Às vezes parece que estes dias formam uma espécie de mundo à parte, uma ponte sobre a vida em que apenas as coisas doces e confortáveis existem. Gostamos de nos sentir assim, sem que a terra seca, as cidades poluídas, a miséria, o crime e a solidão nos assombrem.
Natal não é esse estado de levitação. Natal é haver grupos de pessoas que estão junto da noite e da tristeza, varrendo as cinzas e soprando a pouca poeira de luz, iluminando alguns cantos abandonados.
E nós, dentro dos nossos quentes agasalhos de afectos, nem sempre nos lembramos desses esquecidos anjos cansados e terrenos, com olheiras, mãos e palavras que curam.
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