Gosto de andar sozinha, no carro, devagar, até à beira rio.Gosto de me misturar com a gente que formiga no CCB, à frente dos Jerónimos, pelos jardins, gente com tempo de sábado, com faces tranquilas de quem descansa ou de quem descobre.
Gosto de observar os velhotes e as velhotas, de barretes e cachecóis, de cores sóbrias ou berrantes, entre jovens sem frio mesmo que o sol desapareça a o ar corte, eles em mangas de camisa, magros, esbranquiçados, de barbas ralas, elas de pescoços longos, casacos cintados e cinturas descidas. Uns falam, outros riem, outros calam. Há diálogos interiores e monólogos exteriores.
Gosto de olhar posters, quadros, cadernos, canetas, objectos bem desenhados, de papel, cartão, madeira, metal, com fins precisos ou apenas pela beleza dos contornos, das cores, pela ideia de quem os inventou.
Gosto de deambular sozinha, por entre o mundo que gira sem me ver, sem me ter, sem me querer, anónima e livre.
(Galeria Arte Periférica: Alexandra Mesquita: “corações com mau feitio” - coração hiperactivo)
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