10 junho 2012

Nevoeiro

 



Fernando Pessoa


 


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra


Define com perfil e ser


Este fulgor baço da terra


Que é Portugal a entristecer —


Brilho sem luz e sem arder,


Como o que o fogo-fátuo encerra.


 


Ninguém sabe que coisa quer.


Ninguém conhece que alma tem,


Nem o que é mal nem o que é bem.


(Que ânsia distante perto chora?)


Tudo é incerto e derradeiro.


Tudo é disperso, nada é inteiro.


Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


 


É a Hora!


 

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