28 setembro 2020

Fuga aos impostos

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The New York Times


Será que os americanos dão mais importância à fuga aos impostos que a todas as outras misérias de Trump?

Neurótica, eu?

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Neurótica, eu?


Nem pensar. Estou calma e serena, aliás como sempre.


É claro que toda esta situação é desafiante, mas estamos à altura dos acontecimentos.


Tenho mantido uma distância confortável dos telejornais, comentadores e programas de (des)informação, tal a vontade de usar todos os métodos de tortura conhecidos e desconhecidos em todos os que me aparecem pela frente, perorando sobre vírus, medidas de saúde pública, estatísticas de infecções e óbitos.


Também me tenho poupado a tudo o que nos mostre como esta experiência nos melhora e enriquece, principalmente no vocabulário vernáculo e na criatividade com que se procuram projécteis à mão de semear.


Estou portanto a evoluir no sentido positivo de alguém que vê fantásticas oportunidades no obscurantismo e na histeria das redes sociais, na ignorância e demissão dos nossos jornalistas, na mediatização da insanidade.


Neurótica, eu?


Nem pensar!

26 setembro 2020

Presidenciais 2021 - Ana Gomes

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Muito me separa de muitas posições e opiniões de Ana Gomes. Mas aplaudo a sua candidatura presidencial.


Nunca acreditei na candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Depois não acreditei na sua vitória. Depois espantei-me com a sua capacidade de serenar, apaziguar e descrispar a nossa sociedade e da forma como prestigiou o cargo presidencial após a desgraça fúnebre do Excelentíssimo Aziúme.


Mas Marcelo Rebelo de Sousa tem tido ultimamente intervenções, das demasiadas que ao longo do mandato se multiplicaram, em que se esquece (verdadeiramente ou estrategicamente) que não é para comentador nem para professor que o cargo de Presidente da República existe.


É indispensável que haja debate político. Ana Gomes é muito bem vinda.

Just Breathe


 


Yes I understand
That every life must end
As we sit alone
I know someday we must go


Oh, I'm a lucky man
To count on both hands
The ones I love
Some folks just have one
Yeah, others they got none


Stay with me
Let's just breathe


Practiced on our sins
Never gonna let me win
Under everything
Just another human being


Yeah, I don't want to hurt
There's so much in this world
To make me bleed


Stay with me
You're all I see


Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
What if I did and I'm a fool you see
No one knows this more than me
'Cause I come clean


I wonder everyday
As I look upon your face
Everything you gave
And nothing you would take
Nothing you would take
Everything you gave


Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
What if I did and I'm a fool you see
No one knows this more than me
'Cause I come clean


Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'til I die
Meet you on the other side

Pandemia

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Não ficámos melhores nem mais solidários nem mais atentos nem mais espirituais. Não ficámos mais calmos nem mais produtivos nem mais descansados. Não encontrámos a resposta ao vazio nem solução para a desilusão nem cura para a ansiedade.


Ficámos mais medrosos mais preconceituosos mais cobardes mais descrentes mais tristes mais sozinhos mais abandonados mais presos. Estamos mais pobres.


Encerrámo-nos nas nossas certezas e olhamos os outros como ameaças. Corremos as cortinas temendo a contaminação das ideias das dúvidas dos corpos dos excessos. Transformámos o exíguo em desmando. Avaros de ternura e de entrega.


Não. Não estamos melhor. Estamos muito pior.

16 setembro 2020

Assepsia

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Lonely Tree, Lonely People, The Tree Hugger Project


Agnieszka Gradzik & Wiktor Szostalo


 


Arrancaremos da pele esta penugem


ninhos de impurezas parasitas


mesmo que amaciem de ternura


abraços e quenturas de amantes.


Lavaremos da cor e da saudade


os olhos que de lágrimas dispersas


atentam ao sorriso disfarçado


que as rugas já não podem esconder.


 


Seremos puros e lisos como o sol


queimados de tantas luas solitárias


esbeltos e eternos imolados


em estacas de ócio e de tristeza


sem raízes sem pó e sem ninguém


que segure o infinito que habitamos.

13 setembro 2020

Lampiões

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Não sei o que se passa com os candeeiros. Não alumiam. Não percebo porquê. São os mesmos há trinta e tal anos e deve ser por isso. Foram perdendo vigor.


O que é um enorme aborrecimento porque ler está a transformar-se num exercício de grande exigência. Inclino-me para o candeeiro para iluminar a página, afasto o livro e levanto o queixo, tentado usar a progressividade dos óculos. O livro fica de novo na sombra. Tiro os óculos e tento usar a miopia não corrigida.


Viro e reviro o candeeiro mas ele de mortiço não passa.


Acho que vou ter que comprar uns lampiões para colar ao lado da cama, que se transformará num óptimo banco de jardim.


Ou então ler ao microscópio.


 

12 setembro 2020

Manto

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Cloak of Conscience


Anna Chromy


 


Não dei por ele. Este manto de tristeza


que me vai afogando. Como água lamacenta


que alastra. Uma nódoa de sono. Uma infinita


cama de grades. Não dei por ela. Esta lassidão


da desistência. Sopro.


E não desaparece.


 

01 setembro 2020

Casulo

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Graça Morais


 


Acordei com as dores dos pássaros


asas sem voo pesadas de azul.


A casa como casulo de insectos


nas metamorfoses do silêncio


enrolados e secos de humanidade.


 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

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