31 dezembro 2008

Celebremos os dias


(pintura de David R. Darrow: celebrate life)


 


Há muita gente a acotovelar-se e a competir nas horríveis previsões para o ano que vem. Pois eu espero que consigamos todos demonstrar que estão erradíssimos.


 


A todos desejo força e vontade para reverter os maus agoiros. Podemos começar por ter boa disposição, que não tem abundado, pelo menos por estas bandas. A partir de agora, sorriso de orelha a orelha que o riso e o amor fazem bem à saúde. Os inevitáveis balanços pesam sempre muito e hoje quer-se leveza.


 


Para todos, espero que 2009 seja melhor que 2008.


 

29 dezembro 2008

Gaza

Assistimos, mais uma vez, a uma escalada de violência israelo-palestiniana e, como é habitual, esgrimen-se argumentos a favor e contra cada uma das partes.


 


Tenho muita dificuldade em escolher um lado, em saber ou acreditar de que lado está a razão. Se Israel parece reagir exageradamente aos ataques do Hamas, matando civis, em que medida isso não acontece porque há mistura entre militares e civis? Se é verdade que o Hamas não cumpriu o cessar-fogo, até que ponto isso não foi apenas usado como desculpa para Israel atacar a Faixa de Gaza, ataque esse que já estaria a ser preparado há vários meses?


 


Os únicos inocentes neste conflito são aqueles que tentam viver a sua vida o melhor possível, em condições dramáticas, que gostariam de viver em paz, de alimentar e educar as suas crianças e de poder dormir sem medo de morrer. Palestinianos ou israelitas.


 

A derrota do Presidente

A maior parte dos comentadores olha para a situação criada pelo conflito entre o Presidente e a Assembleia da República como um braço de ferro alimentado por Sócrates e pelo PS, não se sabe exactamente com que objectivo.


 


Como já aqui defendi, eu penso exactamente o contrário. Houve uma aposta política de Cavaco Silva que resolveu, a propósito da aprovação do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, independentemente das razões que lhe possam assistir, criar um incidente institucional, querendo forçar a Assembleia da República a rever uma lei que tinha sido aprovada por unanimidade. Não tendo pedido a fiscalização do artigo que motivou o veto político, Cavaco Silva arriscou e perdeu.


 


Perdeu não por causa de Sócrates e do PS. Perdeu por causa de toda a Assembleia da República. Os partidos com representação parlamentar, embora protestando o seu acordo com o Presidente, votaram outra vez favoravelmente o Estatuto, com excepção do PSD. Este , com a incrível falta de credibilidade e de senso a que nos tem habituado, falou muito, muito, muito, a favor do Sr. Presidente, que tinha toda a razão, mas absteve-se na votação e deu liberdade de voto para votar a favor, mas não contra.


 


Ou seja, Cavaco Silva jogou politicamente e perdeu. Ao dramatizar a situação como o fez, na primeira comunicação e nesta última, falando inclusivamente do irregular funcionamento das Instituições, de grave revés para a democracia, de falta de lealdade institucional, e não tendo levado até ao fim essa posição com a dissolução da Assembleia da República, o Presidente prestou um mau serviço ao país.


 


Adenda: não deixa de ser interessante o afã de Santana Lopes em comentar...


 

28 dezembro 2008

Sem dimensão

A crise instalou-se mais nos nossos hábitos e consciências do que na nossa realidade, pelo menos naqueles que, como eu, são privilegiados.


 


Em vez dos lamentos e dos agoiros, dos sustos e dos discursos, deveríamos perguntar-nos o que poderá cada um de nós fazer para que os serviços públicos sejam melhores e mais eficientes, para que usemos mas não abusemos do estado, para que o nosso esforço possa dar oportunidade a quem ainda a não teve. Em vez de olharmos as nossas supérfluas necessidades como essenciais, deveríamos perguntar-nos como poderemos empregar esses recursos em prol de quem luta todos os dias para ter o mínimo.


 


Tanta roupa dentro dos armários, tantos sapatos, malas, agasalhos, tantos telemóveis que se substituíram porque há uns que fazem mais um trilião de coisas que desconhecemos e nunca vamos usar, tantos brinquedos amontoados com que ninguém brinca, tantos papéis, tantos sacos, tanta gasolina desperdiçada, tantos doces, tantas lautas refeições que nos amolecem e aumentam, à volta das quais tecemos aturados comentários sobre a crise que aí vem.


 


Estamos em crise dentro de nós próprios porque não vemos aqueles que precisam ser vistos, nem usamos a nossa sorte para melhorar a sorte daqueles que a não têm. E esta é uma crise que não tem dimensão nem previsão de término.

Passam


(pintura de Zoltan Szabo: wind dancers)


 


Passam vertiginosos rios espadas

arcos de vento

passam rasgando estradas desaparecidas

depressa

sem riscos nem vazios

passam vertiginosos rios de nada.


 

Indisciplina vs criminalidade

São graves a indisciplina e o sentimento de impunidade na Escola. Não se admite que alunos com 16 e 17 anos considerem uma brincadeira ameaçar a professora com uma pistola de plástico. Mais grave ainda é o sentimento de que, na realidade, foi um incidente apenas, desvalorizado por quem tem responsabilidades na Direcção Regional de Educação.


 


Mas a ideia de que todos estamos sob a ameaça da espionagem dos telemóveis, de que o que dizemos ou fazemos numa sala de aula, num consultório médico, numa conversa de amigos, num gabinete de advogados pode vir a ser transmitido no You Tube, que situações mais ou menos graves, cujas circunstâncias são desconhecidas pois só se discutem partes muito escolhidas de um todo, serão julgadas em praça pública, é assustadora e muito perigosa.


 


Não sei onde tudo isto poderá levar. Mas a mediatização de excertos de situações pode levar a histerias e distorções se calhar ainda mais graves do que os actos em si. É bom que não se confundam criminosos com jovens mal-educados e indisciplinados. É bom que as escolas não se transformem em prisões vigiadas nem as aulas em palcos de chantagens inqualificáveis.


 


A autonomia e a autoridade dos professores não se restabelecem transferindo essas competências para as polícias e para os tribunais.

Gripe

A afluência às urgências nesta altura do ano, por causa da gripe e de resfriados, causa o colapso da resposta hospitalar qualquer que seja o número de urgências e a quantidade de profissionais que as servem.


 


É uma questão de cidadania usar os serviços públicos com sensatez e sentido de oportunidade. Estas situações devem ser diagnosticadas e tratadas nos Centros de Saúde e em casa, deixando as urgências hospitalares desimpedidas para os casos de facto graves, como as complicações da gripe, traumatismos, enfartes, etc.


 


Vale a pena seguir as informações e orientações da Cristina, cujo blogue está a ser um verdadeiro serviço público.


 



 


 


 

27 dezembro 2008

Luz vaga

Não sei exactamente porquê, mas gosto imenso desta música.


 



 


Luz vaga, luz vesga, a tua cruz

Já não sai da cama, a minha luz

Da sala, do quarto


 


Pilha a palavra

Troca a quantidade, do assunto modal

A tensão está normal

O lábio fora da boca,

A boca fora do mal


 


Os teus olhos não são de gente

O teu ar foge para cima

Tens a perna no cimento,

Tens a mão no pensamento


 


Ciclope, cicloturismo

Na parte de fora, na nesga do abismo

Imaginário que remete, para onde ainda não fui


 


Convite ao Universo

Com a tua própria câmara

Fecho a luz num olho

Prego a tábua à sensação


 


Som da casa, quando não estás...


 


Dancei para te ver aqui,

eu sei que nada mais pode me ajudar

É do nono andar? Sim

Quis pedir ajuda, mas a língua estava morta

Sei lá! Parei de olhar,

tenho uma corda acesa, prestes a queimar

Não és capaz de me levar a sério.

Vou saltar em teu lugar.


 


Sei que nada mais pode me ajudar


 


Atrasa o passo

Leva o lenço à boca

Fica na mira do choque frontal

Não é doença, é um animal

Um ruído feito no acto de fingir

seres mau, mesmo a dormir


 


(Mesa - Rui Reininho)

Anos


 


Aos quarenta já soma sete. Quarenta e sete.




E que fez durante os dezassete mil cento e cinquenta e cinco dias da sua vida? Será que os aproveitou um a um? Ou que desperdiçou tempo e desejo, nervos e esperança?


 


Quarenta e sete. Nos próximos trezentos e sessenta e cinco dias estará atenta a que passem por si, cheios e satisfeitos, os trinta e um milhões, quinhentos e trinta e seis mil segundos a que tem direito.


 

26 dezembro 2008

Falta muito

Dei-me a mim própria um intervalo de cidadania para egoistamente me entregar aos rituais da época. Li apenas os títulos dos jornais online e os posts dos blogues habituais. Não me apetecia saber o que se passou no mundo e no país, porque o intervalo foi para mim, não para a vida de todos os dias.


 


Ainda bem que o fiz pois os atentados bombistas não respeitaram tréguas natalícias, a crise financeira global esqueceu-se do Menino Jesus e os nossos governantes, nomeadamente o Primeiro-Ministro, foi bem o exemplo do novo-riquismo consumista e exibicionista das nossas sociedades actuais.


 


Na sua mensagem de Natal congratulou-se com o que ele fez, com o que ele conseguiu, com o que ele projectou. Não houve palavras inspiradoras nem mobilizadoras, não houve reconhecimento de dificuldades, erros ou desvios. Apenas um discurso ritmado e publicitário, pré-eleitoral, sem a grandeza dos líderes que injectam esperança mesmo quando apenas se vêm muros, escolhos e armadilhas.


 


É em tempos difíceis que se deve olhar e ver acima das lutas partidárias, para além do deve e haver das partilhas dos lugares de deputados, das percentagens eleitorais, das maiorias com ou sem poder.


 


O poder serve para servir. Precisamos de governantes que nos inspirem confiança, que nos mostrem que somos capazes do melhor, mesmo nas piores circunstâncias, não de governantes que apenas se vejam a espelhos adulatórios.

Sem Palavras (5)

 


Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro


 


 



 

25 dezembro 2008

Have yourself a merry little Christmas

  



 


Have yourself a merry little Christmas,

let your heart be light.

From now on,

our troubles will be out of sight.


 


Have yourself a merry little Christmas,

make the Yule-tide gay.

From now on,

our troubles will be miles away.


 


Here we are as in olden days,

happy golden days of yore.

Faithful friends who are dear to us

gather near to us once more.


 


Through the years

we all will be together

if the Fates allow.

Hang a shining star upon the highest bough

And have yourself a merry little Christmas now.


 


(canta Katie Melua)

25 de Dezembro

Hoje deveria ser o dia das mães.


 


Das mães que acabaram de parir pela primeira ou pela décima vez, com todo o espanto, dor e carinho de sentir que uma pequena parte de si se enrosca, dorme e chora.


 


Das mães que acordam e ficam na cama apenas mais um momento antes de arrumarem os despojos da véspera.


 


Das mães que acordam os seus filhos pequenos ou já adultos, de uma noite em que os sonhos foram mais doces que o habitual.


 


Das mães que lavam, limpam, arrumam, cozinham, vigiam as conversas, os olhares, os que endoidecem e os que cambaleiam.


 


Das mães que não querem saber de Natais nem de Páscoas, das mães que amam, das mães demoníacas ou santificadas, das mães novas e velhas, das mães que nunca foram mães, das mães viúvas e das mães desesperadas, das mães dos filhos perdidos e mortos, das mães que esperam e que se cansam, das mães que temos ou já tivemos.


 


Hoje deveria ser dia de ser mãe.


 



(pintura de Salvador Dali: Quadros Bíblicos)

24 dezembro 2008

Canto


(pintura de Ed Curry: Christmas Tree)


 


Sempre nestes dias em que todos os segundos se preenchem com necessidades de quem tudo tem, apetece-me o silêncio a um canto do mundo, com nuvens e ausência de coisas. Assim tenho algum tempo de alma para lembrar os que nos dão, com o seu esforço, o seu estar, a sua generosidade, a sensação de que tudo está certo e seguro, a nós tão poucos que tão pouco sabemos ser.


 

23 dezembro 2008

Panis Angelicus

 



 


Panis Angelicus

Panis angelicus

fit panis hominum;

dat panis coelicus

figuris terminum;

o res mirabilis!

Manducat Dominum

pauper, pauper

servus et humilis.

pauper, pauper

servus et humilis.


 


Panis angelicus

fit panis hominum;

dat panis coelicus

figuris terminum;

o res mirabilis!

Manducat Dominum

pauper, pauper

servus et humilis.

pauper, pauper

servus, servus et humilis.


 


(César Franck; canta José Carreras)

Natal


(Salvador Dali: Quadros Bíblicos 66)


 


Caminhamos de mãos dadas

de mãos postas

de mãos nuas

caminhamos ao acaso

por acaso

por caminhos

demarcados

por destinos

arriscados.


 


Caminhamos sem temer

pois as tréguas

que queremos

estão na estrela

que seguimos

seja ela a razão

de moldarmos

os caminhos.

22 dezembro 2008

Musgo


(pintura de Kazuya Akimoto: Moss Wall)


 


Arrumamos a árvore a um canto

a sagrada família à lareira

no musgo sujo de terra

compomos as bolas de vidro

alisamos toalhas bordadas

fritamos o tempo e o pão

que oferecemos sem mágoa

àqueles a quem tudo sobeja.


 


Somos todos amigos ou não

nestes dias de comunhão

de máscaras novas e velhas

de tristeza sem razão.

Rituais

Bem, lá terá que ser, lá vamos nós a passos de gigante para mais um Natal.


 


Uma das coisas certas do Natal é que é igual, ano após ano, porque de tradições certas e seguras se fazem estas festas.


 


E assim é certo que há grandes confusões, negócios e diplomacia, da pura e dura, antes da noite da Consoada para se saber a distribuição dos vários membros da família.


 


Depois desse ritual anual passamos ao ritual de compras dos ingredientes para a comezaina. Mais uma ocasião de grandes negócios e mais diplomacia para ver quem vai buscar as filhós que, obviamente, só são maravilhosas se forem feitas pela avó, mas como a avó já não as faz só aquelas confeccionadas num determinado sítio, a centenas de quilómetros de distância, é que são quase iguais.


 


E recomeça a função: a encomenda das couves, a compra e o demolhar do bacalhau, ao qual se acrescenta uma cara de bacalhau que faz as delícias de um sofisticado cá do burgo, os 3 ou 4 pastéis de bacalhau para outro escravo da tradição, o grão cozido com a cebola picada e a salsa por cima, as batatas, a sopa de couve e massinha fininha, a parafernália das rabanadas, com o ovo, o leite, a fritura, a canela e o açúcar, a indispensável aletria com a massa de cabelo enrolado a partir-se e a espalhar-se por todo o lado, os sonhos que a avó faz aos quais sempre falta a calda de açúcar, canela e casca de limão, os figos com nozes, os pinhões e as passas de uva.


 


Para além, claro, dos vinhos: do vinho fino e dos licores da temporada. Este ano, após várias outras experiências, regressa o de café.
 


Para 1,5l de licor:



  • 1 chávena (de café) de café em pó

  • 9 decilitros de água

  • 250 gramas de açúcar

  • 5 decilitros de aguardente

  • 1 pau de canela

  • 20 dias de maceração (para mais, nunca para menos)


Faz-se café à antiga portuguesa. Ou seja - uma chávena de café cheia de café em pó num púcaro com 4 decilitros de água ao lume; ferve e mexe-se com cuidado para não vazar, até o pó depositar.


 


À parte - xarope com 0,5l de água e 250g de açúcar, ao lume a ferver durante 10 minutos. Depois de arrefecer - tudo para dentro de um frasco de boca larga com 2 paus de canela e 0,5l de aguardente vínica bem forte; tapar muito bem e deixar a macerar.


 


Ao fim de, pelo menos, 20 dias, tem que coar-se tudo (ou nos filtros de café, se houver paciência equivalente à de uma dúzia de santos, ou em panos de linho); engarrafar, rotular e beber!


 



 


 

21 dezembro 2008

Sem Palavras (4)

Sócrates vs Magalhães


 



 

The Christmas Song

 



 


Chestnuts roasting on an open fire,

Jack Frost nipping on your nose,

Yuletide carols being sung by a choir,

And folks dressed up like Eskimos. 


 


Everybody knows a turkey and some mistletoe,

Help to make the season bright.

Tiny tots with their eyes all aglow,

Will find it hard to sleep tonight.


 


They know that Santa's on his way;

He's loaded lots of toys and goodies on his sleigh.

And every mother's child is going to spy,

To see if reindeer really know how to fly.


 


And so I'm offering this simple phrase,

To kids from one to ninety-two,

Although its been said many times, many ways,

A very Merry Christmas to you.


 


(Ella Fitzgerald)


 

Natal tardio

Hoje deixei que entrasse um pouco de Natal nas minhas mãos.


 


Natal vagaroso e descolorido, este Natal de fim.


 


Deixei que me chegasse o Natal, e não sei que fazer dele. Talvez pousá-lo e esperar. Ainda faltam alguns dias para que o memorize, aqueça, presenteie.


 


Faz-me falta o azevinho, as bagas vermelhas e duras que se espalham pela mesa. Faz-me falta a alegria. Faz-me falta que o Natal me vista e me enfeite.


 



 

17 dezembro 2008

Atrás da porta

 



canta Elis Regina


 


Quando olhaste bem nos olhos meus

E o teu olhar era de adeus

Juro que não acreditei, eu te estranhei

Me debrucei sobre teu corpo e duvidei

E me arrastei e te arranhei

E me agarrei nos teus cabelos

Nos teu peito, teu pijama

Nos teus pés ao pé da cama

Sem carinho, sem coberta

No tapete atrás da porta

Reclamei baixinho

Dei pra maldizer o nosso lar

Pra sujar teu nome, te humilhar

E me vingar a qualquer preço

Te adorando pelo avesso

Pra mostrar que ainda sou tua

 


(Chico Buarque/Francis Hime)


 

Poesia

Livrarias especializadas em poesia:


 


Poetria


 



 


Ruas das Oliveiras, Galeria Comercial, 72, Porto


  


Poesia Incompleta


 



 


Rua Cecílio de Sousa, 11, Lisboa


 


Eventos de poesia:


 


Poesia in Progress


 


Horário laboral

Aqui está uma excelente notícia. Felizmente a proposta de 65 horas como tecto máximo de horas de trabalho por semana foi chumbada pelo Parlamento Europeu.


 



(aguarela de Edvard Munch: grupo e trabalhadores)

Que alternativa?

Esperei pela anunciada entrevista a Manuel Alegre para tentar perceber quais eram exactamente as bases da alternativa ao poder de que ele é o porta-voz e o impulsionador.


 


Em primeiro lugar percebi que Manuel Alegre estaria disposto a protagonizar uma base de apoio para uma coligação com o PS, caso este não alcançasse a maioria absoluta, para que o PS tivesse um movimento, um partido, uma base programática que puxasse a sua governação (que Manuel Alegre acha maioritariamente de direita) para a esquerda.


 


Depois Manuel Alegre confessa que tem a convicção que José Sócrates jamais se coligaria com o tal movimento / partido / entidade, portanto seria uma alternativa de esquerda a uma eventual coligação de direita.


 


No entanto Manuel Alegre não explicitou de que modo seria possível concretizar em votos, em percentagem eleitoral, essa alternativa, visto que não assumiu que seria necessário fazer um partido ou uma coligação de partidos, pois não é possível, com a nossa lei eleitoral, que um movimento de cidadãos concorra às legislativas.


 


Por outro lado foi dizendo, às vezes quase entre dentes que esperava que tudo acabasse em bem, e que o que ele desejava é que o PS governasse à esquerda.


 


A palavra esquerda foi muitíssimo repetida por ele, em oposição ao seu julgamento do PS governamental que, segundo ele mesmo, quis desmantelar o SNS, está a destruir a escola pública e a não apostar na qualidade e eficiência dos serviço públicos, para além de ter aprovado um código de trabalho de direita.


 


Ao longo de toda a entrevista não só nunca explicou concretamente em que se baseava para semelhantes acusações ao governo, nunca explicitando as razões exactas para além de generalidades, frases feitas e ideias vagas, nem apresentou medidas alternativas concretas que demonstrassem a bondade de esquerda da sua alternativa.


 


Não ficámos a saber como se iria qualificar a escola pública nem porque é que a avaliação dos professores a está a destruir; ficámos sem saber se foi a reorganização da rede de urgências, urgente e absolutamente necessária para que toda a população tivesse acesso a cuidados de saúde qualificados e em tempo útil; se a reestruturação das maternidades que permite que todas as grávidas tenham direito a ser assistidas por técnicos com a experiência e competência exigida por normas internacionais; se a reforma dos cuidados de saúde primários, crucial para uma verdadeira reforma do SNS; se a política do medicamento; se o esforço para a sustentabilidade financeira do SNS; que medidas estavam a destruir o SNS e quais as que, em alternativa, se propunham. Continuámos sem saber o quê, em concreto, está errado no novo código de trabalho.


 


Assisti à entrevista com um misto de esperança e de desilusão. Não basta dizer muitas vezes esquerda, social, desfavorecidos, liberdade, direita, contra, resistir, não basta conhecer a sonoridade das palavras e saber utilizá-la. A ausência de qualquer ideia concreta, nova, de facto revolucionária ou reformadora, de uma nova forma de encarar os problemas, a crise, os valores, foi patente.


 


Que alternativa é esta?

16 dezembro 2008

Salvem os ricos

Este vídeo está por todo o lado. É fantástico!


 


 



 


Salvem os ricos (contemporâneos)

Santana Lopes outra vez

Santana Lopes é o candidato do PSD por Lisboa.


 


Manuela Ferreira Leite e os seus apoiantes, que ganharam o último congresso do PSD, perderam a última réstia de credibilidade. O PS tem oposição apenas à esquerda, o que favorece o crescimento da extrema esquerda.

Imobilismo

Pois é uma enorme perda para o PS e para o país, para além de um péssimo sinal no que diz respeito à existência (ou não ) de soluções várias para os problemas políticos, económicos e sociais que enfrentaremos na próxima legislatura, que não se faça um debate de ideias no congresso do PS.


 


Unidade não significa imobilismo.

Cultura democrática

Estou muitas vezes em desacordo com Manuel Alegre, Mário Soares ou Pacheco Pereira. Acho que as intervenções que os militares na reserva e na reforma têm tido a propósito dos problemas das Forças Armadas podem ser contraproducentes e descredibilizar as próprias chefias militares. Não me lembro de ter concordado nunca com Santana Lopes e penso que a SEDES é um grupo de direita que tem como objectivo o poder.


 


Mas textos como este que reduzem estas pessoas e este grupo, assim como outros que não nomeiam, a oportunistas que estão no poder há 34 anos, a servirem-se do estado, a acumularem riquezas para eles e para as famílias, com falta de carácter e de amor pátrio, que pretendem incendiar a sociedade nem sei bem com que fins, parecem-me mais perigosos para a saúde da democracia e para a tão falada cultura democrática que tudo o que eles dizem ou disseram.

Baltasar vencedor

Esta foi a galeria de concorrentes e vencedores ex aequo do famoso Concurso de Natal 2008 - Baltasar - organizado pelo nosso excelentíssimo Barbeiro Luís. Para eles e para os restantes concorrentes os parabéns e votos de Boas Festas.


 



 

15 dezembro 2008

Miss Sarajevo

 



 


Is there a time for keeping your distance

A time to turn your eyes away

Is there a time for keeping your head down

For getting on with your day


 


Is there a time for kohl and lipstick

A time for cutting hair

Is there a time for high street shopping

To find the right dress to wear


 


Here she comes

Heads turn around

Here she comes

To take her crown


 


Is there a time to run for cover

A time for kiss and tell

Is there a time for different colours

Different names you find it hard to spell


 


Is there a time for first communion

A time for east 17

Is there a time to turn to mecca

Is there time to be a beauty queen


 


Here she comes

Beauty plays the clown

Here she comes

Surreal in her crown


 


Dici che il fiume

Trova la via al mare

E come il fiume

Giungerai a me

Oltre I confini

E le terre assetate

Dici che come fiume

Come fiume...

Lamore giunger

Lamore...

E non so pi pregare

E nellamore non so pi sperare

E quellamore non so pi aspettare


 


Is there a time for tying ribbons

A time for christmas trees

Is there a time for laying tables

And the night is set to freeze

 


(U2 & Luciano Pavarotti)


 

Plataforma de esquerda

aqui escrevi o que penso sobre a refundação das esquerdas. O discurso de Manuel Alegre faz prever que, apesar de ainda não assumido, na sua cabeça está aquilo a que se poderá chamar um frentismo de esquerda, com um novo partido em coligação com o BE, ou com um movimento de cidadania do género MIC que envolverá o BE.


 


Não deixa de ser interessante o interesse de Francisco Louçã em Manuel Alegre na construção de uma alternativa de esquerda. Se estão a pensar numa alternativa ao poder, e por isso concorrerem a eleições e ir a votos, talvez fosse boa ideia concretizar de que forma o vão fazer.


 


Não sei é se essa força alternativa de esquerda não levará, na prática, a um fenómeno semelhante ao do PRD. Mas Manuel Alegre está convencido que o combate à direita se faz com a retirada de votos ao PS. Não partilho dessa opinião. Acho mesmo que é a forma mais fácil de regresso da direita ao poder.

13 dezembro 2008

Sobre o lado esquerdo


poema de Carlos Oliveira


desenho de Leonardo da Vinci


 


 


De vez em quando a insónia vibra com a nitidez

dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma:

partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua

harpa insuportável.




No segundo caso, o homem que não dorme pensa:

"o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim,

deslocando todo o peso do sangue sobre a metade

mais gasta do meu corpo, esmagar o coração".

Revisão do Orçamento de Estado

O orçamento de estado para 2009 foi aprovado pelo PS apenas a 28 de Novembro. Contra tudo e contra todos, o governo e o seu ministro das Finanças defenderam os números das previsões efectuadas, nomeadamente de um défice de 2,2%.


 


Não se pode dizer que nessa altura não fosse possível prever que, com o governo a injectar dinheiro nos bancos, no sector automóvel, nas pequenas e médias empresas, nos investimentos públicos, nos apoios sociais e no que mais se verá, fosse difícil manter a redução do défice ou a sua manutenção. Tanto mais que a própria EU já tinha sugerido que não haveria problema em pequenos deslizes do défice nos países que necessitassem investir para minimizar a crise.


 


É claro que compreendo a necessidade de o estado investir e nem sequer tenho conhecimentos para me pronunciar a favor ou contra, mesmo que os apoios ao BPP continuem por explicar.


 


O que eu não consigo perceber á a razão pela qual, 15 dias depois da aprovação do orçamento de estão, o mesmo Ministro das Finanças e o mesmo Primeiro-Ministro venham assumir que o défice, afinal, chegará aos 3%.


 


Mas estão a brincar connosco? Que credibilidade esperam mater depois deste tipo de ziguezagues? A isto é que chamo prepotência, arrogância e falta de cultura democrática.


 


Não sei como se fazem as coisas, em termos técnicos e legislativos. Mas em termos políticos aquilo que se conclui é que o governo e a maioria mentiram, sabiam que estavam a mentir e não se importam minimamente com a mentira.

09 dezembro 2008

For your babies

 



 


Youve got that look again

The one I hoped I had when I was a lad

Your face is just beaming

Your smile got me boasting, my pulse roller-coastering

Anyway the four winds that blow

Theyre gonna send me sailing home to you

Or Ill fly with the force of a rainbow

The dream of gold will be waiting in your eyes

You know Id do most anything you want

Hey i, I try to give you everything you need

I can see that it gets to you


 


I dont believe in may things

But in you I do


 


Her faith is amazing

The pain that she goes through contained in the hope for you

Your whole world has changed

The years spent before seem more cloudy than blue

In many ways your babys controlling

When you havent laid down for days

For the poor no time to be thinking

Theyre too busy finding ways

You know Id do most anything you want

Hey i, I try to give you everything you need

Ill see that it gets to you

 


I dont believe in many things

But in you I do


 


You know Id do most anything you want

Everyday i, I try to give you everything you need

Well always be there for you

I dont believe in many things

But in you I do


 


(Simply Red)


 


 

A democracia que nos sobra

Vale a pena ver a forma como se exerce a democracia musculada nalgumas escolas. Vale a pena perceber por quem são feitas pressões inaceitáveis dentro das escolas.


 


Vale a pena perceber a democracia que nos sobra, segundo alguns professores esclarecidos.


 


Que vergonha!

08 dezembro 2008

O "negócio" da saúde

Sempre achei estranha a súbita e explosiva proliferação de unidades privadas de saúde nos últimos anos, pelo número e pela dimensão. Que me lembre, só na área da grande Lisboa, abriram dois grandes hospitais com valências de cuidados intensivos, urgências e oncologia: o Hospital dos Lusíadas (HPP Saúde) e o Hospital da Luz (Espírito Santo Saúde), para além de unidades mais pequenas, como as Clínicas CUF Cascais e CUF Torres Vedras (José de Mello-Saúde).


 


Não conseguia perceber se haveria capacidade económica na população para poder arcar com seguros de saúde que comportassem tratamentos oncológicos, por exemplo, ou internamentos prolongados em unidades de cuidados intensivos, ou terapêuticas onerosas para doenças do tipo da SIDA.


 


A partir desta notícia, que cita José Manuel Boquinhas, administrador dos HPP - Espero que a ideia de integrar os privados na rede (oncológica) vá para a frente - ficou tudo bastante mais claro. Como o próprio artigo indica, os doentes iniciam os tratamentos nos hospitais privados, os que dão lucro ao hospital e às seguradoras, e quando se lhes acaba a capacidade económica, são transferidos para o sistema público de saúde que, obviamente, não os pode recusar. Segundo o DN isto passa-se com 20 a 50% dos doentes oncológicos.


 


Como não há, de facto, poder económico que permita pagar seguros para a totalidade das despesas de saúde, os hospitais privados deixaram de ter clientes para se sustentarem. Daí a necessidade de acordos para entrarem nas redes de cuidados de saúde do SNS. Passará o estado a ser o seu cliente e pagador. Por vontade deles seria o estado a viabilizar economicamente estes projectos que, pelo menos agora, se revelam desajustados da realidade do país.

Doce de abóbora

Ontem foi dia de descascar e cortar uma abóbora com um monte de quilos, o que se revelou mais difícil do que esperava. Primeiro porque o balcão é alto e eu sou pequena; segundo porque a faca era demasiado grande e nem por isso cortava grande coisa; terceiro porque este tipo de trabalhos são efectuados uma vez por ano e portanto há pouca prática.


 


Mas vontade (boa) há muita. Lá está o panelão cheio de pedaços de abóbora (que encolheram menos do que é habitual, espero que não signifique nada de pior), açúcar (750 gramas por quilo de abóbora, já descascada) e vários paus de canela (acho que 2 por quilo de abóbora). Desde ontem que está a macerar e hoje, após sumo de limão (2 por quilo de abóbora) lá vai tudo para o lume.


 


Espera-me uma tarde de doce de abóbora, de colheres de pau, de nozes para quebrar e partir em bocados grossos (penso que utilizarei o velho método da pancada, depois de envolver o miolo das nozes num pano limpo) e do tão difícil ponto de estrada, que permitirá que o doce fique no ponto certo.


 


Esse é o problema mais difícil. Por isso agora deixo o doce a arrefecer no próprio panelão e só enfrasco no dia seguinte. Se for preciso mais lume ou, pelo contrário, mais água, escuso de despejar de novo o doce dos frascos para o panelão.


 


Falta-me ainda imprimir do Publisher os rótulos do doce, para os colar aos frascos que, entretanto, fui coleccionando. Há de tudo, desde frascos de molhos até frascos de azeitonas, boiões de vidro de iogurte, etc.


 


Começaram os preparativos para o Natal. Esperam-me ainda vários frascos de infusão de café, aguardente, açúcar e canela que se irão transformar em licor, num dos próximos fins-de-semana.


 


Baltasar

Chegou a minha vez de concorrer ao Concurso Baltasar de Presépio, que uma das lojas aqui do lado está a promover.


 


Andei bastante atarefada à procura do melhor Baltasar.  Este é muito colorido, um pouco cubista. Os concorrentes são de respeito. Veremos. O júri decidirá.


 


07 dezembro 2008

Cem mil (2)

É claro que estes cem mil visitantes nunca viriam cá tão depressa sem a publicidade gratuita que algumas pessoas têm estado a fazer, a propósito da noção de outras do que significa liberdade de expressão de pensamento.


 


Assim, a todos os que me deixaram palavras de estímulo no e-mail e nas caixas de comentários, e para os blogues que se referiram ao assunto (Womenage a Trois, Contra Capa, Jugular, Direito de Opinião, Corta-fitas, A Terceira Noite), os meus agradecimentos.


 


 



(pintura de Geraldine Gliubislavich)


 


Actualização: E também aos blogues Câmara de Comuns, Água Lisa, cronicasdorochedo e Anti-tretas.

Cem mil (1)


 


E não é que já por cá passaram mais de cem mil visitas?


 



 


Ora bem, vou preparar-me para mais cem mil.

06 dezembro 2008

Quinto poema do pescador

 



(poema de Manuel Alegre; pintura de Craig Barber)


 


 


Eu não sei de oração senão perguntas

ou silêncios ou gestos ou ficar

de noite frente ao mar não de mãos juntas

mas a pescar.


 


Não pesco só nas águas mas nos céus

e a minha pesca é quase uma oração

porque dou graças sem saber se Deus

é sim ou não.


 


 


(em homenagem aos pescadores)

Namoro

Não sei qual é a melhor canção de amor. Mas esta é uma das melhores.


 


 



 


 


 


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado

e com letra bonita eu disse ela tinha

um sorrir luminoso tão quente e gaiato

como o sol de Novembro brincando

de artista nas acácias floridas

espalhando diamantes na fímbria do mar

e dando calor ao sumo das mangas


 


Sua pele macia - era sumaúma...

Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas

sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo

tão rijo e tão doce - como o maboque...

Seus seios, laranjas - laranjas do Loje

seus dentes... - marfim...

 


Mandei-lhe essa carta

e ela disse que não.


Mandei-lhe um cartão

que o amigo Maninho tipografou:

"Por ti sofre o meu coração"

Num canto - SIM, noutro canto - NÃO

E ela o canto do NÃO dobrou


 


Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete

pedindo, rogando de joelhos no chão

pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,

me desse a ventura do seu namoro...

E ela disse que não.


 


Levei à Avo Chica, quimbanda de fama

a areia da marca que o seu pé deixou

para que fizesse um feitiço forte e seguro

que nela nascesse um amor como o meu...

E o feitiço falhou.


 


Esperei-a de tarde, à porta da fabrica,

ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,

paguei-lhe doces na calçada da Missão,

ficamos num banco do largo da Estátua,

afaguei-lhe as mãos...

falei-lhe de amor... e ela disse que não.


 


Andei barbudo, sujo e descalço,

como um mona-ngamba.

Procuraram por mim

"- Não viu... (ai, não viu...?) não viu Benjamim?"

E perdido me deram no morro da Samba.


 


Para me distrair

levaram-me ao baile do Sô Januario

mas ela lá estava num canto a rir

contando o meu caso

as moças mais lindas do Bairro Operário.


 


Tocaram uma rumba - dancei com ela

e num passo maluco voamos na sala

qual uma estrela riscando o céu!

E a malta gritou: "Aí Benjamim !"

Olhei-a nos olhos - sorriu para mim

pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.


 


(poema de Viriato da Cruz; canta Fausto)

05 dezembro 2008

Falta de assunto

Vi um pouco das prestações de Maria de Lurdes Rodrigues na Assembleia e dos representantes das bancadas do PCP, do BE, do PSD e do CDS. Aliás vi o que passaram nos telejornais de ontem. A avaliar por esses breves momentos a discussão deve ter sido pouco elevada.


 


O que, posteriormente, todos os órgãos de comunicação divulgaram foi o recuo da Ministra porque admitiu substituir este sistema de avaliação no próximo ano, caso se demonstrasse no terreno que era inexequível ou se surgisse outro modelo credível de avaliação, coisa que até à data não aconteceu.


 


Claro que ninguém se lembrou que no memorando assinado pelos sindicatos estava prevista uma comissão de acompanhamento do modelo, que faria as modificações e os ajustamentos que fossem necessários. Também ninguém se lembrou que só alguém muito estúpido é que não coloca a hipótese de mudar aquilo que está mal, quando se demonstra que está mal. 



 


Depois do debate de ontem, a moção de hoje para suspender a avaliação não passou por falta de quórum da oposição. É extraordinário.


 


Por outro lado a TSF deu o mote do caso do dia: Santana Lopes acha que o governo está a esticar a corda com o Presidente para provocar eleições antecipadas. A falta de assunto é tal que Santana Lopes brilha sempre que abre a boca, nem que seja para dizer um disparate sem nome.


 


Nota: vale apena ler também o artigo de Fernanda Câncio, no DN de hoje, e este post do Valupi, no Aspirina B.

Wanted, dead or alive

 



 


Wanted, dead or alive


(Actualizado em 08/12/2008)

04 dezembro 2008

Lendo blogues

Faço minhas as suas palavras...


 


...e estas também...


 


...assim como estas...


 


 

A crise no nosso contentamento

Afinal a crise é o melhor que nos podia acontecer! Quem pode duvidar?


 


Será que a crise foi uma estratégia bem sucedida de Sócrates para melhorar a economia portuguesa e devolver algum poder de compra aos depauperados cidadãos?


 


Mercado parcial

Nos últimos tempos tenho discordado quase a 100% com as posições de Manuel Alegre. Mas hoje partilho da sua indignação quanto ao processo pouco claro e de muito duvidosa inspiração socialista que levou à intervenção do Estado no BPP.


 


Aliás ninguém ainda conseguiu explicar exactamente a razão da premência do apoio. Todas as justificações que vão sendo dadas, uma a seguir à outra quando a primeira se demonstra ridícula, são estapafúrdias, dando a impressão de desculpas de mau pagador.


 


As leis do Mercado, aquela entidade sábia e abstracta que vogava e governava as economias, hoje em dia com a reputação pela lama, também se deveriam aplicar, para além das fábricas de sapatos e de têxteis, aos bancos que fazem a gestão das poupanças de alguns quantos pequenos e médios empresários (tal como Francisco Balsemão).


 


Além de que o risco sistémico e a vergonha nacional por essa Europa fora, resultante da falência de tão importante banco, são desconhecidos da própria Europa, a braços com falências e aflições financeiras bem mais importantes.


 


Pois é, bem fazia falta algum preconceito esquerdista nesta matéria. Mais espantosa ainda é a troca de papéis de alguns actores políticos. Paulo Portas também estava indignado pelo salvamento do BPP.


 


Vírus









Estamos rodeados de vírus por todo lado. Este deixou-me sem fala e sem ânimo. Dantes quando estávamos doentes ficávamos na cama a tentar ler e a dormir. Agora ficamos na cama e navegamos na internet.


 


Felizmente o vírus não me afectou os dedinhos.


 


03 dezembro 2008

A vitória da FENPROF e a derrota da Escola Pública

Não sei se a greve dos professores foi a maior de sempre mas foi seguramente a maior de que tenho memória e foi uma retumbante vitória da FENPROF. Basta ver que até o Ministério dá valores de adesão de 60%. Inegável.


 


Dito isto, e dito que è impressionante que Valter Lemos desvalorize esta histórica greve afirmando que apenas 30% das escolas fecharam, espero sinceramente que a Ministra e o governo não cedam.


 


Caso isso aconteça será uma retumbante derrota da escola pública e uma total demissão do dever do estado – o primar pela qualidade do ensino e pela qualificação dos seus profissionais, coisa que a FENPROF tem demonstrado à saciedade que é a mínima das suas preocupações.


 


Quantidade não é sinónimo de qualidade, portanto a histórica adesão não dá razão a quem a não tem. É obrigatório não ceder e implementar o modelo de avaliação do desempenho, melhorando-o naquilo que for necessário melhorar e adaptando-o à realidade de cada escola.


 


 


Adenda: um mail chamou-me a atenção de que eu não podia passar a mensagem de que todos os professores pertencem à FENPROF. Tem razão, não pertencem. Assim como acredito que a adesão à greve teve motivos variados para vários professores. Mas o que não podemos negar é que a FENPROF é o rosto mais visível e o motor desta contestação. Por isso me refiro à FENPROF. Mérito de Mário Nogueira, a verdade é essa.

02 dezembro 2008

Uma questão de imagens

Não consta que eu perceba algo de finanças. Mas gostava de perceber como é que o BPP, banco pequeno que geria fortunas, não era bem um banco onde as pessoas abrem contas para receber os ordenados, pagar as prestações da casa, as contas da água e da luz, etc., tem tanta importância para a imagem externa do país, tem tanta importância sistémica.


 


Pois a imagem interna que deu do país é que me preocupa, mesmo para consumo interno.


 


01 dezembro 2008

Dúvida


(Erato Tsouvala: lovers)


 


Se te amasse como me perguntas

sem tempo nem lume para mais

que não fosse o infinito abraço com que te olho

se te amasse mesmo que menos

que a dúvida com que olhas esse amor

líquido como o amor que de ti quero

se te amasse o suficiente

para que não perguntasses se te amo

seria certo que te não amava

tão profundamente como te amo.

Gracias a la Vida

 



(Violeta Parra)


 


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio dos luceros que cuando los abro

perfecto distingo lo negro del blanco

y en el alto cielo su fondo estrellado

y en las multitudes el hombre que yo amo.


 


Gracias a la Vida, que me ha dado tanto

me ha dado el oido que en todo su ancho

graba noche y dia grillos y canarios

martillos, turbinas, ladridos, chubascos

y la voz tan tierna de mi bien amado.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado el sonido y el abedecedario

con él las palabras que pienso y declaro

madre amigo hermano y luz alumbrando,

la ruta del alma del que estoy amando.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la marcha de mis pies cansados

con ellos anduve ciudades y charcos,

playas y desiertos montañas y llanos

y la casa tuya, tu calle y tu patio.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio el corazón que agita su marco

cuando miro el fruto del cerebro humano,

cuando miro el bueno tan lejos del malo,

cuando miro el fondo de tus ojos claros.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la risa y me ha dado el llanto,

así yo distingo dicha de quebranto

los dos materiales que forman mi canto

y el canto de ustedes que es el mismo canto

y el canto de todos que es mi propio canto.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto.

 


 


Da refundação das esquerdas

Quando se fala da refundação das esquerdas convém perceber de que esquerdas estamos a falar.



  1. Se das esquerdas protagonizadas por grupos de cidadãos que não se revêem nos partidos políticos já existentes, como por exemplo o MIC, formado na sequência do resultado de Manuel Alegre nas últimas eleições presidenciais.

  2. Se das esquerdas protagonizadas pelos partidos considerados à esquerda do PS, ou seja, PCP e BE.

  3. Se das esquerdas protagonizadas pela discussão dentro das várias facções do PS.

  4. Se de todos estes movimentos em conjunto.


Analisando uma a uma estas hipóteses:



  1. Os grupos de cidadãos são uma mais valia na discussão política, porque aproximam as pessoas que não têm nem querem ter filiação partidária, da actividade política e da intervenção pública, o que abre a sociedade a novas formas de discussão e de intervenção. O problema é que estes movimentos tendem a agregar-se em volta de pessoas e não por comungarem um conjunto de princípios e valores, de uma determinada ideologia. Por isso estes grupos são importantes para a defesa de determinadas causas mas dificilmente poderão disputar eleições com vista ao exercício de poder. Acresce o perigo da “fulanização” e de um populismo perigoso.

  2. O BE e o PCP têm demonstrado, infelizmente, a sua natureza totalmente anti-poder e arcaica, com o entrincheiramento dos comunistas num beco próximo dos fundamentalistas religiosos, em que a defesa de regimes ditatoriais como o de Cuba ainda está na agenda do dia. O PCP continua com a mesma retórica desde há 30 anos, se não mais, colocando-se cada vez mais à parte do leque da discussão da esquerda moderna e amante da liberdade. O BE tem protagonizado o que de melhor existe no populismo demagógico, tendo-se especializado em ser o simétrico de Paulo Portas.

  3. Os vários movimentos de esquerda dentro do próprio PS têm tido pouca visibilidade, primeiro porque é muito difícil levantar a voz contra as teses oficiais de Sócrates, e a colagem ao poder é uma das constantes da vida dos partidos apoiantes dos governos, principalmente em épocas de maiorias absolutas. Só assim se entende a abulia de Alberto Martins, o relógio de repetição de Augusto Santos Silva, o ventriloquismo de Vitalino Canas, para citar só alguns, e a tentativa de calar vozes incómodas como a de Ana Gomes, por exemplo. Por outro lado se os próprios militantes do PS, como Manuel Alegre, abdicam de discutir e de fazer ouvir a sua voz dentro do próprio partido, demitem-se de um indispensável e saudável contra-poder. Esperemos os resultados de movimentos que se formaram como a Corrente de Opinião Socialista e a Res Publica.

  4. A conjugação de todos estes movimentos é impossível, pelos desmentidos e ataques sucessivos que se fazem uns aos outros. O frentismo de esquerda seria tudo, mesmo que existisse, menos uma renovação das esquerdas.


Sendo assim estou muito céptica em relação a este fenómeno. No entanto a contribuição de grupos de opinião dentro e fora do PS, com pessoas que aceitem as regras da democracia e que estejam dispostas a participar no exercício responsável do poder seria desejável, se não mesmo indispensável para a renovação do debate ideológico em Portugal.


 


É claro que a crise à direita ainda é pior, pois o afastamento da esfera do poder tem sido funesta. Mas também aí seria indispensável a discussão e a renovação das direitas.


 


Embora compreenda que a política e as concessões sejam o cerne da governabilidade, é preciso não esquecer que tem que haver uma ideia, ou várias ideias que estejam na base da concretização das acções governativas e/ou das alternativas da oposição democrática.


 


E temos assistido a um paupérrimo debate de ideias, de alternativas, de políticas e de projectos de concretização das mesmas. À esquerda e à direita. Este seria o momento ideal para um enorme e aceso debate de ideias, visto que a crise financeira, a redefinição dos papéis dos estados na economia e na política social, a modificação do paradigma do trabalho com um aumento enorme do desemprego e a consequente e previsível instabilidade nas nossas sociedades ocidentais, com as imigrações e o regresso dos fundamentalismos religiosos, tudo pede exasperadamente para se repensarem atitudes e se descobrirem novas soluções.

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