24 setembro 2016

Na porta ao lado

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Philippe Guillerm


 


 


É na porta ao lado que se ouve o sino


no alto da corda pendente da memória. Mas ao lado


há murmúrios e meninas


que se lamuriam ao piano. Doces dedos


que lambuzam a tristeza, sem tragédias nem verdadeiros


troncos de fome ou prazer.


 


É na porta fechada que se discutem os mundos avessos


da vida que sem saber vamos acrescentando de miséria.


Aquela angústia de um tempo desperdiçado e sublime


que se esgueira pelo olhar que colamos


ao lado da porta.


 

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