14 outubro 2015

Das funções institucionais

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A confusão que Cavaco Silva permitiu que se armasse está lançada. Não nos esqueçamos que foi Cavaco Silva que avisou que só daria posse a um governo com maioria absoluta.


 


António Costa está a fazer exactamente o que deve - encontrar uma solução alternativa para um governo que pode querer chumbar na Assembleia da República. O que não significa que a coligação não deva tentar passar o seu orçamento e o seu programa no Parlamento. É aí que os governos se fazem e caem.


 


Ou seja, aguardo que o Presidente indigite Passos Coelho a formar governo para poder assistir à assunção de responsabilidades políticas de todas as forças parlamentares.


 


Não vale a pena argumentarmos que quem votou no PS não votou numa aliança PS/PCP/BE. Na verdade também não votou numa aliança CDS/PSD/PS, muito pelo contrário - António Costa avisou que não aceitava a ideia do arco da governação limitado ao PS, CDS e PSD. Além disso as motivações dos votos não são interpretáveis. As negociações e os compromissos deverão ser feitos com a realidade dos deputados eleitos.


 


Penso que convém mantermos a serenidade tanto à esquerda como à direita. O PS está a fazer o que deve. Espero que o Presidente também assuma as suas responsabilidades e nomeie Passos Coelho como Primeiro-ministro. Caberá à Assembleia da República decidir os compromissos e as maiorias que quer. E se não for possível a solução de um governo minoritário da direita com apoio parlamentar do PS, então deverá ser tentada outra solução à esquerda, caso ela exista.


 


Não me esqueci do passado bastante recente dos dois partidos à esquerda do PS, a esquerda grande, pura e dura, com raízes e posturas antidemocráticas. Mas quando finalmente esses mesmos partidos desenquistam e percebem que têm que evoluir, não me parece lógico não acolher essa alteração. Com cautela e exigindo um verdadeiro compromisso, mas de boa fé.


 


Passos Coelho ficou de tal forma estupefacto que demorou a reagir. Neste momento é claro que rompeu as negociações, recusando-se a responder às perguntas do PS. Terá que ir a jogo, no Parlamento.


 


É isto a democracia: quem ganha as eleições deve tentar formar governo - o Parlamento é soberano.

1 comentário:

  1. Anónimo10:25

    Exactamente...O ponto é que se tem dado como adquirido que os Partidos de matriz democrática SÃO DONOS dos votos dos seus DEPUTADOS.Como Francisco de Assis vai esclarecer. E não são,ou então a Democracia "foi por água abaixo". Abstraindo de 2 ou 3 COMPROMISSOS (orçamento,moções de confiança,e pouco mais...) os deputados dos partidos do "arco democrático"--isso mesmo--votam de acordo com a sua consciência.Nem é preciso tornarem-se dissidentes...Basta FALTAREM às votações em que a disciplina partidária,essa ENTORSE à CRP vá contra a sua leitura do Interesse dos cidadãos. O PCP(+) e o BE podem,mas o PS não pode estar seguro de que a sua bancada VOTE MONOLITICAMENTE...Ou então,TAMBÉM não faria parte do ARCO DEMOCRÁTICO.
    Cumprimentos,"kyaskyas"

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