A forma como, nos últimos tempos, a nossa justiça tem funcionado, é exactamente ao contrário do que se apregoa: é-se inocente até se provar a culpa. O que se tem passado, com as fugas de informação cirurgicamente escolhidas, com os procedimentos que se não cumprem, com o desprezo pelo direito das pessoas à dignidade e ao bom nome, é o oposto - são os cidadãos que têm que provar a sua inocência.
Em relação aos poderosos e, mais especificamente, aos políticos, ninguém se consegue inocentar completamente aos olhos da opinião pública. No caso de José Sócrates a presunção de inocência é mesmo só retórica - a condenação é já uma certeza. E se, ao fim dos anos que durará todo este caso se não conseguir provar nada, a conclusão será que, mais uma vez, os poderosos, ou mais precisamente os políticos, estão sempre acima da lei.