07 março 2006

Taxas moderadoras


Acabei de ouvir o ministro da saúde, Correia de Campos, a propósito do aumento das taxas moderadoras (SIC notícias).

Independentemente de se concordar com a existência de taxas moderadoras, é evidente que esta actualização de preços é necessária e não me repugna que seja muito maior para os serviços de urgência, pela necessidade de tentar reduzir o recurso, sem razão, a estes serviços.

Como o ministro afirmou, há cerca de 40% de falsas urgências, que consomem recursos humanos (e não só) absurdos, desviando-os de outros serviços e das consultas.

No entanto não me parece que seja com taxas moderadoras que haja um menor número de urgências, mas sim com uma remodelação dos centros de saúde, melhorando o acesso aos cuidados primários de saúde. O ministro diz que é o que estão a fazer. Vamos ver. Espero bem que sim.

Mas o que descredibiliza os agentes do poder político é a autêntica esquizofrenia de atitudes e opiniões, que muda 180 graus consoante se está no governo ou na oposição.

Em Setembro de 2004 o então ministro da saúde, Luís Felipe Pereira, lança a ideia das taxas moderadoras diferenciadas, tendo actualizado o preço das mesmas. Em uníssono toda a oposição (onde se incluía o PS) condenou, por razões não muito compreensíveis.

Pois agora é o governo do PS que aumenta as taxas, e só não as transforma em diferenciadas porque não tem instrumentos fáceis e fiáveis para o fazer, como já assumiu, e a oposição em coro é contra (PSD e CDS incluídos) por razões não muito compreensíveis.

Bem sei que temos a memória curta, mas TÃO CURTA, não!

Sugiro que contratem uns assessores que lhes LEMBREM o que disseram acerca de determinados assuntos, para que, pelo menos, as justificações para as mudanças de opinião sejam mais, digamos, criativas!

(pintura de Sebastien: true lies)

06 março 2006

Untitled

O DN de hoje traz um artigo de Fernanda Câncio sobre a mulher do Presidente da República.

Na verdade, o trabalho da mulher ainda continua a ser pouco valorizado. A sua realização como profissional é secundária ao seu papel de mãe e, mesmo nos nossos dias, ao de esposa. É muito mais frequnte a mulher abdicar da sua dedicação ao emprego, de um congresso, de uma promoção, se isso implicar mudanças no emprego do marido, diminuição do número de horas dedicadas à família, etc.

Até hoje, as mulheres dos presidentes eleitos após o 25 de Abril assumiram o papel de esposas, passando o seu trabalho a ser o de acompanhantes do marido e, tenham ou não formação para tal, de representantes da “caridade” estatal, desdobrando-se em encontros, angariação de fundos, etc, do IAP, da CVP, dos inválidos e desvalidos da nação.

Ou seja, o tradicional papel secundário da esposa e mãe.

A presidência da república é um cargo unipessoal. Não há, portanto, lugar a primeiras damas ou a primeiros cavalheiros. É um trabalho, um emprego, pago pelo estado (nós).

Imaginemos que é uma mulher eleita presidente da república, e que o seu esposo é engenheiro numa qualquer empresa, ou médico, ou professor universitário. Alguém sonha em que o esposo largue o seu emprego para acompanhar a presidente nas visitas de estado, vá angariar fundos para a Liga, visitar os lares de 3ª idade?

Perguntem ao Martim!


Graças a seja lá quem for, pela tecnologia, pelos computadores e pela Internet. A imobilidade forçada fica um pouco mais leve, pela possibilidade de “passearmos” pelo mundo.

Martim Avillez Figueiredo consegue sempre (ou muito frequentemente) surpreender-me. Os seus raciocínios e analogias são brilhantes, luminosos!

Hoje brinda-nos com um artigo de opinião, no “Diário Económico” online, absolutamente fantástico e que, caso o Ministro das Finanças esteja atento, é a resolução de todos os nossos problemas orçamentais.

Então é assim (se bem entendi): Nos EUA (aquele paraíso económico-político-sócio-cultural) o governo quer VENDER bocados de FLORESTA (árvores, passarinhos, insectos e outros animais, terra, ar puro, etc), transformando esses bocados em áreas de construção, para financiar o seu orçamento. O que Martim Avillez Figueiredo aplaude (o título do seu artigo é “decidir bem”) e compara com a decisão do nosso modesto Ministro da Saúde, Correia de Campos, de vender os terrenos, em Lisboa, onde estão construídos hospitais velhos e degradados, como o IPO, Desterro, Capuchos e S. José, para construção e, com esse dinheiro, construir hospitais novos noutros sítios, porventura mais adequados, e cujo solo seja menos rentável.

É exactamente o mesmo, não é? Não sei se os terrenos no centro de Lisboa servem para outra coisa que não construção imobiliária (talvez com um raquítico jardim) mas, obviamente, para que servem as florestas se não para serem vendidas e substituídas por prédios, estradas, parques, McDonald’s, cinemas, casinos, etc?

Sugiro ao Primeiro-Ministro que atente bem neste exemplo. Temos por cá lagos, rios, algumas montanhas e ainda uns grupos de árvores que podem valer algum dinheiro! E então adeus défice!

(pintura de Dima Nencheva: ice forest)

05 março 2006

O medo


O medo está na origem da maioria das nossas acções. A dor e o medo. Porque nos defendem de ameaças à nossa integridade física e psíquica.

A reacção de contracção muscular e afastamento de um membro após uma picada de uma agulha, por exemplo, serve para impedir que essa mesma picada lesione seriamente a área afectada. A dor funciona como um aviso de perigo.

O medo actua após um primeiro ataque. Pressupõe aprendizagem e tenta evitar a lesão. Faz nascer a prudência. É preventivo.

Por isso a sociedade, como um corpo único, é também accionada pela dor e pelo medo.

Hoje em dia a maior preocupação da sociedade ocidental é a segurança. Quer evitar a doença, a fealdade, a velhice, o terrorismo. É de tal forma obsessiva esta cruzada em prol da segurança total, da eliminação do risco, que nos arriscamos a não ter capacidade de aprendizagem, porque deixamos de ter estímulos, deixamos de saber interagir com o meio envolvente que é, muitas vezes, hostil.

E assim perigamos a existência do indivíduo como tal, para construirmos Guantanamo, proibirmos o tabaco, produzirmos estudos em que se padronizam comportamentos de crianças de 3 anos, rotulando-as de comportamentos de risco para a sociedade idealizada (“A Origem das Espécies” – 5/3/2006 – Laranja mecânica).

E então, mesmo que houvesse um determinismo biológico ou social, que faríamos – prendê-las, para que ficassem impossibilitadas de fazer o “mal”; ou dar-lhes medicamentos que regulariam esses impulsos associais; ou mesmo recorrer à exterminação?

A diversidade biológica e comportamental enriquece a sociedade. Um corpo é feito de muitas células que, a todo o momento, sofrem mutações que são benéficas, outras que são letais, adaptam-se às mudanças e fortalecem-se, ou não o fazem e morrem. O corpo social é muito semelhante. Cada indivíduo comporta-se de forma diferente e é livre de escolher o seu comportamento.

Cabe à sociedade proporcionar-lhe o melhor ambiente possível, dar-lhe todas as oportunidades para que possa, de facto, escolher, e encontrar métodos que o afastem do seu meio se, e só se, o seu comportamento comprovadamente perigar o tecido social.

Uma coisa é estar infectada por um vírus, outra é desenvolver uma doença, outra ainda é transmiti-la a outros. Todos temos potencialidades de destruir mas, a maioria de nós, dedica-se a construir.

(Aguarela de Jennifer Thomson: Fear)

04 março 2006

(aos meus amores)


Chove, o vento venta,
as árvores dobram-se
à tempestade.
Cá dentro sinto o calor
do mundo.

(pintura de Marielle Schram: Family)

28 fevereiro 2006

Entidade Reguladora


Conheço pessoas muito bem intencionadas, que se apelidam defensoras da democracia e da liberdade de expressão, totalmente contra qualquer censura, que veriam com bons olhos a existência de uma qualquer “entidade” que “regulasse” os conteúdos televisivos, nomeadamente no que diz respeito à violência e aos “reality shows”, principalmente para “proteger” as crianças.

Não ocorre a essas mentes bem informadas que existe uma coisa chamada o poder paternal, ou maternal, com propriedades educacionais e disciplinadoras, que nenhuma entidade pode substituir, ou o simples gesto de desligar a televisão, decisão insubstituível por um qualquer órgão regulador.

Assim parece-me que a decisão editorial, sobre o que publicar ou não, desde “cartoons” humorísticos a notícias alarmantes, de escândalos políticos a indiscrições privadas, não deve ser substituída nem “regulada” por ninguém, singular ou colectivo.

Dar-se esse poder a uma qualquer comissão, por muito boas intenções iniciais, é abrir a possibilidade de impedir a investigação ou publicação de matérias potencialmente “perigosas” para certas pessoas ou grupos. Acaba por ser uma forma encapotada de censura.

(imagem copiada de
www.blogs.ya.com/opinion/200505.htm - Sandra Berlanga, 03/05/2005)

Co-incineração (2)

Embora tenha procurado com afinco na Internet, não consegui encontrar o relatório, ou parte dele, sobre o estudo epidemiológico à população de Souselas. Só encontrei citações em vários jornais, afirmando que há lá mais doenças respiratórias (bronquites, asma, etc), endocrinológicas e malignas (não diz quais), do que no restante país.

Não conheço o estudo. Mas algumas coisas me intrigam, como por exemplo: quais as estatísticas utilizadas para se saber a incidência destas várias doenças a nível nacional e regional, comparando-as com as de Souselas?

Por outro lado, faz-se uma associação, nos jornais, entre o défice de saúde pública e a existência de uma cimenteira que, se não estou em erro, foi instalada há cerca de 30 anos. Depois utilizam-se essas informações para concluir que o início da co-incineração em Souselas pioraria ainda mais a saúde das mesmas populações.

Sejam quais forem os resultados e conclusões desse estudo epidemiológico, só é pena ele ter-se realizado muito por motivos de luta política (pelo menos assim parece). Mas ainda bem que se realizou! Espero é que não seja usado para acirrar a mesma luta política.

Se, em Souselas, a saúde pública tem sido ameaçada pela presença da cimenteira (o que me parece muitíssimo provável), o processo de co-incineração, pela diminuição de emissão de poluentes para a atmosfera, só melhoraria o ambiente (segundo os documentos da CCI que consultei).

Estes assuntos são demasiado sérios para serem tratados de forma leviana, em argumentos e contra argumentos de partidos políticos e organizações “pró” ambientais. A verdade é que continuamos a aguardar uma decisão de como tratar os resíduos industriais perigosos, seja ele a co-incineração, a incineração dedicada ou outro qualquer!

(Parece que Manuel Alegre, prudentemente e ao contrário do que fez num passado recente, decidiu não se pronunciar, enquanto não conhecer o relatório da CCI.)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...