A divulgação dos novos ministros deste novo governo foi, pelo menos para mim, uma surpresa. Como foi uma surpresa, agradável, a forma como decorreram as negociações entre Passos Coelho e Paulo Portas, rápida e confidencial.
O alívio pelo facto de Fernando Nobre não ser Ministro da Saúde é tão grande que até estou optimista. Outro ponto a favor do governo é o conjunto de gente nova, de que não se falava, que não se posicionava, que não eram a salvação da pátria. Felizmente não estão lá Eduardo Catroga, Bagão Félix, Miguel Frasquilho, Medina Carreira, António Barreto. Os nomes que pululavam pelos media, com excepção de Nuno Crato, ficaram de lado, e temos um governo de gente desconhecida.
Não tenho dúvidas nem esperança quanto ao rumo ideológico do governo. O SNS vai deixar de ser universal e tendencialmente gratuito, os cheques-ensino ou semelhantes vão aparecer, as privatizações da CGD, etc. vão acontecer. Mas em relação aos Ministros a minha atitude é de expectativa.
Paulo Macedo é uma incógnita na Saúde. Recebeu elogios de vários quadrantes políticos quanto ao seu trabalho como director-geral dos Impostos. De contas em ordem parece saber. Quanto ao resto, para além da Médis, não sei qual o conhecimento que tem sobre os problemas da saúde.
Quanto a Nuno Crato, ministro da Educação, Ensino Superior e Ciância, é uma desilusão, pela rigidez e conservadorismo.
Os ministros políticos - Miguel Relvas (Assuntos Parlamentares) e Miguel Macedo (Administração Interna) - eram (quase) inevitáveis. Paula Teixeira da Cruz (Justiça), Assunção Cristas (Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território), Aguiar-Branco (Defesa) e Mota Soares (Solidariedade e Segurança Social), são nomes fortes, com peso dentro dos respectivos partidos políticos. Vítor Gaspar, ministro de Estado e das Finanças, e Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia e Emprego, são desconhecidos do grande público e, portanto, nomes refrescantemente novos. Paulo Portas era incontornável - ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Estou duvidosa quanto à capacidade de Miguel Macedo ser capaz de fazer uma verdadeira e profunda reorganização administrativa. Fernando Nobre, espero, não será eleito como Presidente da Assembleia da República.
Enfim, temos pela frente quatro anos de política e de governo de direita. Que seja sério e a sério, que a oposição cumpra o seu papel de fiscalização, que se combata politicamente, que não se desfaça o que de bom se fez. Que tenhamos sorte. E que o PS se renove e construa uma alternativa de esquerda que possa vencer as próximas eleições.
Poste sóbrio e cordato.
ResponderEliminarMas será precisamente por isso que desconfio que não terá aproveitamento para as citações dos Abrantes.
Abrantes, não - Câmara Corporativa. Quanto ao resto, estou de acordo.
EliminarMuito bem, Sofia,
ResponderEliminar:)))
COMENTÁRIO AO POST DE SOFIA M. LOUREIRO DOS SANTOS- " O XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL"
ResponderEliminar01- Este Governo tem o ar de vir a ser o mais à direita, no pós “25 de Abril”.
02- A composição do Governo, confirma a bicéfalia do atual PPD, num desfasamento entre Passos Coelho e Cavaco Silva. Ausentes os “homens de mão” de Cavaco Silva.
03- A composição do Governo, quatro Ministros do PPD, três Ministros do PP, e, quatro Ministros ditos “Independentes”- não filiados partidáriamente, o termo que melhor retrata a situação- prefigura, pelo menos:
- que Pedro Passos Coelho perdeu, para Paulo Portas, a negociaçâo da Coligação;
- que Pedro Passos Coelho está longe de ter interiorizado os Princípios Básicos da Democracia Representativa, numa visão canhestra do Estado de Direito.
04- A opção por Ministros ditos, de pendor “Tecnocrata”, augura o pior:
Com um Programa de Governo que engendra múltiplos conflitos sociais, parece não haver, nem experiência governativa nem saberes, para lidar com situações de Crise Social.
05- A inclusâo de Nuno Crato, na Pasta da Educação, um urdido conservador, avesso aos avanços técnicos e tecnológicos, pronto a agir como na Inquisição, na “queima pública”, de Máquinas de Calcular e Computadores, augura o grande retrocesso na Reforma da Educação, (no reforço da “Qualificação”), pondo em risco a modernização da Estrutura Produtiva, que carece de um reforço no nível de Incorporação Técnica e Tecnológica e de Qualificações.
Poderemos estar à beira, de novo, da “Palmatória”, das “Orelhas de Burro”e do regresso a “Contar pelos Dedos”, nas Escolas.
06- A liquidação do Ministéro da Cultura, faz-me lembrar o antigo regime: “Sempre que ouço falar de Cultura, rapo logo de uma pistola”.
07- A perda de autonomia da zona da “Ciência” indicia um retrocesso gravíssimo na questão da “Investigação Básica” e na questão da “investigação Aplicada”. Fica em cheque a mutação da Estrutura Produtiva e da Prestação de Serviços de alto nível de incorporação técnica e tecnológica e grande valor acrescentado, nucleares para a Internacionalização da Economia e da Exportação, exigindo uma Competividade, só conseguida com potente “Investigação Aplicada”.
08- Associado à divulgação do elenco governativo, Passos Coelho veio referir que pretende uma Revisão Constitucional.
Mas acrescenta, numa manobra de antecipação e desculpabilização, que sem Alteração Constitucional não poderá levar à prática o seu Programa. Estamos, também, pisando o campo da Chantagem, “tout court”.
09- As escolhas dos Ministros das Finanças e da Economia recairam em gente próxima de Medina Carreira.
O “Catastrofista-Mor” do “Reino”, o “Arauto da Desgraça”. Sempre demolindo a Auto Estima das Portuguesas e dos Portugueses.
10- Curiosa a linha de previligiar a Agricultura, o único ponto de convergência de Passos Coelho com Cavaco Silva.
Provavelmente numa cedência, a contra gosto, a Paulo Portas, de Passos Coelho.
O “horror” aos “Trabalhadores Fabris”, no previligiar os “Rurais”, bem mais “dóceis”- grifado. Grifada toda a frase.
11- Mas gravoso, gravoso, foi a perda de autonomia da questões do “Trabalho”, não pelo valor simbólico, mas pela minimização, subjacente, dos “Direitos dos Trabalhores”, questão básica para Equílibrio e Justiça Social.
12- Este Governo, é uma “prendinha”, que temos de agradecer, aos Maximalistas e Populistas, do PCP, do Bloco e dos demais Detratores das Reformas.
Boa Tarde.
Bom Fim de Semana.
A LUTA CONTINUA.
Cordiais a Afáveis Saudações Democráticas e Socialistas
ACÁCIO LIMA
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ACÁCIO LIMA
ENGENHEIRO MECÂNICO E CONSULTOR TÉCNICO-ECONÓMICO
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