21 maio 2023

Na Veneza do Languedoc

A caminho de Sète passámos por Montpellier, onde se fundou uma das mais antigas e prestigiadas Faculdades de Medicina do mundo medieval. Cidade no caminho de muitos peregrinos para Santiago de Compostela, foi também refúgio de judeus fugidos de Espanha e ponto de encontro e passagem de muçulmanos, dando-lhe uma multiculturalidade pujança religiosa e científica, em que a liberdade de ensinar e aprender foram precoces e determinantes.


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Passeámos um pouco pela cidade velha, demos uma voltinha pelas várias zonas pedonais, desembocámos na Place de La Comédie, depois na Place Jean Jaurès (com a sua estátua), fundador do L'Humanité e um dos fundadores do Partido Socialista Francês, defensor de Dreyfus, para além de muitos outros acontecimentos que protagonizou, tendo sido assassinado através de uma janela de um café.


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20230514_120611_1.jpgMontpellier tem na sua História figuras como Nostradamus, muito em voga quando é preciso justificar teorias mais ou menos conspirativas e misteriosas, como o fim do mundo, através das suas Profecias, e Jean Moulin, um herói da Resistência francesa (apenas para citar dois).


Do almoço não reza a História. Sète, a cidade dos canais - Canal du Midi, Canal du Rhône, que se ligam ao Mediterrâneo e formam a Bacia de Thau. A localização do seu porto é estratégica para comércio e viagens entre Marrocos e a Europa. Através dos seu canais há pontes que se desviam ou que se elevam para passagem dos navios de grande porte.


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ponte atravessada.jpgO Hotel em que ficámos estava muito bem localizado, mesmo em cima do Vieux-Port. Mas era de tal forma minúsculo - cama, casa de banho com privé de um lado, qual cela de prisioneiro no fundo de uma caverna, que mal tinha espaço para nos sentarmos com a porta fechada, e uma cabine de duche aberta para o quarto, para além de uma selha que servia de lavatório. Enfim, em vez de quarto com casa de banho era mais uma casa de banho com cama!


Fomos passeando pelo Vieux-Port, deambulando pelos canais, que fazem desta cidade um local muito simpático. Como sou fã de uma série policial francesa (Candice Renoir), é fácil imaginá-la perseguindo assassinos pelos canais, nas suas roupas cor-de-rosa e com toques de telemóvel sempre diferentes, subtilmente alterados pelos seus filhos gémeos.


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Jantamos muito bem, comendo ostras e sopa de peixe, uma delícia destas paragens.


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20230514_183442.jpgSabor de mar, não há dúvida que viver à beira de água inunda o espírito de azul.


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