04 julho 2015

O indizível susto da democracia (3)

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Tsipras recuou nos seus propósitos democráticos de dar a oportunidade aos gregos de decidirem se aceitava ou não os novos (velhos) dictates dos donos disto tudo. Afinal a democracia poderia ser adiada de novo. A voz do povo só seria uma afirmação democrática se respondesse afirmativamente às necessidades da sua posição. Em vez de manter o desafio, Tsipras tudo tentou para que o referendo fosse chumbado.


 


Realmente os heróis já não moram cá, nem em Bruxelas nem em Atenas, muito menos em Lisboa ou Madrid. Com a convocação do referendo, o governo grego tinha desafiado os poderes não democráticos com a essência do exercício da legitimação do poder e a Troika ressentiu-se, com a retórica a clamar pelo reinício das conversações. Mas a fibra de Tsipras é outra - perante a hipótese de ter que se demitir caso ganhe o "sim", preferiu dar o dito por não dito.


 


Voltámos portanto à estaca menos mil, menos milhões - a força está, de novo, do lado da direita europeia, do FMI e da total ignorância irresponsável das Instituições Europeias.


 


Os Heróis são verdadeiramente personagens míticas e inexistentes. O objectivo do referendo deixou de existir, Tsipras traiu aquilo que, com a decisão de referendar a assinatura do acordo, dizia defender. Após uma vitória do "sim" terá que haver uma demissão do governo grego e novas eleições. Se o "não" vencer, Tsipras perdeu toda a credibilidade e toda a força negocial.


 


Vivemos no tempo da mediocridade e dos chacais, no tempo das desilusões sistemáticas e da destruição de tudo o que sempre pensámos com bases de sustentabilidade de uma sociedade decente.

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