
Outro dia deram-me várias laranjas, tangerinas e abacates, com os seguintes avisos: tudo biológico, natural e sem químicos; as tangerinas muito boas, as laranjas um pouco ácidas e os abacates à espera de amadurecerem.
Depois de ter provado as tangerinas, de facto deliciosas, olhei para as laranjas e decidi fazer um bolo, iguaria apreciada cá por casa. Procurei receitas na internet e aí vou eu, de mangas arregaçadas e espírito de exímia pasteleira, acompanhada do ralador e do espremedor de citrinos, confeccionar a iguaria. No entanto, depois de aturadas e apuradas buscas na dispensa, concluí que faltavam alguns ingredientes essenciais: farinha, fermento e açúcar branco.
Mas os 5 ovos já estavam numa taça com a raspa e o sumo de 2 laranjas, para além de 1 chávena de chá de óleo. Nada de pânico, disse o grilinho da minha cabeça. Reuni tudo o que podia substituir a farinha, no caso farinha de linhaça dourada, farelo de centeio e coco ralado, os ingredientes que a minha PT acha adequados à minha parca alimentação, e consegui encher as 2 chávenas de chá que se impunham; o açúcar amarelo fez as vezes do branco (também 2 chávenas de chá) e o bicarbonato de sódio (1 colher de café) tomou o lugar do fermento.
Podem crer que está muito bom, húmido e peganhento, um monumento à gula, totalmente biológico, nutritivo e saudável!
Nota: a azul estão os ingredientes da receita original.
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