03 janeiro 2021

Populismo - aqui vamos nós

Foi verdadeiramente hercúleo o esforço que fiz para assistir ao inacreditável espectáculo de ontem, na TVI, em que um paineleiro futebolístico, uma pseudo moderadora de debates e um candidato a Presidente, tentando manter a todo o custo uma postura minimamente educada, ocuparam 30 minutos da mina atenção.


Um vómito é a forma mais rigorosa de descrever o que fui sentindo.


Arruaceiro, mal educado, populista, o inacreditável Ventura falou aos gritos por cima de tudo e de todos, lançando as mais famosas e, infelizmente, populares frases das tertúlias de cafés, viagens de táxis e estádios de futebol, caseiros ou públicos.


E é este um exemplo de candidato presidencial. É este um dos indivíduos que quer chegar ao poder:



  • Não gosta desta Constituição - mas, se fosse eleito, teria que jurar defendê-la, cumpri-la e fazê-la cumprir.

  • Achincalha os cargos dos representantes eleitos pelos cidadãos - como ele próprio - chamando-lhes inúteis, ao pretender reduzir para 100 o número de deputados, com o fantástico argumento de que não são necessários. Ele é mesmo um exemplo disso.

  • Cavalga a onda anti-políticos ao dizer que quer reduzir o ordenado dos deputados e dos detentores de cargos públicos, como se fossem muito bem remunerados. Aliás, defende a exclusividade da função de deputado, mas acumulou vários salários.

  • É um mentiroso compulsivo, dizendo e desdizendo-se a toda a hora.


Não deveríamos ter que perder tempo com semelhante pessoa mas, infelizmente, ele aí está. Ainda por cima todos os outros deputados o estão a levar ao colo, ao deixarem que use e abuse do seu auto satisfeito estatuto de vítima, quando o impedem de suspender o mandato de deputado para fazer campanha. Por muito que custe ouvi-lo, fazer com que branda o argumento de que o tentam calar é a forma mais rápida de lhe angariar o rótulo das verdades que eles não querem deixar o povo ouvir.


Triste e assustador. Pensávamos que estávamos imunes a este fenómeno, mas não estamos. O PSD e o CDS a caminho da irrelevância e o crescimento do Chega, são um destino que só evitaremos se tivermos grande capacidade de desmentir e desmontar tudo o que diz e representa - o pior que há em cada um de nós e na sociedade que formamos.

3 comentários:

  1. Nenhum dos candidatos que menciona são democratas. Fazem, apenas, parte do folclore da democracia.

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  2. Anónimo21:28

    Como diz um ditado chinês,
    “não discutas com um idiota, ele arrasta-te para a lama e aí ganha-te aos pontos”

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  3. Manuel Torres13:01

    Concordo, absolutamente! É o "folclore da democracia"... E não só, pois tem de se evitar, a todo o custo, que a democracia seja " ... a liberdade para eleger os nossos próprios ditadores!"
    ManucTorres

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