16 janeiro 2006

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Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


(poema de Fernando Pessoa; pintura de Chichorro)

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De vez em quando, vale a pena regressar às origens:

Constituição da República Portuguesa
Princípios fundamentais
Artigo 1.º (República Portuguesa)
Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Artigo 2.º(Estado de direito democrático)
A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Artigo 63.º(Segurança social e solidariedade)
1. Todos têm direito à segurança social.
2. Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.
3. O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.
4. Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.
5. O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.

Artigo 64.º(Saúde)
1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

(…) “A questão da sustentabilidade da segurança social é uma questão de regime.”(…) “Se houvesse uma ruptura, isso significaria a falência do próprio 25 de Abril e da democracia. Esta é uma questão de regime. E como tal compete ao Presidente da República colocá-la aos partidos políticos, à Assembleia da República, aos sindicatos e às entidades patronais de todas as forças sociais e políticas do país.” (…) – Manuel Alegre, candidato a Presidente da República.

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Por vezes a imobilidade forçada mostra-nos mundos desconhecidos revelados pela permanência em frente a um televisor. Mundos repetitivos, grotescos, bacocos.

As televisões nacionais e internacionais são, na sua maioria, de uma confrangedora mediocridade. Não só há poucos programas interessantes como são repetidos até à exaustão.

A comunicação social já decidiu (desde o início da pré campanha) quem vai ser o próximo presidente. Ontem tivemos direito a um directo de cerca de 20 minutos, do discurso de Cavaco Silva, numa acção de campanha. Os outros candidatos, ontem, não devem ter feito discursos.

Por outro lado, se fosse um qualquer dos outros candidatos a ter aquela expressão facial que me recuso a classificar, por falta de adjectivos de espanto e/ou horror, a imagem teria sido repetida, comentada e gozada por todas as televisões, teria sido comentada por todos os nossos comentadores imparciais, teria sido uma monumental gargalhada nacional.

Será este o representante por quem o país anseia?

15 janeiro 2006

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Faltam 7 dias para as eleições presidenciais.

Melhores ou piores, foram estas as pessoas que se expuseram à avaliação pública, sempre incompleta, muitas vezes injusta. Se não gostávamos destes candidatos, tínhamos sempre a hipótese de propormos outros ou, inclusivamente, de nos propormos nós próprios.

É sempre mais fácil criticar quem tem responsabilidades de decidir, porque decidiu mal, do que assumir essas mesmas responsabilidades.

Concordemos ou não com cada um, tenham ou não o nosso voto, todos os candidatos merecem, pelo menos, o nosso respeito.

O que está em causa é a eleição do mais alto representante do país, aquele a quem, por poucos poderes que tenha, em alturas críticas, pode ter que exercê-los. Cada um de nós vai ser responsável por essa escolha: por acção ou omissão.
(pintura de Evelien Kalenda)

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Como Manuel Alegre, já não consigo decifrar as motivações ou as razões de Souto Moura. Então vai à Assembleia justamente na véspera das eleições presidenciais?
Falta uma semana. É preciso que todos votemos. Devemos participar, e mesmo que nenhum dos candidatos seja o ideal, pelo menos eles dão o seu contributo; o nosso é escolher.

14 janeiro 2006

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No “Fugas” de hoje perguntam aos candidatos à presidência quais os vinhos que preferem. Cavaco Silva, obviamente, não bebe vinho.

Só bebe leite magro e não fuma, come fruta e fibras, saladas verdes e couves, mas não come doces, nada que tenha ovos e açúcar, por causa do colesterol. Nada 3 km por dia, (no rio, claro!) corre 5, também por dia, em passo seguro e ligeiramente marcial, sobe sempre as escadas e não precisa de cobertores.

Não perde tempo a ler ou a ver televisão, emprega-o a analisar contas e a avaliar os conhecimentos económicos dos seus adversários. Não boceja, não se aborrece e, à noite, põe o manto de super-homem e sobrevoa o país para o poder salvar, no dia seguinte.

Só se lhe conhece um ligeiro defeito, ou dois: algures na sua infância, bebeu leite azedo e rilha os dentes sempre que vê Santana Lopes.

Ah, esqueci-me: ele não dorme, pensa, sempre no nosso bem.

Ainda as escutas

Outra hipótese: o/a funcionário/a da PT deu o arquivo em Excel com todos os telefones pagos pelo estado porque não esteve para se maçar a enviar apenas o que foi pedido – dava muito trabalho; quem pediu expressamente a ficha em formato electrónico fê-lo apenas porque é moderno e tecnologicamente muito avançado; o arquivo com o que não interessava ao processo não foi destruído porque, quando chegou, já não tinha préstimo para a acusação; só agora foi revelado aos jornais porque há uma hipótese, ventilada não sei por quem, de que há o perigo de Cavaco Silva, caso seja mesmo o nosso próximo presidente, também não querer demitir Souto Moura.

Tudo isto me foi dito por uma colega de trabalho. Se calhar… Não sei o que será mais triste, se estarmos em défice democrático, se estarmos em défice de excesso de burrice, negligência e incompetência!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...