17 fevereiro 2013

Recentrar na comunidade

 


Uma das reformas mais importantes a fazer no SNS é recentrar o atendimento em estruturas inseridas nas comunidades, retirando aos hospitais uma enorme quantidade de doentes, profissionais e custos que, direccionados para apoios domiciliários, de enfermagem e consultas de especialidades perto dos cidadãos, seriam bastante mais bem aproveitados.


 


A medicina moderna centra-se nas necessidades, prioridades e qualidade de vida dos indivíduos, personalizando as terapêuticas à uma determinada doença de um determinado doente. O esforço da investigação tem prosseguido o objectivo de disponibilizar medicação que possa ser efectuada pelas próprias pessoas, de forma a manterem o mais possível os seus afazeres sociais e profissionais.


 


Os custos de uma medicina cada vez mais sofisticada devem ser criteriosos, investindo-se na qualificação e diferenciação da carreira de Enfermagem, reconhecendo-lhes e validando competências que, em muitas circunstâncias, já exercem, pois são estes profissionais que administram a medicação, acompanham diariamente os doentes, observando, registando, monitorizando e avaliando efeitos secundários, esclarecendo dúvidas de familiares e cuidadores, apoiando psicologicamente os fragilizados em todo o processo patológico.


 


Não é possível manter doentes nos hospitais, num ambiente mais desumanizado, massificado, oneroso e ineficaz. Não se percebe a razão da ausência de consultas de especialidade de gastrenterologia, ginecologia, cardiologia, medicina dentária, pediatria, medicina física e de reabilitação, endocrinologia, e outras, nos Centros de Saúde, para diagnóstico e seguimento das mais diversas patologias, reservando-se os hospitais para os casos graves, de intervenções mais sofisticadas e delicadas, libertando os profissionais e os recursos para o que necessita de outros meios e de outro tipo de equipamentos.


 


Os avanços tecnológicos nas várias áreas, nomeadamente de informação, a melhor qualificação das pessoas e o desenvolvimento das especializações nas várias carreiras de profissionais de saúde deveriam ser incentivados e aproveitados a favor dos cidadãos, assim como na rentabilização e reorganização para a verdadeira e consistente sustentabilidade do SNS. Onde estão as propostas dos partidos da oposição, mais precisamente do PS, para esta função estatal?


 

3 comentários:

  1. ACÁCIO LIMA13:37

    COMENTÁRIO AO POST "RECENTRAR NA COMUNIDADE"

    00- Três notas soltas.

    01- Se são anotadas várias “Especialidades”, ocorro-me ainda que se deveria incluir a “Medicina Interna”, num contra ponto - “Especialização” versus “Generalidades Qualificadas”.

    02- Se a fase da “Racionalização” do “Uso de Infraestruturas”, foi crucial, na tutela de Correia de Campos, do meu ponto vista, impõe-se agora dar um Salto Qualitativo, para a “Racionalização” de top, das “Políticas de Saúde Pública”.

    03- Quanto à omissão por parte do actual Partido Socialista, de Propostas, não devemos ficar surpreendidos.

    Basta ler o “Documento de Coimbra”, no seu conformismo passadista, out das Mutações Políticas, Económicas, Financeiras e Sociais havidas na última década, não habilitando o Partido a exibir uma Estratégia para rumar para uma nova sociedade, que avança, e carece de ser formatada.

    Boa Tarde.
    Boa Semana.
    Cordiais e Amistosas Saudações de Muito Apreço

    ACÁCIO LIMA

    UM ABRAÇO DO
    ACÁCIO

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    Respostas
    1. Acácio, penso que a especialidade de Medicina Interna tem mais cabimento hospitalar do que nos Centros de Saúde, onde deverão estar os Médicos de Família. Esses deveriam ser os verdadeiros responsáveis pelos doentes, integradores de todas as intervenções por especialidades que, pontualmente, fossem necessárias. Obviamente que em Unidades de Saúde que compreendessem vários Centros e um hospital de referência na área, deveriam existir reuniões multidisciplinares entre os vários intervenientes, para um melhor atendimento dos doentes. Mas eu não sou especialista na matéria!

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    2. ACÁCIO LIMA14:56

      Caríssima Sofia:

      Da minha própria experiência, a "questão" que alude- "a integração"- é o busílis.

      Muito Obrigado.

      ACÁCIO LIMA

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