06 março 2006

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O DN de hoje traz um artigo de Fernanda Câncio sobre a mulher do Presidente da República.

Na verdade, o trabalho da mulher ainda continua a ser pouco valorizado. A sua realização como profissional é secundária ao seu papel de mãe e, mesmo nos nossos dias, ao de esposa. É muito mais frequnte a mulher abdicar da sua dedicação ao emprego, de um congresso, de uma promoção, se isso implicar mudanças no emprego do marido, diminuição do número de horas dedicadas à família, etc.

Até hoje, as mulheres dos presidentes eleitos após o 25 de Abril assumiram o papel de esposas, passando o seu trabalho a ser o de acompanhantes do marido e, tenham ou não formação para tal, de representantes da “caridade” estatal, desdobrando-se em encontros, angariação de fundos, etc, do IAP, da CVP, dos inválidos e desvalidos da nação.

Ou seja, o tradicional papel secundário da esposa e mãe.

A presidência da república é um cargo unipessoal. Não há, portanto, lugar a primeiras damas ou a primeiros cavalheiros. É um trabalho, um emprego, pago pelo estado (nós).

Imaginemos que é uma mulher eleita presidente da república, e que o seu esposo é engenheiro numa qualquer empresa, ou médico, ou professor universitário. Alguém sonha em que o esposo largue o seu emprego para acompanhar a presidente nas visitas de estado, vá angariar fundos para a Liga, visitar os lares de 3ª idade?

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