28 abril 2013

Das alianças

 


Em relação à política de alianças que o PS deve esclarecer, devemos ter em conta não só a necessária mudança dentro do PS mas também a indispensável alteração da prática e do discurso de Paula Santos (PCP) que, na sessão solene de comemoração do 25, na Assembleia da República, conseguiu dizer, perante os deputados eleitos pelo povo:


"(...) E mesmo após 37 anos de política de direita e de sucessivas subversões da Constituição, as forças da política de direita ainda não conseguiram aniquilar o património de liberdades e direitos conquistados com a Revolução de Abril. (...)"


 


É notório o respeito que este partido tem pelos valores de Abril e pela


"(...) luta da classe operária e dos trabalhadores, dos intelectuais, dos militares, dos comunistas e de todos os democratas, que pôs fim a 48 anos de obscurantismo, de opressão e de repressão, de tortura, de censura, da pobreza e miséria e de analfabetismo. (...)"


 


Pelo contrário, o discurso de Catarina Martins (BE) realçou porque é tão necessário relembrar o 25 de Abril e o contrato social que inaugurou:


(...) Foi essa crença em Portugal e nos portugueses, a ideia que o destino do país não estava confinado à mediocridade pobre mas remediada, que nos trouxe essa clara madrugada. Dizia Salazar em 1962, resumindo quatro décadas de isolacionismo, que “um povo que tenha a coragem de ser pobre é um povo invencível”. Foi este o fardo cultural quebrado por Abril. (...)


(...) A democracia mobilizou um país. Uniu-o, nas suas diferenças, em torno de dois ou três consensos que perduraram quatro décadas. Portugal não pode viver isolado, e abrimo-nos ao mundo; Portugal não está condenado ao empobrecimento, e construímos um estado social. Temos orgulho nisso. (...)


(...) O estado social tem o peso exato da nossa democracia. É imperfeito, como tudo na vida, e temos a ambição de que seja melhor e mais presente. Mas nunca passou pela cabeça de ninguém voltar atrás, desistir da dignidade, quebrar os consensos fundadores da democracia.


Até agora. (...)


(...) O estado social é o cimento da democracia, a coesão solidária que nos faz cidadãos. Porque a democracia não existe sem liberdade, e não há liberdade sem dignidade e sem igualdade, é a liberdade que esta direita coloca em causa. (...)


(...) Um povo condenado a ser pobre emerge novamente como discurso oficioso de quem governa o país. (...)


(...) E onde há desligamento entre o Povo e os governantes, a democracia congela e ressurgem todas as ameaças populistas: o discurso antipolíticos e antissistema, o desejo de soluções autoritárias milagrosas. Não deixaremos. Hoje, mais do que nunca, é preciso devolver a voz ao Povo português para que ele seja senhor do seu destino e inaugure uma nova madrugada. (...)


 


Apenas se tem falado do discurso de Cavaco Silva, mas vale a pena ouvir com atenção todos eles, nomeadamente o de Carlos Abreu Amorim que, a (des)propósito das assimetrias territoriais no desenvolvimento do país, conseguiu referir a imprescindibilidade dos consensos, palavra que o PSD e o governo descobriram nas últimas semanas. De facto, há muitos moluscos com carapaça na nossa realidade política.


 

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