02 abril 2016

Dos fundamentos democráticos

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Activistas angolanos condenados


 


É natural que militantes, simpatizantes e votantes no PS estejam incomodados com a ideia de se coligarem, mesmo que apenas a nível parlamentar, com o PCP. Por muito que queiramos ignorar a realidade, o PCP não é um partido que se reveja nos fundamentos de uma sociedade democrática. E o resultado, na Assembleia da República, dos votos de condenação pela forma como o regime angolano trata os seus dissidentes políticos, é bem o espelho da incapacidade do PCP aceitar a liberdade de expressão de pensamento, o debate de ideias, o confronto oposicionista, enfim, a democracia.


 


Mas mais espantoso ainda foi a votação de partidos que apregoam as suas raízes democráticas como o PSD e o CDS. De um oportunismo difícil de qualificar, deram passos de gigante no distanciamento entre eleitores e eleitos e no descrédito a que são cada vez mais votados os regimes democráticos.


 


Verdadeiramente lamentável.


 

5 comentários:

  1. Jaime Santos17:37

    Daniel Oliveira fazia notar na edição desta semana do 'Eixo do Mal' que a atitude de cada um destes partidos em relação às duas resoluções era perfeitamente previsível, exceto a do PS. No passado, só o BE levantou a voz relativamente aos abusos do regime angolano. E claro, o CDS e Portas em tempos idos em que nos fazia crer que tinha uma consciência. Agora não, decidiu dedicar-se aos negócios e à criação de empresas. Mas, se o PCP votou ao lado da Direita e a Direita ao lado do PCP, é preferível a companhia deste na 'Geringonça' do que ter o PS a fazer fretes à Direita...

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  2. Extraordinário como conseguiu arranjar maneira, com argumentos incompreensíveis, colocar o ónus no PS, depois de (mais) uma demonstração do que entende por democracia e liberdade de expressão. Era preferível não tentar justificar o injustificável.

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  3. Jaime Santos00:07

    Peço-lhe desculpa. mas acho que não percebeu o que eu quis dizer. Considero, tal como Daniel Oliveira, a atitude do PS louvável, contrariamente ao que foi a sua atuação no passado, em que foi tão timorato como os restantes Partidos em relação ao regime angolano, BE excluído. E considero o que se passou na AR uma vergonha, cortesia da coligação negativa CDS+PSD+PCP (veja o que escrevi no 'Abencerragem' há dias sobre isto). Mas, como essa estranha coligação mostra, a subserviência em relação ao poder de Angola tem menos a ver com o carácter democrático ou não-democrático dos Partidos, e mais com o medo que eles têm em relação ao MPLA (por diferentes razões). Agora, repito-lhe a pergunta que fiz: considera melhor que o PS, que parece ter princípios e começa a mostrar alguma espinha dorsal nesta matéria, se coligue com o PCP (e a nota diplomática do MNE que Costa leu na AR foi uma fina bofetada de luva branca no regime angolano e um aviso de que daqui para a frente as coisas podem não ser 'business as usual') , ou que este fosse antes servir de muleta a um Governo da Direita dos interesses, sem princípios, e que procederia exatamente como o PCP em certas matérias? P.S. Já agora, pergunto-lhe também onde é que eu algum dia defendi outra coisa que não fosse a liberdade de expressão e a necessidade de dispormos de uma imprensa plural (que não dispomos no momento)? Certamente que não neste blog, nem em lado nenhum...

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  4. De facto não devo ter percebido o que quis dizer, ou o Jaime Santos não se terá expressado da melhor maneira. Quanto à minha opinião sobre este governo já a tornei pública mais de uma vez. Sou crítica e céptica, mas assisto esperançada a esta solução, que só foi possível precisamente pela inusitada e inesperada abertura do PCP. Mas isso não exclui tudo o resto que escrevi. A posição do PCP, assim como a dos partidos da direita, são bem demonstrativas da falta de cultura democrática e de oportunismo político.

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  5. Jaime Santos22:27

    Sim, conheço a sua opinião relativamente à coligação de Esquerda, mas não me parece que neste caso o PCP se demarque dos restantes Partidos na AR, com exceção do BE. Quem se demarca em relação à sua posição anterior é o PS e isso é uma boa notícia (e dezassete dos seus deputados não seguiram a indicação de abstenção da direção de bancada relativamente à moção do BE, tendo votado a favor, o que ainda abona mais a seu respeito). Aconselho-lhe, se ainda não os leu, os artigos de Pacheco Pereira no Público e do próprio Oliveira no Expresso deste fim-de-semana. Eles mostram que até agora, pelo menos, a cultura dos negócios se tem sobreposto à cultura democrática nos partidos do 'arco da governação'...

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