24 janeiro 2009

Até acabar

 



(Goya: o sono da razão)


 


Canso o corpo nos dedos

alugo almas medos

sorvo ar

até acabar.


 


Repito o abrir

e o fechar

sem portas

por onde entrar.


 


Canso o medo neste corpo

dedos e alma alugados

até acabar.


 

2 comentários:

  1. Bela escolha de gravado. Síntese do pre-surrealismo hispano, que apareceu mais ou menos em Atapuerca. O meu conterraneo, Don Francisco de Goya o exprimiu nas suas gravuras. O sonho da razão produz monstros. E o poema casa com a imagem.
    Como curiosidade, dizer que uma das primas copias de ésta gravura era propriedade do Tito... Em fim...

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    1. Obrigada, Eduardo. Goya foi um génio, assustador de tão realista quanto ao que temos cá dentro.

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