10 julho 2013

E ao quarto dia...

 



 


E ao quarto dia Cavaco Silva falou. Finalmente teve uma intervenção importante e significativa.


 


A sua decisão foi, digamos assim, salomónica. Por um lado, não quer eleições agora pois considera que será um descalabro no que diz respeito aos mercados e à troika. Por outro lado não aceita a remodelação governamental e assume que este é um quadro parlamentar a prazo e que, portanto, terá que haver eleições antecipadas.


 


A ideia de chamar os três partidos que assinaram o memorando para um compromisso que possibilite o seu cumprimento, pelo menos uma base mínima de acordo até ao fim do programa de assistência, é uma forma de não deixar o PS descolar do próprio memorando e de obrigar o PSD e o CDS a ceder no fundamentalismo com que ministra o seu muito particular entendimento do mesmo. Também acredito que um compromisso entre PS, PSD e CDS poderão dar mais força negocial a Portugal perante os nossos credores.


 


Penso que o PS pode aproveitar esta oportunidade para esclarecer o que considera possível cumprir e de que forma, revelando quais as medidas concretas que propõe em alternativa às desta maioria.


 


Penso que temos todos a noção do impasse existente e da incógnita perante a falta de uma real alternativa ao governo. António José Seguro (que deve estar sem saber o que fazer), apesar de ter já defendido eleições já, pode perfeitamente, com a certeza da realização de eleições em Junho/2014, fazer um acordo que providencie um governo minimamente estável até à saída da troika (é também uma oportunidade para o PS fazer uma revolução interna, para que possamos começar a vislumbrar uma luz ao fundo do túnel).


 


Para variar acho que o Presidente fez bem, devolvendo a responsabilidade da resolução do governo aos partidos políticos e ao Parlamento. As declarações dos líderes partidários foram as esperadas. A lembrança de Alberto Martins de incluir os outros partidos políticos com assento parlamentar não faz sentido, visto que PCP e BE não quiseram discutir o memorando e não o assinaram.


 


Aguardemos portanto os brainstorming dos directórios partidários. A crise segue dentro de momentos.


 

2 comentários:

  1. pink09:51

    "Fritar Seguro ,já!"...é o seu desejo .
    Cavaco tb. quer assim...e frita dois ou três líderes de uma penada!


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  2. ACÁCIO LIMA11:44

    COMENTÁRIO AO POST "E AO QUARTO DIA..."

    O meu ponto de vista não coincide, no detalhe, com o expresso no post.

    a)- Cavaco Silva juntou mais um grave erro político ao seu desastrado curriculum político. Dá força a um Governo “Interino”, e de “Gestão”, criando um novo “calendário” de vida, para os Governos.

    b)- Como é evidente , o Partido da Tradição Democrática e Progressista, o Partido Socialista não pode aceitar qualquer tutela de um energúmeno reacionário, nem pode apoiar, nem participar num governo que destruiu o Estado Providência e enfraqueceu o Estado de Direito.

    c)- Como venho referindo, a crise política que se viveu e se continua a viver, é múltipla, e com três pólos

    - um centrado no Governo de Passos Coelho
    - outro centrado na Presidência da República
    - e um terceiro centrado nas Direções dos Partidos, todos eles sem uma Estratégia que faça face às mutações- económicas, financeiras, sociais e políticas- com outro patronato internacional controlando o “PODER”, registadas na última década.

    d)- Pelo referido, e atendendo a outras intervenções da Autora do blog, a substituição deste PR Cavaco Silva é premente, e importa carrear alguns quesitos a incluir no perfil do Candidato a Presidente.
    Assim:

    01- Alguém que vigorosamente adira ao primado da Democracia Representativa;
    02- Alguém que sem tibiezas trabalhe no reforço das “Liberdades, Direitos e Garantias, Individuais”;
    03- Alguém que combata os resquícios da doutrina corporativa, suporte do anterior regime, e que persistem na legislação e mente de muitos;
    04- Alguém que se norteie pela correção das desigualdades do rendimento;
    05- Alguém que contrarie em permanência o deficit de Qualificações;
    06- Alguém que não descure a correção dos desequilíbrios financeiros, na divida pública e no deficit orçamental;
    07- Alguém rigoroso na análise de todos os custos, incluindo os custos de contexto;
    08- Alguém que seja sensível a explorar bem o conceito de “Excedentes Gerados na Atividade Económica”, decisivos para engrossar as Prestações Sociais;
    09- Alguém que incansavelmente zele pelo acatamento dos Princípios Básicos do Estado de Direito, nomeadamente o da não inversão do ónus da prova, o do primado da presunção de inocência, o da separação de poderes, político, legislativo e judicial;
    10- Alguém que coloque, bem no centro de tudo, a luta pela Paz Mundial e pela Segurança Mundial, que o Projeto Europeu é paladino e garante.


    e)- No atual momento, a Divisão de Águas, na sociedade portuguesa passa pela realização de eleições legislativas antecipadas, já, já, já.

    f)- Cavaco Silva colocou-se do lado errado.
    Vários dos seus argumentos são incorretos e exigem dura crítica. Deixo tal para outro momento mas avanço já que o protelar-se Orçamento de 2014, teríamos um menor mal do que o presumível que o Governo Neoliberal vai apresentar e fazer aprovar.
    Refere Cavaco Silva que as eleições gerariam perda de confiança nos credores, Só que um Governo “Interino,” de “Gestão”, a “Prazo”mina muito mais a confiança.

    Bom Dia.

    Crise Política Múltipla.
    Apeando Passos Coelho, entalando Cavaco Silva até que ele se demita.

    Saudando o blog e a Autora nesta Sua caminhada contra Indignidade e o Conformismo.

    ACÁCIO LIMA

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