
O Minotauro / O Ditador
1937
Tem sido muito rápido, o retrocesso civilizacional. Em poucos anos Portugal, um país de imigrantes, decide prescindir da Constituição, dos valores humanistas e da ética, tudo a que se comprometeu com a assinatura dos tratados que se interligam para uma sociedade de igualdade, de liberdade, de direitos humanos.
O que se tem passado em relação à discussão da lei da nacionalidade e dos estrangeiros, nunca se perdendo a oportunidade de associar emigrantes a violência e criminalidade, de induzir a distinção entre emigrantes ricos e pobres, entre etnias, etc., é a escalada da extrema-direita, que vamos assistindo a impor e manipular o espaço público, com a conivência dos media, que se transformaram todos em tablóides.
Trump deu o tiro de partida. O mundo a que chamamos civilizado abriu as portas aos sentimentos larvares de nacionalismo ultramontano, xenofobia, racismo e misoginia. Por todos os países esta ideologia alastra como fogo. Temos de o reconhecer e dizer sem medo, que o pudor e o horror aconselham. Não há que ter pejo em reafirmar a falsidade de todos estes discursos, ignorantes, fascistas, ultra-conservadores.
Não há dados que sustentem as percepções? Não faz mal, as percepções transformam-se em factos. Toda a retórica da extrema-direita vai minando, a pouco e pouco, a comunidade. Quem assim não pensa, remete-se ao estupor pelas ameaças explícitas de quem quer voltar à idade média.
Hoje atingiu-se um novo patamar. No Parlamento (a partir dos 50:00), o inominável presidente do partido de extrema-direita referiu (a partir dos 52:04), de forma desrespeitosa e desprezível, nomes de crianças de uma escola pública, dizendo alto e bom som, que "são zero portugueses", após Pedro Delgado Alves ter nomeado grandes portugueses, mesmo que o não fossem de origem. O rancor, o ódio, a boçalidade, a grosseria, a alarvidade destes representantes do povo, são assustadores.
Mesmo que a maioria afirme e defenda um caminho, não é isso que lhe dá razão, que o diga Galileu Galilei, quando ameaçado de morte pela Santa Inquisição, ao defender que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário.
Como disse Pedro Delgado Alves, um monstro foi acordado. Todos são responsáveis, os que o alimentam e os que se calam.
A História repete-se, inexoravelmente.
Quando a barbárie se veste de discurso político, nunca é demais escutar a História.
ResponderEliminar"El sueño de la razón produce monstruos", já ilustrava Goya em 1799. A natureza humana continua convenientemente dominada pelo seu lado animal e irracional, onde apenas a lei do mais forte impera inabalada desde sempre. Os que jogam limpo são espezinhados pelos que jogam sujo, porque o jogo está viciado desde o início, onde a ilusão de livre-arbítrio mantém adormecidos os que não concordam com as regras, como gatos de Schrödinger mortos-vivos no terrível medo de arriscar a sair da caixa.
ResponderEliminarOs portugueses devido ás sucessivas crises internas no país tiveram que imigrar lá para fora, não para um local especifico mas para esse mundo fora.
ResponderEliminarO que se passa agora em Portugal é muito diferente (e talvez inédito), está todo um mundo a vir para cá e sem qualquer controlo, quantas pessoas é que acha que o país aguenta receber, qual é o limite?
Bom dia
ResponderEliminarGostaria de saber que dados suportam essa afirmação ("está todo um mundo a vir para cá e sem qualquer controlo") e quais as fontes onde os recolheu. Gostaria ainda de saber qual a diferença entre andar pelo mundo, e escolher um só país. Há comunidades de portugueses por todo o mundo, resultado de emigrações de pessoas que fugiram à fome, ao desemprego e à ditadura.
Bom está nas noticias, se pesquisar no google, mas posso fazer um resumo.
ResponderEliminarDizem que estamos a caminho dos 2 milhões de imigrantes, sabe-se que nós lá fora (por todo o mundo) temos cerca de 1.8 milhões de emigrantes, logo aqui há uma enorme diferença não foi de um dia para o outro que se chegou a esse valor, foram necessários 65 anos desde 1960, e essa emigração aconteceu exatamente pelo que referiu.
Com a imigração foi tudo muito rápido, no espaço de 6 anos, e que se saiba não são da ucrânia por causa da guerra, ou da palestina, ou de outros locais onde há litígios, é de onde calha e de várias dezenas de países diferentes, com culturas e línguas completamente diferentes.
E o sem controlo, porque não se sabe o que vêm para cá fazer, poderia haver uns estádios para construir como foi no euro 2004, mas que se saiba não é o caso.