem ainda mais lucros? Para quê? Que pretendem fazer com cada vez mais dinheiro?
O que se percebe, para já, é que 2500 pessoas vão ficar desempregadas!
Eu não sou católica, mas há muito na doutrina social da igreja com que eu concordo, mesmo com muito do que um Papa conservador como João Paulo II defendeu e pregou.

Paulo Teixeira Pinto é apresentado como católico, pertencente à Opus Dei. Como concilia ele o capital e o trabalho? Como concilia ele o sono?

IOANNES PAULUS PP. II
LABOREM EXERCENS
dirigida aos veneráveis Irmãos no Episcopado
aos Sacerdotes
às Famílias religiosas
aos Filhos e Filhas da Igreja
e a todos os Homens de Boa Vontade
sobre o Trabalho Humano no 90° aniversário da
Rerum Novarum
1981.09.14

(...)
III. O CONFLITO ENTRE TRABALHO E CAPITAL NA FASE ACTUAL DA HISTÓRIA(...)
12. Prioridade do trabalho
Diante da realidade dos dias de hoje, em cuja estrutura se encontram marcas bem profundas de tantos conflitos, causados pelo homem, e na qual os meios técnicos — fruto do trabalho humano — desempenham um papel de primeira importância (pense-se ainda, aqui neste ponto, na perspectiva de um cataclismo mundial na eventualidade de uma guerra nuclear, cujas possibilidades de destruição seriam quase inimagináveis), deve recordar-se, antes de mais nada, um princípio ensinado sempre pela Igreja. É o princípio da prioridade do « trabalho » em confronto com o « capital ». Este princípio diz respeito directamente ao próprio processo de produção, relativamente ao qual o trabalho é sempre uma causa eficiente primária, enquanto que o « capital », sendo o conjunto dos meios de produção, permanece apenas um instrumento, ou causa instrumental. Este princípio é uma verdade evidente, que resulta de toda a experiência histórica do homem.(...)

Constituição europeia

A pouco e pouco, depois das eleições presidenciais, em que o tema podia ter levantado questões incómodas aos candidatos e respectivos partidos apoiantes, volta-se a falar da constituição europeia.

Não tenho dúvidas de que será necessário unificar vários tratados anteriores, desenvolver políticas comuns à UE, não só económicas, mas de defesa, sociais, de imigração, culturais, científicas e portanto, políticas.

Isso não significa que alguns países da UE se sintam mandatados para escrever um tratado de regras comuns, uma Constituição, sem que, para isso, os cidadãos europeus o tenham determinado, em eleições livres e democráticas.

Quero com isto dizer que uma constituição europeia, tal como a entendo, deve ser feita por uma assembleia constituinte europeia, eleita com esses poderes.

Compreendo que setecentas e tal pessoas a discutirem e redigirem um documento pequeno, legível, claro e transparente, para todos os cidadãos entenderem, deve ser muito difícil. Mas poderia, com certeza, formar-se um grupo de representantes emanados da assembleia que, posteriormente, submeteria o documento à apreciação e votação dos demais deputados.

Só assim seria possível um debate mais alargado da necessidade e da validade desse documento, em vez de o ser a posteriori, como o foi.

O facto de ter havido uma concertação entre partidos políticos, em Portugal, para mudar a nossa própria constituição, de forma a aceitar este (e provavelmente outros) artigo da Constituição Europeia, não me parece ter sido um bom começo:

TRATADO QUE ESTABELECE UMA CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA
(Jornal Oficial da União Europeia, 16/12/2004)
(...)
Parte I – Título I
(...)
Artigo I-6.º
A Constituição e o direito adoptado pelas instituições da União, no exercício das competências que lhe são atribuídas, primam sobre o direito dos Estados-Membros. (...)

14 março 2006

Untitled


Não escrevo,
sobrevoo as teclas arrítmicas,
tento escutar a alma
que se esconde
no espaço branco do papel.

(pintura de Lee Tracy)

OPA (Operação Poder Absoluto)

Não percebo nada, mas mesmo nada, de economia. Sou das pessoas que se precipitariam para a falência, se posta a gerir uma empresa.

Talvez por isso não perceba nada destas OPAs. Daqui a pouco, só há 2 bancos: o BCP e a CGD.

E depois, quem sabe, o BCP engole a CGD. E depois, quem sabe o que engolirá mais o BCP. Então, que é feito da concorrência (uma deusa ligeiramente inferior ao deus mercado)?

E se o BCP quiser adquirir o BPI mas o BPI não quiser ser adquirido? Isso é que é uma OPA hostil?

E será que o BCP de tanto engolir não explode?

Não percebo mesmo nada!

A pequenez

Não há nada como ler outras letras, outras cores, outros sentidos, para que me inunde o espanto e a humildade...

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...